190703015238 - BSB - Brasília - Brasil -  10/08/2016  -  Palestra  do Juiz Sérgio Moro sobre democracia e combate à corrupção na  UniCEUB. Na foto: Juiz Sérgio Moro passando atrás do promotor Deltan Dallagnol drante a sua chegada no auditório da UniCEUB.  
Credito:  Aílton de Freitas/Agência O Globo
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As mensagens e gravação tornadas públicas pelo The Intercept, que demonstram o modus operandi de membros do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro na chamada operação Lava Jato, além das relações destes com desembargadores do TRF-4 e de Ministros do STF, a rigor não trazem novidades, mas são importantes por reforçarem o que já denunciamos por muito tempo.

É bom, inclusive, ressaltar que tudo que aparece agora como um escândalo já era muito claro e a imprensa, que  agora ajuda a replicar as provas do uso político da operação, minimizou e escondeu o quanto pode as ações ilegais e imorais da Lava Jato.

O mais importante é que esses vazamentos comprovam que as eleições de 2018 foram fraudadas. Ministros do TSE/STF, desembargadores do TRF4, o juiz Sérgio Moro, a Procuradoria Geral da República (PGR), o Ministério Público em Curitiba, Brasília e São Paulo, atuaram de forma consertada para impedir que Lula fosse candidato e garantir que nem o PT nem outro partido de esquerda ganhasse o pleito.

Não foram apenas as fake news, as ações financiadas (inclusive desde fora do país) para disseminar boatos, mentiras, para levar falsos militantes para as ruas, pagar outdoors, propagandas em jornais e revistas, ou a ação da imprensa, que alteraram o jogo eleitoral, ou pelo menos não o fizeram sozinho. O jogo eleitoral foi fraudado por dentro, com a participação deliberada e consciente das instituições para forjar o resultado que desejavam.

Da mesma forma, o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016 pode não ter sido planejado pela Lava Jato, mas recebeu dela incentivo, torcida e  colaboração, por meio de vazamento de conversas entre o ex-presidente Lula e a então presidenta Dilma. Isso foi usado à exaustão pela imprensa burguesa e os golpistas para dar um impulso ao ato final do Golpe.

Ficou demonstrado, com as mensagens publicadas pelo The Intercept, que o que já se havia denunciado sobre a participação do ex-juiz Moro na cassação dos direitos políticos do ex-presidente Lula era algo consciente e deliberado, e que a Lava Jato foi usada para alterar a correlação de forças no cenário político, favorecendo a direita e o capital estrangeiro.

Nessa toada, verificar que Sergio Moro agia como se fosse o coordenador da operação Lava Jato não é surpresa, assim como comprovar que tramaram impedir a entrevista de Lula antes das eleições, que Luiz Fux  participou de encontro com bancos para fazer análise de conjuntura sobre a Lava Jato e as eleições para, poucos meses depois, proibir entrevistas de Lula, ainda naquele momento, o candidato do Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2018.

Moro também vazou parte de delação de Antonio Palloci mesmo concordando com outros membros da Lava Jato ser uma peça imprestável, pois sem sustentação em provas. Ele vazou a delação com o único propósito de que a imprensa, no caso o Jornal Nacional em particular, explorasse o conteúdo da ‘delação’ para atingir Lula e o PT, atingir Fernando Haddad, já candidato.

As mensagens até agora publicadas confirmam também que até os membros da Lava Jato sabiam não haver provas contra Lula e que fizeram de tudo para construir uma peça processual em comum acordo com o juiz do caso, Sérgio Moro, que orientava e cobrava ações e procedimentos do Ministério Público.

A, tantas vezes denunciada, ação conjunta entre o Judiciário e o MP para impedir Lula e o PT de ganharem as eleições, somadas àquelas sobre a ação direta do MP, a PGR em particular, e do STF na sustentação do Golpe de 2016, são reforçadas com as reportagens realizadas a partir das informações de posse do The Intercept, mas não representam nada novo e nada de que não soubéssemos e que já não tivesse sido denunciado.

A reação de parte da imprensa e do governo de extrema-direita que tomou conta do poder é que deve ser compreendida como defensiva e como sinal de que os golpistas podem decidir pelo fechamento definitivo do regime.

O que as mensagens vazadas mostram é que Lula é vítima de uma grande armação e que isso se deu por representar uma ameaça real, talvez a única, aos planos golpistas. Se fica claro que ele é um preso político, que ele e seu partido foram os alvos primeiros do Golpe de 2016, claro que pode e deve ser libertado. Lula livre e colocando sua voz contra o governo fascista é o que a direita e a extrema-direita não desejam de forma alguma.

Sérgio Moro atuou incansavelmente para impedir Lula de ser candidato e para fazer de Jair Bolsonaro presidente, pautou a imprensa direta e indiretamente, por meio do MP de Curitiba, e fez acordo para ser Ministro do governo da extrema-direita, como uma passagem antes de ser indicado ao STF.

No meio do processo, como também já denunciado por nós, agiu para blindar o PSDB que considerava um aliado, como fica claro num dos diálogos com Deltan Dallagnol quando afirma não querer melindrar FHC, ‘cujo apoio é importante’.

Os procuradores, por sua vez, estavam cientes de que Moro violava a lei e a ética, e manifestaram temor de que a Lava Jato pudesse perder credibilidade por causa de suas decisões, inclusive ao aceitar um cargo no Executivo.

Outras coisas menos exploradas, mas que mostram bem o caráter mercenário e também entreguista e de alinhamento com os norte-americanos diz respeito ao uso da operação para ganhar dinheiro e projeção, com palestras e assessoria/consultaria para bancos e empresas, interferência na política de outros países, como na Venezuela – nesse caso acatando sugestão de Sérgio Moro.

Já pensando na presença de Sérgio Moro no governo Bolsonaro, blindaram Flávio Bolsonaro de forma descarada, e isso também foi comprovado pelas mensagens recém publicadas. Mas isso já era um estágio avançado da fraude. O que vivemos hoje é fruto dessa fraude. Por isso, a palavra de ordem #ForaBolsonaro é mais que nunca urgente.

 

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