O “mal menor”
Ao comemorar o resultado de 2020, a esquerda vai se consagrando como um apêndice da direita golpista
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
BRASÍLIA,DF,14.11.2018:BOLSONARO-REUNIÃO-MAIA - O Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se reúne com o presidente eleito Jair Bolsonaro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde ocorrem as reuniões da equipe de transição, em Brasília (DF), na manhã desta quarta-feira (14). (Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress)
Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia | Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress

Em resolução publicada no último sábado (12), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) apresentou o seu balanço das eleições municipais de 2020. Reverberando a análise da imprensa burguesa e de toda a esquerda pequeno-burguesa, a legenda comemorou o resultado eleitoral como uma vitória contra o bolsonarismo:

O extremismo bolsonarista, que não encontrou maioria na sociedade e nem nas instituições, nas redes sociais ou na imprensa, foi derrotado na sua ofensiva autoritária

A tese de que o bolsonarismo teria sido derrotado, no entanto, não é precisa. Afinal, Bolsonaro não estava disputando consigo mesmo as eleições — se ele foi derrotado, foi derrotado por alguém. Não existe derrotado sem vencedor. Trata-se da mesma propaganda da esquerda internacional em relação às eleições norte-americanas, que diz que Donald Trump foi derrotado, mas fecha os olhos para a vitória do genocida Joe Biden.

Se o “o bolsonarismo foi derrotado”, o PSOL teria de dizer por quem: João Doria, Eduardo Paes, o PSDB, o DEM etc. E, assim sendo, ou o PSOL teria de decidir se a direita nacional, que é uma das coisas mais podres, mais antipopulares, que representa tudo aquilo que diz condenar, é a salvação do País, ou então que a salvação do País viria da política da esquerda. Se a salvação for a política da esquerda, não houve qualquer derrota de Bolsonaro. Ele pode ter perdido as eleições, mas o bloco golpista saiu vencedor. A derrota, para a esquerda, foi total. Se o PSOL considera que as eleições são o caminho, o que aconteceu é que Bolsonaro, junto com seus aliados da direita golpista, saiu-se vitorioso. Tanto é que os partidos que mais cresceram eleitoralmente foram os partidos do “centrão” mais alinhados com a extrema-direita, como o PSD, o DEM e o PP. A suposta “luta contra o fascismo” nas eleições naufragou.

O balanço do PSOL mostra que a política da esquerda pequeno-burguesa não se pauta em um programa. Não se pauta por uma perspectiva definida. Não se pauta pela conquista de um determinado objetivo. É uma política sem rumo, que não consegue se cristalizar como política própria porque a esquerda acaba sendo subordinada à burguesia e, no caso atual, à direita. A política do “mal menor” apenas revela que o critério da esquerda é o de que “eu estou no mundo para escolher aquilo que é menos ruim”. Melhor seria, assim, não ter política nenhuma. O PSOL se coloca, neste sentido, como uma nulidade, um zero à esquerda do ponto de vista político.

Essa nulidade ficou escancarada em todo o último período. Na questão da luta contra o governo Bolsonaro, a esquerda depositou todas as suas fichas no apoio a uma suposta luta do “mal menor”, que seria a direita não diretamente bolsonarista. Na questão do coronavírus, apoiou os governadores. Na questão da eleição municipal, a esquerda apoiou a direita que seria o “mal menor”. No balanço eleitoral, o PSOL deixa claro o seu alinhamento com a burguesia na “luta contra o bolsonarismo”.

Com essa defesa, a esquerda está deixando de existir enquanto esquerda. O que justifica a existência da esquerda, se ela está aí para apoiar a direita? Qual é a solução que ela apresenta para o País? Qual a função da esquerda?

O PSOL enquanto partido político, na verdade, não existe. A esquerda pequeno-burguesa de conjunto se apagou do cenário político.

A esquerda, na realidade, assumiu, como seu programa, o programa da direita. Se a direita é quem vai salvar o País do fascismo, a esquerda se transforma automaticamente no apêndice político da direita. Em todos esses acontecimentos, a esquerda deveria ter tido, se ela quisesse ter um papel de primeiro plano na situação política, uma posição independente.

O “mal menor” expresso na resolução do PSOL não é um grande segredo da estratégia política. O “mal menor” seria um partido não ter papel significativo nenhum, e ter que escolher, entre o tigre e o leão, aquele que vai devorar você no final. E pior: essa política, profundamente equivocada e abertamente reacionária, sequer se estende a todas as situações do País. Em várias situações, a esquerda pequeno-burguesa não tem posicionamento político. O “mal menor” é um posicionamento puramente eleitoral, que levará a esquerda inevitavelmente para o precipício.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas