Eleições na Câmara
Política do “mal menor” chega ao seu extremo
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Artur Lira | Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

A política criminosa e direitista da frente ampla não tira férias. Depois de um show macabro de alianças com aquilo que há de mais podre no regime político durante as eleições municipais, a esquerda pequeno-burguesa já ingressou em seu novo “desafio”: escolher o direitista que irá apoiar nas eleições para a presidência das casas legislativas. Ou, dito de outra maneira, escolher, entre o leão e o tigre, aquele que irá lhe devorar.

A eleição que tem ganhado mais repercussão é o da presidência para a Câmara dos Deputados. Afinal, por se tratar de uma casa muito maior e muito menos controlável que o Senado, a pressão da burguesia para que sua mesa diretora atenda aos seus interesses é muito maior. Nesse cenário, refletindo a divisão no interior do bloco golpista, surgem como principais protagonistas Arthur Lira (PP), deputado direitista apoiado pelo presidente ilegítimo Jair Bolsonaro, e Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara, que terá o poder de indicar o nome do candidato do chamado “centrão”. Assim, de um lado, estaria a candidatura que representa os interesses de Bolsonaro, presidente improvisado e de extrema-direita, que não conta com a confiança da burguesia, e a candidatura dos setores mais tradicionais da burguesia (PSDB, DEM e MDB).

Dentro do próprio bloco da direita nacional, haveria, ainda, uma determinada disputa. De um lado, estariam os setores da direita nacional que seriam mais abertamente direitistas e ligados, de alguma forma, a Bolsonaro. É o caso, principalmente, do DEM. De outro, estariam setores que procuram fazer maior demagogia de tipo progressista e estariam mais ligados à Operação Lava Jato e ao próprio imperialismo. É o caso, principalmente do PSDB. Vale lembrar, neste sentido, que o prefeito do PSDB em São Paulo, Bruno Covas, se colocou como alternativa ao “obscurantismo” do governo Bolsonaro. O candidato apoiado por Rodrigo Maia sairá de um acordo entre essas duas alas do bloco da direita nacional.

Como se vê, as disputas na Câmara dos Deputados estão centradas em figuras da direita golpista, inimiga do povo. Apesar de o governo Bolsonaro ser odiado pela população, a direita nacional conseguiu se colocar como o oposto do bolsonarismo no âmbito institucional. E por quê? Justamente porque a esquerda pequeno-burguesa, com sua eterna política de “mal menor”, acabou se anulando politicamente por completo. A esquerda se distanciou tanto do povo com sua política de apoiar os golpistas e lançar candidatos de direita, até mesmo ligados ao aparato de repressão, que é incapaz de liderar até mesmo a luta contra o bolsonarismo, que é, no fim das contas, a continuidade da luta contra o golpe de Estado.

Se a esquerda continuar insistindo nessa política, apenas aprofundará o seu desastre. No entanto, é o que os seus setores mais oportunistas e carreiristas estão defendendo.

Segundo o que se especula no imprensa burguesa e também o que setores da esquerda, como a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) estão denunciando, o PT hoje estaria dividido em três alas no que diz respeito às eleições na Câmara. Uma ala estaria disposta a lançar uma candidatura própria, mesmo que a derrota fosse certa. Essa seria a posição natural de qualquer partido de esquerda que estivesse diante um parlamento absolutamente golpista e inimigo do povo. Uma segunda ala estaria disposta a apoiar o candidato apontado por Rodrigo Maia, seguindo a política da frente ampla nas eleições, quando a esquerda apoiou a direita com base no discurso de “combater o bolsonarismo”. E uma terceira ala estaria apoiando o próprio candidato do bolsonarismo, Artur Lira!

O carioca Washington Quaquá, membro da ala direita do PT, já está defendendo abertamente o apoio ao candidato do PP:

“O Lira é o candidato do centrão. O centrão tem um acordo com o Bolsonaro. Pode ter um acordo com a gente também. (…) Não tenho nenhum problema com o Lira, pelo contrário. Para falar a verdade, acho que ele pode ter mais condições de avançar na pauta democrática”.

Não há absolutamente justificativa alguma para apoiar Artur Lira, independentemente de ele ser apoiado por Bolsonaro ou não. Lira é um dos tantos deputados que votou abertamente a favor do golpe contra Dilma Rousseff. Além disso, desde então, tem apoiado todo tipo de ataque da direita golpista. Isto é, se a esquerda não almeja nem mesmo combater o golpe de Estado, que sentido então teria de existir enquanto esquerda? Não haveria motivo algum. E o fato de o deputado do PP ser apoiado por Bolsonaro apenas aprofunda a contradição.

Certamente, ainda veremos muito malabarismo da esquerda pequeno-burguesa para justificar seu apoio aos candidatos da direita. Nenhum pretexto, contudo, tem qualquer base racional.

A política de apoio a algum candidato da direita na Câmara dos Deputados é uma política de interesses. A esquerda pequeno-burguesa quer apoiar um determinado candidato simplesmente porque o apoio ao candidato certo poderá render uma vaga na mesa diretora. Coisa que não tem valor algum.

O cargo na mesa diretora apenas serve para corromper os representantes da esquerda no parlamento de dois modos. De um, atrai os elementos mais carreiristas com uma função, que levará a determinados privilégios junto à burguesia. De outro, para estimular uma operação de extorsão política tradicional: a de que se a esquerda não apoiar um determinado candidato, ela será responsável pela vitória do outro. Por exemplo: a chantagem baixa e rasteira de que, caso a esquerda lance um candidato próprio e não apoie o “mal menor” — seja Artur Lira, seja Rodrigo Maia —, o “mal maior” será vencedor. Neste caso, o pretexto é ainda mais canalha: a esquerda não conseguiu ainda decidir quem seria o “mal maior” e quem seria o “mal menor”.

O vício na política do “mal menor” deve ser duramente combatida no interior da esquerda, pois levará a sua própria anulação. Escolher o “mal menor” é o mesmo que passar uma procuração para um adversário político travar a luta política em seu lugar. Uma posição, portanto, completamente avessa a qualquer organização que pretenda defender o povo trabalhador de todos os ataques da classe dominante.

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