Política stalinista
A burguesia busca isolar o PT e liquidar a figura de Lula e para isso é preciso mobilizar todos os setores
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O historiador stalinista Jones Manoel | Foto: Twitter/Jones Manoel

A corrida para 2022 se aquece, a burguesia busca isolar o PT e liquidar a figura de Lula. Para isso, é preciso mobilizar todos os setores. Setores liberais-políticos como Marcelo Freixo, setores com aparência de ativistas ao estilo Guilherme Boulos e, até mesmo, tentando reavivar o antipetismo na esquerda radical. Aí aparece o stalinismo e o affair Jones Manoel.

De um tempo para cá, aproveitando-se do aniversário dos 80 anos do assassinato do revolucionário Leon Trótski, setores da esquerda pequeno-burguesa têm iniciado um esforço para ressuscitar o cadáver do stalinismo. Um desses setores é o historiador Jones Manoel, um dos muitos acadêmicos do PCB.

Admirador da obra do italiano Domenico Losurdo (um filósofo stalinista), Jones Manoel foi entrevistado há pouco tempo por Caetano Veloso em seu programa na Mídia Ninja. Essa experiência teria aberto seus olhos contra o neoliberalismo, conforme revelou o cantor em programa na TV Globo, citando nominalmente o youtuber.

Caetano, cujas posições políticas são abertamente direitistas (tendo apoiado o golpe, chamado voto para Marina Silva em 2014, etc.) tem uma forte sintonia com a linha liberal de esquerda da Mídia Ninja (que também é ligada a Marina Silva e cuja política editorial é sabidamente identitária). Tem se destacado também como um defensor da frente ampla que busca unir a esquerda à direita tradicional, dita como “democrática”.

Independentemente da consideração pessoal que o cantor possa ter, o fato é que, na prática, fez uma divulgação política aparentemente muito consciente da figura de Jones Manoel. A direita, ao ver uma crítica ao capitalismo e a divulgação de alguém de esquerda (não só Jones, mas também Losurdo), despejou uma enxurrada de ataques contra o intelectual.

Logicamente, esses ataques servem apenas para tentar calar os que dizem que o neoliberalismo não passa de um rotundo fracasso. Entretanto, há que avaliar o acontecimento de um ponto de vista crítico, à esquerda.

Quem é Jones Manoel?

Ligado mais à academia e à atividade editorial do que propriamente à política, o historiador tem pecado pela falta completa de conhecimento da situação nacional nos últimos anos.

Foi um apoiador do golpe contra Dilma Rousseff, sendo um dos analistas que se apresentam à esquerda do PT que mais enfaticamente lutou contra as denúncias de que o que ocorria no Brasil entre 2014 e 2016 era um processo golpista.

Por exemplo, no artigo “‘A crise política’, a burguesia interna e a oposição: uma proposta de interpretação” (Diário Liberdade, 09/08/2015), Jones Manoel afirmava:

(…) a burguesia interna em suas mais importantes frações (latifúndio agroexportador, grande indústria e Bancos) não quer o impeachment (grifo nosso) e demonstra como maior preocupação a estabilidade política o estado burguês (temendo que uma “crise política” possa transformar-se em crise de hegemonia), mas as expressões políticas da burguesia, como alguns partidos políticos e monopólios de mídia, perseguem a derrubada de Dilma por estarem amparados num movimento de massas (nas camadas médias conservadoras e na massa organizada dos evangélicos conservadores) e buscarem principalmente seu interesse particular, provocando uma separação relativa entre a posição da grande burguesia interna e das suas expressões políticas.

Naquele momento, no entanto, o conjunto da burguesia já estava em plena campanha a favor do impeachment. Os partidos políticos da direita aos quais Jones se referia são representantes da burguesia no jogo político-institucional, expressam as suas ideias, e o movimento “de massas” ao qual estavam amparados era um movimento artificial criado justamente pela burguesia – e, mais além, pelo imperialismo -, com o único objetivo de dar o golpe e implantar um regime de força contra os trabalhadores. Portanto, a burguesia de conjunto não estava minimamente alheia às pretensões golpistas do PSDB, do DEM ou do MDB.

E isso já vinha sendo denunciado por grande parte da esquerda em 2014. Em agosto de 2015, quando o artigo citado foi publicado, já havia grandes protestos populares contra o golpe. O então presidente da CUT, Vagner Freitas, chegara a dizer que, se preciso, os trabalhadores deveriam pegar em armas para impedir a deposição de Dilma. A palavra de ordem dos movimentos sociais, àquela altura, já era a de “não vai ter golpe” – não no sentido “manoelesco”, de que não havia possibilidades de golpe, mas sim no sentido de lutar para impedir o golpe.

Antônio Carlos Silva, da direção nacional do PCO, em sua fala no ato de 20 de agosto de 2015 na Avenida Paulista contra o golpe, destacava:

(…) essa luta [contra a entrega da Petrobras] é também a luta contra o golpe porque a direita coxinha quer entregar a Petrobras e o petróleo brasileiro. (…) A luta por moradia, a luta pela reforma agrária, é também a luta contra o golpe. Porque a luta contra o golpe é a luta contra a direita que quer trazer a política de ajustes, é a luta [contra] a política da direita que quer reprimir e massacrar a população trabalhadora. (…) Por isso, companheiros, nós, do Partido da Causa Operária, dizemos que nós estamos de parabéns, porque nós estamos passando por cima da farsa que a direita tentou montar na semana passada, quando essa direita tentou acusar o companheiro Vagner Freitas, presidente da CUT, de troglodita. E qual foi o crime do companheiro? O companheiro disse, acertadamente, que se for preciso nós vamos pegar em armas para lutar contra o golpe. E nós vamos mesmo. O recado do companheiro é o recado de toda essa massa: nós, trabalhadores, os nossos partidos, as nossas organizações de luta, não vão ficar assistindo o bonde passar. Por isso, companheiros, eu queria dizer que essa marcha de hoje tem que ser o primeiro de muitos passos. Nós temos que ir para cima deles, nós temos que derrotar a direita, nós temos que derrotar a política de ajustes dos setores da direita de dentro e de fora do governo. Fora Levy, Fora Cunha, fora os inimigos dos trabalhadores!

https://www.youtube.com/watch?v=McQDONMdiiE

Ficar assistindo o bonde passar era a pior coisa que a esquerda poderia fazer. E foi justamente o que fez uma parcela dela, em uma postura ultra-esquerdista – motivada pelo seu distanciamento das massas. No caso de Jones Manoel, a situação foi mais crítica: ele foi um propagador da inoperância da esquerda, advogando até o último momento que não haveria golpe.

Foi contumaz sua política, e também a de seu partido, de defender que o PT era um partido da burguesia e que, portanto, ela não tinha motivos para tirá-lo do poder. Jones chegou a ironizar inúmeras vezes os que denunciavam o golpe, colocando sempre essa expressão entre aspas, e tachar os que se colocavam contra o golpe de “governistas”, afirmando também que havia uma “falsa polarização”.

Em artigo posterior, “Cena política e impeachment: a correlação de forças – Parte I” (Diário Liberdade, 09/12/2015), ele mantém a pregação de que a burguesia não queria derrubar Dilma. Para isso, usa como justificativa uma concepção bastante sectária, ao escrever que “o Governo Dilma não é e nunca foi de esquerda – nem os governos de Lula”.

Concluía, taxativamente, o articulista:

O fato é que a manobra de Eduardo Cunha longe de representar uma polarização entre setores populares e a burguesia, colocou a maioria da burguesia contra o impedimento (grifo nosso). Longe de existir uma articulação golpista, a realidade é até esse momento o que se desenrola são grupos políticos (como o PSDB) lutando por seus interesses específicos sem respaldo das classes dominantes nacionais e do imperialismo – um cenário bem diferente da Venezuela, por exemplo. A histeria governista que convoca “os movimentos sociais e a esquerda” para a rua pela democracia e contra o golpismo não tem qualquer base séria numa análise concreta de classe (grifo nosso)

É possível ver, portanto, o total desnorteamento político, baseado, logicamente, não em uma “análise concreta de classe”, mas em uma posição ultra-esquerdista típica da pequena-burguesia “bem-pensante” que, para não sujar sua reputação, recusa-se a tomar partido ao lado dos “governistas”. O certo é que não existe meio-termo em uma situação na qual um governo de esquerda apoiado na classe operária está prestar a ser derrubado pela direita e o conjunto da burguesia. Ou se está contra o golpe, ou se está a favor dele. E Jones Manoel, não se colocando contra o golpe (pelo contrário, denunciando os que lutavam contra ele), apoiou, efetivamente, a ofensiva golpista.

Não existe meio-termo em uma situação na qual um governo de esquerda apoiado na classe operária está prestar a ser derrubado pela direita e o conjunto da burguesia. Ou se está contra o golpe, ou se está a favor dele. E Jones Manoel, não se colocando contra o golpe (pelo contrário, denunciando os que lutavam contra ele), apoiou, efetivamente, a ofensiva golpista

Figuras domesticadas pela direita

As análises de conjuntura de Jones Manoel são tipicamente stalinistas. A descrita acima é idêntica à teoria do “Terceiro Período” adotada no final da década de 1920 pelo stalinismo, que deu um giro de 180 graus na política anterior, de colaboração com a burguesia nacionalista, e passou a considerar a social-democracia como o irmão gêmeo do fascismo. Ora, não é isso o que se propõe, ao afirmar que o PT é de direita e que a burguesia não derrubaria seu governo uma vez que estava absolutamente satisfeita com ele e que, portanto, a esquerda deveria dar as costas ao governo Dilma?

Essa posição não era diferente da adotada pelo PSTU, com a diferença que este se auto-intitula um partido trotskista. O “Fora Todos” é a expressão acabada da política ultra-esquerdista do “Terceiro Período” stalinista. E no que essa política desastrosa desencadeou? Em 1933, os comunistas alemães acreditavam que a ascensão do nazismo permitiria a vitória do movimento operário sobre esse fenômeno, considerado débil e passageiro e, portanto, o nazismo seria menos nocivo ao proletariado do que a social-democracia e sua política de colaboração de classes e amortecimento da luta operária. O PSTU acreditava a mesma coisa: “a queda de Dilma é o primeiro passo para um governo popular”, diziam os morenistas.

Após a derrubada do governo petista, em artigo intitulado “Fim de um ciclo: O PT e o impeachment de Dilma” (PSTU, 24/08/2016), o portal da confusa organização morenista apontava que “a direção do PT agita a farsa do ‘golpe’ para esconder que o elemento decisivo para a queda do governo Dilma foi o rompimento da classe trabalhadora e dos setores populares com a presidente e com o PT”. E continuava: “O fenômeno mais importante para o futuro da classe trabalhadora brasileira é sua ruptura com o PT.”

Em resposta a esse absurdo, escrevemos que:

A base da política do PSTU é a noção do “fim do ciclo do PT”, logo alguém vai ter que tomar o lugar dos petistas na esquerda e no movimento sindical (por isso criaram uma central artificialmente). O golpe da direita que o PSTU apoia não é golpe, é uma ruptura dos trabalhadores com o PT, um processo que levará à “superação de uma velha direção oportunista e traidora”. Neste sentido, é uma profunda ilusão do PSTU que o golpe da direita irá favorecê-lo. O golpe é contra o movimento operário, a esquerda e o povo brasileiro e não somente contra o PT, Dilma e Lula. Essa ilusão do PSTU que não vê um palmo diante do nariz é compartilhada pelo PSOL, em especial Luciana Genro, que imagina que poderá herdar o espólio eleitoral do PT e mesmo agrupamentos da frente popular como o PCdoB e setores do próprio PT que acreditam que podem manter o seu espaço (ainda que diminuído) no quadro institucional em regime cada vez mais antidemocrático

(Antonio Eduardo Alves de Oliveira, “PSTU comemora o impeachment e diz que não é golpe”. Diário Causa Operária, 26/08/2016)

E o que houve após o golpe apoiado por Jones Manoel, PSTU, PSOL e outras parcelas da esquerda? O País se transformou em uma ditadura que caminha para o fechamento total do regime político, com acentuados aspectos fascistas.

No entanto, um aspecto fundamental do novo regime surgido após o rompimento do pacto político de 1988 com a derrubada de Dilma é a adaptação cada vez maior da esquerda a esse regime. Surge, aí, a segunda característica da política zigue-zagueante do stalinismo: após o ultra-esquerdismo, a conciliação em forma de frente popular.

Essa é a chamada frente ampla, que setores da esquerda pequeno-burguesa buscam formar junto com a direita que organizou e comandou o golpe. Porque essa direita seria uma direita “democrática”, “civilizada”, “republicana”. Seria uma direita “antifascista” para lutar contra o governo de Jair Bolsonaro.

Assim como Stálin organizou a submissão do movimento operário espanhol, francês e internacional aos partidos burgueses tradicionais em nome da luta contra o fascismo, agora a esquerda pequeno-burguesa brasileira, herdeira dos métodos stalinistas, tenta repetir a história, desta vez como farsa. E, realmente, a frente ampla não passa de uma farsa. Ficando a reboque da burguesia, a esquerda acredita que poderia “acumular forças” a longo prazo para derrotar Bolsonaro e construir uma “nova hegemonia” no País.

Assim como Stálin organizou a submissão do movimento operário espanhol, francês e internacional aos partidos burgueses tradicionais em nome da luta contra o fascismo, agora a esquerda pequeno-burguesa brasileira, herdeira dos métodos stalinistas, tenta repetir a história, desta vez como farsa

Os setores que defendem essa frente, não por coincidência, são os mesmos que, ou apoiaram abertamente o golpe (como o PSOL), ou sabotaram, de alguma forma, a luta contra ele (o PCdoB e a ala direita do PT). Sem falar, obviamente, nos partidos golpistas tradicionais e que buscam se apresentar como de “centro” ou “centro-esquerda”, como o PDT, o PSB, a Rede e mesmo o PSDB.

Este Diário e o Jornal Causa Operária vêm denunciando há tempos a armadilha que é a frente ampla, que vem ganhando o apoio, mesmo que tácito, de um espectro cada vez maior da esquerda, particularmente da esquerda pequeno-burguesa.

Em sua edição 1.116, o Jornal Causa Operária advertia, no artigo “Uma frente ampla eleitoreira com golpistas para quê?”:

A frente ampla não tem nem mesmo um critério democrático na sua composição e atuação, uma vez que os políticos burgueses golpistas e decadentes são privilegiados e cortejados, enquanto o PT, especialmente Lula, que tem comprovadamente um grande capital político e apoio popular, é atacado.

(Jornal Causa Operária n. 1.116, 06-12/07/2020, p. A6)

E chegamos, finalmente, no ponto central da questão.

A necessidade de liquidar a figura de Lula

A política stalinista tem, como característica fundamental, impedir o desenvolvimento independente da luta da classe operária. É, em última análise, uma política de integral colaboração com a burguesia.

A frente ampla, nesse sentido, e não por coincidência, tem como centro propulsor o PCdoB, autêntico continuador da política stalinista que, como fenômeno social, ficou enterrada no século XX com a morte da burocracia soviética após a dissolução dos Estados Operários do Leste Europeu.

É em torno da doutrina do PCdoB que os setores identificados ideologicamente com o stalinismo (como os admiradores de Losurdo, o próprio Jones Manoel, o PPL etc.) e os setores que, na prática, adotaram uma posição ultra-esquerdista do “Terceiro Período” stalinista (PSTU, PSOL, PCB – que também é ideologicamente stalinista) buscam se agrupar, em direção à articulação mais concreta de uma frente ampla com a direita.

Para realizar tal objetivo, no entanto, é preciso ter um respaldo teórico e histórico. Tal álibi seria, justamente, as “façanhas” do stalinismo. Advém daí a campanha iniciada para ressuscitar Josef Stálin e a “obra” do stalinismo.

O perigo principal dessa política é que ela atende, inevitavelmente, aos interesses da direita. Ao aliar a esquerda com os partidos burgueses tradicionais, a frente ampla castra o movimento popular de sua independência de classe em um momento de intensa polarização política e acirramento da luta de classes no Brasil.

Ao aliar a esquerda com os partidos burgueses tradicionais, a frente ampla castra o movimento popular de sua independência de classe em um momento de intensa polarização política e acirramento da luta de classes no Brasil

Para alcançar esse horizonte, contudo, é necessária a jogada fundamental de tal política: isolar da frente ampla o principal agente político da antiga frente popular governante entre 2002 e 2016, isto é, o PT. Mais precisamente a ala esquerda do PT, porque a sua ala direita tende, como já estamos vendo, a se integrar a essa nova frente, ficando à reboque dos partidos de direita.

A ala esquerda do PT, é preciso entender, resume-se ao lulismo e à própria figura do ex-presidente Lula. Tendo visto sua herdeira no governo ser deposta pelo golpe e depois sendo ele mesmo vítima da perseguição política golpista e de prisão arbitrária, Lula parece ter entendido que, ao menos neste momento, seria um suicídio político fazer alguma aliança com a direita. Portanto, utilizando-se de seu ainda elevadíssimo capital político, mostra-se com relativa independência diante da direita e da burguesia, que, como se comprovou com o golpe e sua prisão, quer vê-lo morto politicamente.

O cenário político que avança para as eleições de 2022 se apresenta da seguinte maneira: de um lado, a esquerda que a direita não quer engolir de jeito nenhum, representada por Lula e sua base social (os movimentos populares e sindicatos); de outro, a direita raivosamente contrária a Lula e que busca eliminá-lo politicamente por todos os meios possíveis (como a cassação de seus direitos) e a esquerda frente-amplista que deseja “virar a página do golpe” (como disse o senador da ala direita do PT, Humberto Costa) e substituir a liderança de Lula.

Dentro dessa esquerda, há diferentes setores, cada um desempenhando um papel específico que, no fundo, atende aos interesses da burguesia. Um deles é o setor mais intimamente ligado à direita devido aos seus cargos na burocracia estatal, como os representados por Flávio Dino e Marcelo Freixo. Outro é um setor que se apresenta como militante e ligado aos movimentos sociais, como Guilherme Boulos. Um terceiro é o setor pseudo-revolucionário e que se caracterizou pelo antipetismo desde o início do golpe, como é o caso de Jones Manoel e os stalinistas “ideológicos”.

Essa frente serviria para barrar, efetivamente, a luta contra o golpe e pelo Fora Bolsonaro, impedindo a unidade da esquerda em torno do único agente político capaz, pela sua popularidade, de mobilizar as grandes massas para um enfrentamento com a direita. E esse agente é Lula.

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