O caminho do fascismo

Por Afonso Teixeira

Ontem, dia 5 de abril, o juiz Sérgio Moro decretou a prisão do presidente Lula.

Poucas horas antes, a suprema corte brasileira rejeitara um recurso do presidente, abrindo caminho para uma condenação futura. Não demorou muito.

Jornais e rádios dizem que a justiça foi feita e que, por fim, está a funcionar no Brasil.

A verdade é que a suprema corte afrontou a Constituição Federal, arbitrando sobre matéria que não era de sua competência.

A Constituição brasileira, determinada por uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita para isso, permite que uma pessoa seja presa apenas depois de esgotados todos os recursos de sua defesa.

Alguns juristas, no entanto, afirmam que isso torna a justiça lenta, o que beneficia o crime do colarinho branco.

Aleguem o que quiserem. Sei o que isso significa na prática: uma desculpa para a perseguição política.

Lula tirou mais de 50 milhões de brasileiros da miséria. Abriu 19 universidades federais (públicas, gratuitas). Dilma Rousseff, sua sucessora, colocou em marcha o programa “educação sem fronteiras”, beneficiando diversos estudantes universitários com bolsas de estudo para o exterior. Implementou o programa “Minha Casa, Minha Vida”, facilitando a obtenção de imóveis a todas as mulheres brasileiras.

Em apenas um ano, o usurpador Michel Temer acabou com a maioria desses programas ou dificultou o acesso a eles, além de transformar a justiça trabalhista do Brasil em uma verdadeira piada e quase ter conseguido acabar com o sistema de previdência pública.

A determinação da prisão de Lula é a gota d’água. Com a desobediência aos princípios constitucionais, o Brasil se transforma de vez em uma ditadura.

Poucas horas antes de a Suprema Corte passar por cima da constituição, negando habeas corpus a Lula, alguns generais do exército brasileiro fizeram ameaças claras àquela corte; ameaças essas que foram veiculadas no jornal noturno da Rede Globo, principal veículo de telecomunicações do Brasil, de caráter fascista.

Todos os meios de comunicação de massa no Brasil se tornaram parciais. Depois de tramarem o impedimento de Dilma Rousseff, tornaram-se propagandistas da prisão de Lula.

O que importa dizer é que a democracia no Brasil chegou ao fim. Nenhum brasileiro está seguro e pode ser condenado sem o devido processo legal. O julgamento de Lula foi um verdadeiro circo, uma farsa em todos os sentidos, quer o analisemos do ponto de vista político, quer do ponto de vista jurídico.

O fascismo avança a passos largos no Brasil, bem acompanhado do autoritarismo policial e jurídico.

A polícia, no Brasil, transformou-se num verdadeiro esquadrão da morte. No campo, os assassinatos somam a milhares.

E tudo isso arquitetado pelo governo norte-americano em conluio com as classes dominantes do Brasil. Tudo isso por dinheiro, por ganância; para roubar nosso petróleo, nossas jazidas minerais, nossa liberdade e o futuro de muitos.

Eis o triste e lamentável estado em que nos encontramos agora. O que nos cabe fazer? Fugir e entregar o ouro para o bandido? Lutar e acabar num cemitério clandestino?

O destino de muitos brasileiros será o mesmo dos judeus alemães durante o nazismo. Mas, o mais trágico é que o mundo caminha no mesmo sentido.

Os povos de todo o mundo, de todas as terras, de todas as nações e de todas as raças devem lutar em nome da liberdade.

É preciso varrer da face da terra a ameaça do fascismo que já se instalou de vez na Ucrânia e em Israel e vem ganhando força na Itália, na França, na Alemanha, nos Estados Unidos, na Grécia e na Hungria.

Ou nós lutamos ou reconheçamos, de uma vez, que não aprendemos nada com as lições da história e joguemos no lixo a memória e o sofrimento de nossos antepassados.

Afonso Teixeira Filho (no pequeno exílio da Lovaina; com ganas de voltar)