O caso Lula e o caso Dreyfus na França

“O PT está centrado na questão de Lula ser candidato. Logicamente que nós achamos complexo o problema das eleições. A burguesia acha que se tirar o Lula é uma barbada. Logicamente que o problema da eleição não é tão simples assim porque uma eleição sem o Lula pode ter uma abstenção recorde, podem ter vários problemas que coloque o navio do golpe a pique mesmo que Lula não seja candidato. Uma causa que vai absorver uma quantidade enorme da energia de setores da população.

Nós já falamos aqui que o caso Lula é muito parecido com o Caso Dreyfus na França. Uma primeira coisa que devemos dizer é o seguinte: embora a França fosse um país sempre polarizado politicamente, principalmente depois da revolução francesa, o caso Dreyfus consolidou a divisão do país entre esquerda e direita. Na França não existe como existe no Brasil, o fato de os direitistas ficarem se escondendo como centro-esquerda ou de centro. Na França, os partidos de direita são de direita. Os reporteres todam falam ‘a direita’. Quem é a direita? É o partido Republicano, os partidos assim considerados… Marine le Pen? É de extrema-direita e o partido Socialista é de esquerda e os partidos mais radicais são de extrema-esquerda. Isso é o resultado da enorme polarização política que houve na época no caso Dreyfus.

O Dreyfus era um oficial do exercíto que foi acusado de entregar documentos sigilosos do exército francês para o exército alemão. Muito depois ficou se sabendo quem tinha vendido os documentos foi uma pessoa que tinha acusado o Dreyfus, que estava no Estado Maior. O Dreyfus era um judeu e isso deu uma campanha antissemita que é equivalente a campanha brasileira contra a corrupção.

A luta pela libertação de Dreyfus foi polarizando os campos de esquerda e de direita. Toda a esquerda se agrupou contra a condenação e toda a direita se agrupou a favor da consenação. O caso Dreyfus revelou a enorme divisão do país, a enorme polarização política que tinha no país e despertou uma crise de lutas de classes.

Esse caso refletia uma série de outros fatores. Não foi o caso Dreyfus em si que provocou isso daí. Havia ameaça de ditadura militar na França e a esquerda viu no movimento pela condenação de Dreyfus uma investida dos setores que defendiam uma ditadura militar. O caso Lula está levando o Brasil para uma polarização semelhante.

Essa polarização histórica na França não era nenhuma defesa de um elemento classista. O Dreyfus era um oficial, ele era um adjunto do Estado Maior das Forças Armadas francesas. Um militar como outro qualquer. Não devia ser de esquerda de jeito nenhum e era, provavelmente, de direita.

Como a injustiça praticada mostrava a investida da direita. A esquerda toda foi se agrupando na luta pela libertação dele e acabou derrotando a direita, derrotando a possibilidade de golpe militar.

No caso do Lula é mais evidente ainda. A esquerda procura namorar a ideia de que o Lula é corrupto que até agora ninguém mostrou a corrupção dele. Também precisaria de ter alguma prova muito contudente para alguém acreditar nisso daí.

Mas independente disso, não é isso que está acontecendo no país. Não é uma luta entre corruptos e não-corruptos. Eu acredito que a campanha em torno da figura do Lula vai se transformar em uma grande campanha nacional.”

Esse trecho faz parte da Análise Política da Semana que vai ao ar todos os sábados às 11:30 da manhã pelo canal Causa Operária TV do YouTube. Para o pessoal que mora em São Paulo, pode assistir o programa presencialmente no Centro Cultural Benjamin Perét na Rua Serranos, 90 a cinco quadras do metrô Saúde.

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