Guilherme Boulos, candidato Don Quixote

Don Quixote, protagonista do livro de Miguel de Cervantes, era um herói, todas as características de um herói de novela de cavalaria estavam presentes nele. Mas na realidade em que ele vivia já não haviam mais cavaleiros, em que a guerra de castelos e a cavalaria eram passados, pouco a pouca a pólvora tomava o local da espada, a livre iniciativa estava começando a tomar o lugar da honra e dos costumes da antiga sociedade, Don Quixote era um homem fora de seu tempo e, diga-se de passagem, fora de si. Guilherme Boulos e sua nauseante campanha não são tão diferentes.

Boulos, candidato pelo PSOL, deu suas primeiras grandes entrevistas, sua máquina eleitoral começou a funcionar nas redes sociais e foi possível ver do que se trata a candidatura do coordenador do MTST.

A aparência, mesmo que fosse apenas isso, de aguerrido militante de rua deu lugar a um sorridente candidato, o vermelho cedeu espaço ao laranja e até ao verde-amarelo. Na hora de falar para as câmeras os discurso direto deu lugar ao vocabulário idiotamente rebuscado das universidades.

No roda viva o Boulos candidato já disse que respeita a propriedade privada, ele que lidera um movimento de ocupações, que deveria questionar isso na prática, ele disse que não quer demonizar empresários, que estes geram emprego, que é preciso conviver com bancos, mas “bancos civilizados”, seja lá o que for isso, seria algo inédito.

Boulos

Boulos não fala em golpe, parlamentar, midiático, ou de qualquer tipo. Se muito apertado ele menciona rapidamente, como quem fala de corda em casa de enforcado. Suas propostas não levam em conta o fato de que a direita derrubou a última pessoa minimamente progressista a ocupar a presidência.

Ele é também o típico candidato da esquerda pequeno-burguesa. Fala manso perante a imprensa, aplaude como um animal de estimação o fato de ter cobertura, lá fala de suas propostas. “Se eleito vou abaixar juros”, “É preciso combater privilégios” diz ele, a generalidade de esquerda impera, é trágico.

Ele fala que vai governar com o povo, que quer fazer uma reforma política e tributária, critica Dilma por ter feito A e não B, mas nada fala da pressão para derruba-lá.

Boulos é como Quixote, fora de seu tempo. Talvez na Suécia num tempo de muita paz os trabalhadores pudessem ouví-lo com seriedade, mas não no Brasil do golpe.

Quixote usava uma armadura de cavaleiro, Boulos faz propostas de candidato, ambos estão defasados no tempo. No Brasil não haverá eleições, haverá no entanto uma verdadeira guerra que vão chamar de eleições.

Boulos fala como se os últimos 3 anos não tivessem acontecido. Setores da esquerda falaram que não houve golpe, Boulos faz a mesma coisa pelas ações dele. Atua como se sua candidatura fosse resolver algo, que não vai.

Lula, o candidato do povo, está apodrecendo numa prisão, a última pessoa a falar de fazer algo positivo para o povo foi derrubada. A única coisa que pode mudar a situação é a denúncia sistemática do golpe e a mobilização pela liberdade de Lula, é a luta.

Mandato nenhum tem força si, o governo Dilma mostrou isso. Nenhuma eleição dará força a esquerda para derrotar a direita e o programa do golpe, pelo contrário, é preciso derrotar a direita para ganhar as eleições.

Participar das eleições de maneira acrítica como faz Boulos, é participar da fraude que é golpe. O tempo de eleições pacíficas passou.

Este tipo de candidato é o passado, é cavaleiro sem novela de cavalaria, o futuro é a luta da classe operária contra o golpe.