Contra a fraude eleitoral
Lançar qualquer outro candidato, num momento em que as condenações de Lula estão por um fio, é uma adesão à fraude eleitoral de 2022, tal como em 2018
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Polarização política leva inevitavelmente a disputa Lula vs Bolsonaro em 2022 | Foto: Jefferson Coppola/Dedoc e Cristiano Mariz/Veja.com
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Polarização política leva inevitavelmente a disputa Lula vs Bolsonaro em 2022 | Foto: Jefferson Coppola/Dedoc e Cristiano Mariz/Veja.com

Diante da desmoralização completa da Operção Lava Jato, o braço jurídico do golpe de Estado de 2016 e da fraude eleitoral de 2018, o Judiciário, através do STF, busca uma forma de manter os direitos políticos de Lula cassados, para impedi-lo de ser candidato em 2022. Com essa crise total, é o momento de um amplo movimento popular, pela anulação de todos os processos contra o ex-presidente Lula, a extinção da Lava Jato, a imediata restituição de todos os seus direitos políticos e a defesa da sua candidatura para 2022.

Diante desta situação, abriu-se uma crise no regime. Na esquerda há setores que defendam lançar outros candidatos e abandonar Lula, legitimando as decisões criminosas do Judiciário, bem como os que defendam que o candidato deve ser Lula ou as eleições novamente serão uma fraude.

O anúncio de que Haddad será o possível candidato a substituir Lula é uma expressão desta política de reconhecer o golpe que o STF procura mais uma vez dar no povo brasileiro, impedindo-o de escolher quem será o presidente.

Aqui nem se trata de quem será o possível substituto de Lula, mas sim que discutir sua substituição indica uma postura de abandono da luta política contra o regime golpista. É uma péssima indicação para o País inteiro, pois é como se o PT dissesse para o povo “não vamos lutar contra a perseguição ao Lula, vamos deixar”.

Isto apesar da situação da perseguição política ao ex-presidente estar por um fio. Desmoralizada pelas revelações contra a Lava Jato e seus integrantes, a perseguição ao ex-presidente se enfrentou com a campanha pela sua liberdade e a devolução dos seus direitos políticos, que mobilizou milhares de ativistas no Brasil e no mundo. Mas justo agora, na hora de avançar no enfrentamento e derrotar os golpistas, o PT anuncia que lançará outro candidato.

O erro desta política fica claro no fato de que o anúncio de Haddad foi feito como se ele fosse já um substituto de Lula. Uma diferença sutil entre anunciá-lo como vice e anunciá-lo como candidato, caso o STF mantenha a condenação de Lula. É como se o PT, ao invés de lutar contra as arbitrariedades do Judiciário, que configuraram a fraude eleitoral de 2018, estivesse reconhecendo que ó o próprio Judiciário é quem deve escolher seu candidato. Algo como “se os golpistas deixarem é o Lula, se não é o Haddad”. Uma capitulação diante da conduta criminosa dos golpistas.

É o momento do PT chamar um ato de milhares de pessoas em Brasília, exigindo a anulação de todos os processes contra o ex-presidente e o restabelecimento dos seus direitos políticos. Pois a situação chegou em um ponto em que é difícil para os juízes manterem as condenações contra Lula. Não que eles tenham algum pudor ou constrangimento em mantê-las. O fato é que a luta contra o golpe de Estado e as perseguições feitas sobretudo pela Lava Jato a Lula, fizeram com que um amplo setor da população compreendesse que tudo foi feito para tirar o ex-presidente da disputa. Criou-se um custo cada vez maior para o regime atacar Lula, o que explica inclusive porque ele foi solto e porque segue sendo um fator chave na luta política no País. Por isso, neste momento mais oportuno a ir para cima do STF, o candidato, mais do que nunca, deve ser Lula!

Abandonar sua candidatura, como a ala direita do PT fez em 2018, impulsiona os setores abutres da esquerda, que entrarão na política do salve-se quem puder e acabarão caminhando para alianças com a direita e para legitimar a vitória dos golpistas. Não é a toa que Boulos colocou-se contra o anúncio de Haddad, argumentando que “não é o momento para discutir candidatos, mas sim um programa”. Essa forma sutil de se diferenciar, indicando que não apoiará o PT, é o mesmo clima que foi preparado em 2018 e que teve sua maior expressão na candidatura de Ciro Gomes, o principal a dividir os votos do PT e facilitar a fraude eleitoral para eleger Bolsonaro.

A candidatura de Lula é a única que pode colocar em prática a unidade da esquerda nas eleições, não pelo seu programa, mas pela estatura política. Se o ex-presidente fosse lançado candidato e Boulos dissesse o mesmo sobre “não ser a hora de nomes, mas de programa”, o psolista ficaria desmoralizado prontamente. Isto porque o povo já sabe que Lula é o perseguido nº 1 do regime golpista, portanto, se alguém de esquerda aparece defendendo que o maior líder popular do País, que teve seus direitos políticos cassados, não deve ser o candidato, inevitavelmente vai se chocar contra o imenso apoio que o ex-presidente Lula tem. Esta situação fecharia o cerco para elementos como Ciro Gomes, Flávio Dino, Guilherme Boulos e todos os demais setores abutres que querem abandonar Lula.

Neste sentido, a candidatura de Lula é um ataque frontal contra a direita, que causaria um dano irreversível à frente ampla e levaria o País para a polarização política que a burguesia tenta tanto evitar. De um lado os golpistas e toda a direita, que apoiaria Bolsonaro vs Lula, a população e a frente única da esquerda.

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