O Brasil amanhã: depois de fraude eleitoral e um golpe, população foge de uma Honduras depauperada

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Honduras está vivendo as consequências do golpe imperialista que derrubou Manuel Zelaya em 2009, abrindo espaço para a série de medidas golpistas que levou o pais à fome, à miséria e a ser um estado policial dos mais violentos existentes hoje.

Desde o golpe, já houveram três eleições fraudadas das quais a esquerda, ingênua, participou sem denunciar a fraude. Nessa última eleição ocorrida em 2017, contudo, o povo saiu as ruas contra o resultado eleitoral. Em particular, a “Aliança de Oposição contra a Ditadura” foi um dos movimentos responsáveis pela organização da resistência  que chamou a mobilização popular denunciando a ilegitimidade do resultado eleitoral que colocou o candidato do golpe Juan Orlando Hernández no poder em detrimento do esquerdista Salvador Nasralla. O pleito de Juan Orlando Hernández, o candidato do golpe, está sendo questionado nas ruas até hoje, fato que abriu uma crise no golpe, provando que a única medida efetiva de luta contra o golpe é a mobilização popular. Apesar da resistência popular, a situação de calamidade sofrida pela população após oito anos de golpe, com forte repressão aos movimentos sociais e a política de ataque sistemático aos seus direitos mais básicos, tornaram Honduras um forte pólo de repulsão, o que justifica as duas caravanas com mais de 10 mil hondurenhos arriscando suas vidas rumo a uma possível melhoria de vida nos Estados Unidos da América.

A primeira das caravanas partiu de San Pedro Sula (Honduras), atravessando a fronteira com o México no dia 19 de outubro via rio Suchiate, cuja ponte havia sido fechada pelo Estado mexicano como tentativa de contenção dos migrantes. Como essa atitude não surtiu efeito, a ponte fronteiriça foi reaberta.  A segunda saiu da cidade de Equipulas no dia 23 desse mês e também já atingiu solo mexicano e segue para a fronteira com os EUA. Os migrantes sofrem uma série de ameaças pelo caminho, como o risco do ataque dos Estados em que se encontram e as forças locais, como traficantes de órgãos, de drogas e outros.

“Sabemos bem que este país não nos recebe como esperávamos e que podem nos devolver a Honduras. Também sabemos que há narcotraficantes que sequestram e matam os migrantes”, disse Juan Carlos Flores, 47 anos. “Mas vivemos com mais medo em nosso país, então seguimos adiante”, completou.

Para piorar, o governo norte-americano, agente do golpe e da destruição de Honduras, ameaça o país de sanções econômicas, além de estarem movendo tropas com mais de mil homens para as fronteiras do país a fim de conter a entrada dos imigrantes a força. Isso coloca os migrantes hondurenhos entre a repressão norte-americana e a repressão hondurenha – a política nacional persecutória que mata camponeses, líderes indígenas, negros e membros de qualquer grupo que se opõe ao governo, contudo , torna “mais seguro” lançar-se a serie de perigos de uma caravana de migração ilegal que a permanência no próprio país. 

 

O golpe em Honduras é o modelo para os golpes latino-americanos

 

Após 2009, foram implantados golpes da mesma linha no Paraguai (2011), na Argentina (2015) e no Brasil (2016). Todos eles utilizam-se do fortalecimento dos órgãos não-eleitos do Estado, como da polícia, das Forças Armadas e do judiciário para darem base a sua ação. A partir disso, são derrubados os governos de estilo social-democrata, como o do Partido dos Trabalhadores (PT), no Brasil para ser implantado um novo governo golpista através de eleições fraudadas. Essa estrutura proporciona, finalmente, a implantação de medidas de miséria, perda de direitos trabalhistas, seguridade social e entrega dos recursos nacionais a partir do forte ataque a população, cujas organizações de luta são sistematicamente desmanteladas pelo violência.

Dessa forma, pode-se entender que a atual situação de Honduras pode se reproduzir, mesmo que em parte, em solo brasileiro. Isso significa que a saída principal para conter a insatisfação popular decorrente da política econômica de “terra-arrasada” deve ser o recrudescimento sistemático do ataque as organizações de resistência populares através do equipamento das forças de repressão com supostas finalidades de “combate ao crime organizado” e “política de segurança nacional”.  Com a vitória da fraude eleitoral anunciada na eleição de Jair Bolsonaro com supostos 55,1% dos votos, contra os minorados 44,9% para Fernando Haddad para a presidência da república, consolida-se a mesma situação da eleição do conservador Hernández.

Após a retirada da candidatura de Luis Inácio Lula da Silva em favor de Fernando Haddad, os golpistas tiveram sua vitória garantida, a vitória da fraude foi simples sem um grande líder de massas, como Lula, para expor as fortes incoerências entre realidade e resultado eleitoral. Como resultado, Bolsonaro está eleito com a mesma tarefa de Hernándes: ambos elegeram-se como candidatos oficiais oficiais do golpe, tendo como pauta principal a “segurança nacional” e a efetivação das medidas golpistas. Na situação de Honduras, isso levou presidente por em prática um verdadeiro estado policial de perseguição ao povo, mas com o “verniz democrático” dado pela fraude das eleições. Em 2017, contudo, com a denuncia da fraude eleitoral pela esquerda, o golpe hondurenho passou a ser questionado, abrindo-se uma crise no governo.

No Brasil, a perseguição da esquerda por grupos fascistas já se iniciou e está na pauta de governo de Bolsonaro tornar esse fascismo “informal” uma política oficial de Estado –  perseguir a esquerda como estratégica para conter a resistência ao avanço da pauta imperialista de forte ataque a população. Contra essas medidas, como na situação de Honduras, é preciso lutar nas ruas, abrindo uma crise no governo golpista, deslegitimando o resultado eleitoral e levando a derrocada das estruturas de dominação e repressão que sustentam o golpe. Para isso, é preciso construir uma forte organização popular nacional, formando comitês de luta contra o golpe e contra o fascismo em todo o Brasil, denunciando a fraude eleitoral que tirou Lula das eleições e que elegeu Bolsonaro e participando da 2ª Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe e Contra o Fascismo que ocorrerá nos dias 8 e 9 de dezembro em São Paulo. Vamos levar as palavras de ordem Fora Bolsonaro e todos os Golpistas, Liberdade para Lula e todos os presos políticos!