Luta de classes
A política de setores da esquerda de aliança com a direita tem como propósito fundamental estrangular as mobilizações e garantir Bolsonaro até 2022
pco
Ato Fora Bolsonaro na avenida Paulista em São Paulo | Foto: reprodução

Com o anúncio oficial de que o isolamento social está sendo suspenso em todo o País, exatamente em um momento que a pandemia explode por todo o Pais, fica por demais evidente que a suposta oposição entre o fascista Bolsonaro e os “democráticos” governadores estaduais não passou de uma farsa, onde os governadores, preocupados com o desgaste diante da opinião pública da classe média, ensaiou uma suposta oposição ao governo federal, agora definitivamente encerrada diante da determinação do patrão de todos eles, a burguesia. 

Na mesma medida, a crise do governo de extrema-direita alardeada amplamente como um golpe fatal – ação do STF contra bolsonaristas, prisão do Queiroz, queda do ministro da 

educação – não passou de mais um capítulo da pressão de setores da direita responsáveis pela eleição do ex-capitão, no sentido de colocá-lo na linha ou melhor ainda garantir o seu mandato.

Em ambas as situações, foi inegável a participação de setores da esquerda fazendo coro com a direita golpista. No caso do isolamento social foi escancarado o apoio aos governadores, a maioria tão fascista quanto Bolsonaro. Sindicatos fechados, um recuo extraordinário da esquerda diante do avanço da pandemia e a política de carta branca do combate “científico” “racional” dos governadores, diante do “caos” pregado por Boslsonaro, chegando ao ponto de sindicalistas entregarem as entidades que representam aos governadores “amigos do povo”.

A segunda situação foi tão esdrúxula quanto à primeira. Do dia para a noite, a Rede Globo, a Folha de S.Paulo, a imprensa em geral, o STF, partidos e políticos da direita se transformaram nos paladinos da democracia  brasileira. Quer dizer, instituições que estiveram na linha de frente do golpe que promoveu o impeachment de Dilma, perseguiu, prendeu e baniu Lula das eleições, tudo para garantir a vitoria de um candidato do golpe, como que se metamorfosearam em amantes da liberdade.

A atitude da quase totalidade da esquerda pequeno-burguesa diante desses acontecimentos, não significa uma fé cega na democracia. O problema vai muito além. Os acontecimentos posteriores  trataram de esclarecer.

Um amplo setor da esquerda é defensora da constituição de uma frente ampla no Brasil em nome da luta do “bem” contra o “mal”. Toda a direita com exceção dos bolsonaristas travam uma verdadeira “luta mortal” contra o fascismo. Em nome dessa cruzada épica, essa esquerda defende a união com Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, Luciano Huck, Rodrigo Maia, Ciro Gomes, José Sarney, o PSDB, o DEM, o STF, a Rede Globo, a Folha de S.Paulo quem sabe Sérgio Moro, todos para derrotar o fascismo.

E com quais bandeiras? A da democracia, o verde, o amarelo e o azul. O STF, Wilson Witzel, João Dória cassam a extrema-direita. Em contrapartida, a esquerda frente-amplista cassa a esquerda que está nas ruas pelo Fora Bolsonaro. Para Guilherme Boulos, Flávio Dino, Fernando Haddad, o PCdoB, o PSOL, a direita do PT, as bandeiras devem ser baixadas, o movimento é apartidário, nada de vermelho, os atos devem ser estrangulados. Qual é o objetivo? Acabar com a polarização política, estrangular a luta de classes, levar os confrontos para o túmulo do Congresso Nacional e finalmente disputar com o fascismo nas urnas, o verdadeiro símbolo da democracia.

A direita “cumpriu” seu papel. Fez de conta que colocou seus cachorros loucos no canil. Deixa agora que a extrema-direita trabalhe na surdina até o momento que seja necessário chamá-los novamente à cena. A esquerda frente-amplista não tem o poder de promover a encenação da burguesia, porque se para a burguesia se trata de uma encenação, para a esquerda que luta contra o golpe, contra o fascismo, que quer derrubar Bolsonaro se trata da luta de classes.

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