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O bom filho à casa torna: Boulos volta a ser funcionário da Folha

Esse é o prêmio do Boulos por todos os serviços prestados nos últimos anos à direita golpista

Tempo de Leitura: 5 Minutos

Boulos (PSOL) participa de debate nas eleições de 2020 – Mariana Pekin/UOL

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Nesta quarta (7), o principal jornal burguês do País, a Folha de S.Paulo, anunciou que Guilherme Boulos, do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), voltará a ter coluna semanal no jornal, nas versões digital e impressa, inclusive.

Boulos, que foi colunista da Folha entre 2014 e 2017, está sendo recrutado novamente, para desempenhar um papel de acordo com os interesses do Jornal, que foi um dos principais veículos propagandistas do golpe de Estado de 2016, que derrubou Dilma, tal como da fraude eleitoral de 2018, que prendeu e cassou Lula, para colocar Bolsonaro no Planalto.

Neste sentido, a recondução de Boulos ao time de jornalistas profundamente reacionários e serviçais dos piores inimigos dos trabalhadores no Brasil, não é um acaso, mas sim o prêmio de Boulos pelos serviços prestados para a direita golpista nestes últimos anos.

AJUSTES
Boulos foi o líder do movimento Não vai ter Copa. Foi um árduo defensor da luta contra o ajuste fiscal [de Dilma], que estava sendo derrubada. Chegou a declarar, entrevista à Carta Capital, que “impeachment é golpe, mas governo Dilma é indefensável”.
Isso pode ser facilmente comprovado pelos registros da passagem de Boulos pela Folha e a posição política que defendeu durante 3 anos e cerca de 140 artigos publicados.

Outro aspecto esclarecedor é o que a próprio Folha e Boulos disseram da sua recontratação.

O que a Folha disse

Para a Folha, a recontratação de Boulos seria uma espécie de reconhecimento da projeção que o ex-candidato à prefeitura de São Paulo teria adquirido nos últimos anos.

“Ele gradualmente obteve respaldo de apoiadores da centro-esquerda, contingente que em outras eleições havia impulsionado candidatos do PT na cidade.”

Boulos, segundo a Folha, teria conquistado um contingente de centro-esquerda que impulsionava candidatos do PT. Em outras palavras, o que a Folha está dizendo é que o psolista teria conquistado um contingente de eleitores do PT.

No entanto, a Folha, de forma cínica, parece ter esquecido que ela mesma, através da divulgação de pesquisas e mais pesquisas do seu Instituto DataFolha, promoveu a candidatura de Boulos desde antes das eleições. O DataFolha dava Boulos como largando na disputa eleitoral com 11% de intenções de voto, enquanto que mostrava o candidato do PT com 1%! Ou seja, mesmo muito antes, a Folha já estava entregando para Boulos parte do eleitorado do PT, manobra que foi executada com sucesso, dado que no curso dos acontecimentos a candidatura do PT ficou represada e o Partido foi chantageado, sob o argumento de Boulos estar na frente, a apoiar o PSOL. Engraçado que quando Lula liderou todas as pesquisas em 2018, a Folha não defendeu que o PSOL apoiasse Lula. Por que será…?

Mas o jornal da famílias Frias, continua explicando o porque da volta triunfal de Boulos aos quadros da imprensa burguesa:

“A adesão de eleitores mais jovens, numa campanha forte nas redes sociais e com pouco tempo na TV, o ajudou a chegar ao segundo turno do pleito contra Bruno Covas (PSDB), que buscava a reeleição. O resultado ampliou sua projeção na esquerda num momento em que esse campo político discute os possíveis cenários para a sucessão presidencial de 2022.”

O cinismo da Folha é impressionante! A empresa é uma máquina de distorções e omissões factuais. Quem mais ajudou Boulos a chegar no 2º turno não foi a adesão de eleitores mais jovens à sua candidatura. Nem à adesão de petistas e pessoas de esquerda em geral, que acabaram por votar nele. Quem colocou o candidato do PSOL no 2º turno, apesar do voto de jovens e petistas, foi o apoio da imprensa capitalista, como a Folha de S.Paulo, que promoveu, protegeu e carimbou sua candidatura como uma candidatura de esquerda útil à burguesia.

Neste sentido, o papel de Boulos ao ser escolhido pela burguesia como o candidato da esquerda, tinha o objetivo claro, expresso pela frente ampla, de isolar o PT e de colocar o Partido de Lula a reboque da direita golpista e da esquerda pequeno-burguesa como o PCdoB e o PSOL, no caso de Boulos. Não é por acaso que o PT não ganhou nenhuma capital no País e ainda foi utilizado para eleger os piores inimigos do povo, como no caso do apoio da esquerda à Eduardo Paes (DEM) no Rio de Janeiro.

Ou seja, a ida de Boulos ao 2º turno não foi mérito ou conquista coletivo da equipe de Boulos ou do grupo social em que se apoia (a classe média alta paulistana), mas sim uma manobra da burguesia para que o candidato cumprisse o papel de isolar o PT na maior cidade do país e reconhecer a vitória fraudulenta do prefeito genocida Bruno Covas (PSDB). Não é também, por acaso, que durante a campanha Boulos teve uma postura de verdadeiro amigo de Covas, chamando-o de ponderado e poupando-o de qualquer crítica contundente, sobre o golpe de Estado, o PSDB e a pandemia, que poderiam ser feitas infinitamente.

Voltando aos motivos da contratação de Boulos, o que ele próprio disse:

“A Folha tem a sua posição editorial, como todo jornal, expressa isso. Abrir para pessoas que têm posições diferentes daquela que é editorial do jornal, acho que fortalece o pluralismo, a democracia. Ajuda a fazer um contraponto a uma lógica autoritária de pensamento único que hoje está representada na Presidência da República, inclusive com ataques lamentáveis a jornalistas e à própria imprensa.”

Este comentário já esclarece melhor qual será o papel de Boulos de volta à Folha. Para ele, sua volta “fortalece o pluralismo e a democracia”! A grande questão é: como um jornal que faz parte do monopólio da imprensa capitalista, que apoiou a ditadura militar de 1964, pediu desculpas para depois apoiar o golpe de 2016, bem como a condenação, prisão e cassação de Lula e a eleição de Bolsonaro, fortalecerá a democracia?

É uma farsa! Não fortalecerá a democracia coisa alguma, mas apenas a tentativa da burguesia de controlar o governo Bolsonaro até 2022, para então substituí-lo por um candidato da direita golpista, como o governador fascista de São Paulo, João Doria (PSDB). A postura cordial de Boulos com Covas, por exemplo, deixa essa ponte aberta para que o psolista participe da promoção que a Folha vem fazendo sobre Doria como o grande opositor a Bolsonaro, uma clara campanha para 2022.

O que tanto a Folha quanto Boulos omitiram, no entanto, é que esse é o prêmio do Boulos por todos os serviços prestados nos últimos anos à direita golpista. Boulos surgiu como a liderança esquerdista do movimento Não Vai Ter Copa, em 2014, quando ganhou sua coluna na Folha. Como colunista, foi a ala esquerda do golpe de Estado, criticando o governo Dilma pelo ajuste fiscal, num momento em que o governo do PT estava sitiado e sendo derrubado em 2016. Em 2020, Boulos apareceu como o grande entusiasta da frente ampla e da campanha do “fica em casa”, articulou a retirada dos atos das torcidas com a PM, isolou o PT e reconheceu a vitória de Covas. A premiação de Boulos, desta forma, vem acompanhada de uma outra missão, isolar o PT e Lula em 2022.

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