Crise na Saúde
Pesquisadora da Fiocruz alerta para o avanço da pandemia e inoperância dos governos federal e estaduais
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Mortes por Covid-19 crescem no Brasil. | Foto: Reprodução

Passado o frenesi eleitoral que tomou toda a energia e empenho dos adeptos do sistema político vigente, incluindo ai, a maior parte da esquerda institucionalizada, a dura realidade da qual não se pode fugir, se faz notar novamente. A pandemia de Covid-19 volta ao noticiário, dando provas de que nunca houve qualquer retrocesso no ritmo de avanço da doença. A médica sanitarista, presidenta do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), Lúcia Souto, alerta que o aumento de casos já está repercutindo na ocupação de unidades hospitalares.

Em entrevista ao Jornal Brasil Atual da TVT, a sanitarista Glauco Faria afirma que há um aumento no número de contágio, internações e mortes nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Os governos estaduais informam por meio de suas Secretarias de Saúde que há uma tendência de alta de 53% na média diária de mortes por Covid-19 na região Sul, para a região Centro-Oeste este número sobe para 63% enquanto na região Sudeste chega a 77%.

Os efeitos desta tendência de alta já se refletem na taxa de ocupação de leitos públicos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na cidade do Rio de Janeiro este índice já passa de 80%, se considerarmos os leitos exclusivos para pacientes de Covid o índice sobe para 90%. Em contradição com o que afirma o governo federal Lúcia Souto afirmou: “os patamares da pandemia no Brasil, nunca deixaram de ser muito elevados”.

Para a pesquisadora, o estado do Rio de Janeiro jogou dinheiro na lata do lixo ao ignorar os alertas e orientações das entidades de saúde que indicavam um investimentos nos hospitais públicos existentes, ao invés disso, o estado comprou equipamentos inadequados e construiu hospitais de campanha que pouco tempo depois foram desativados e nenhum legado será deixado para o pós pandemia, uma coisa “devastadora”, disse Lúcia.

Outro ponto levantado pela pesquisadora da Fiocruz é o completo abandono do sistema público de saúde em todo o país, sistema que mesmo sucateado ainda é a única ferramento para enfrentamento da pandemia. Esta negligência pode ser notada por exemplo no Rio de Janeiro, pelas demissões e transferências injustificáveis no hospital do Andaraí ou a irresponsável omissão aos alertas da defesa civil quanto a precariedade das instalações do hospital de Bom Sucesso, o que levou a um incêndio no hospital.

Para Lúcia Braga, o enfrentamento da pandemia só pode ser feito pelo SUS onde 93% dos exames para Covid-19 foram realizados, mas para isso seria necessário um grande investimento, o que não ocorre. Para Lúcia, vivemos uma tempestade perfeita com a pandemia de um lado e a completa inação do governo do outro, e ainda para piorar a situação a desorientação das autoridades públicas só confundem a população.

Quando se compara os efeitos da pandemia do Brasil com países como a China por exemplo, que tem dez vezes a população do Brasil e menos que 5000 mortos ou o Vietnã com 100 milhões de habitantes, cujo número de mortos é insignificante, a incompetência brasileira fica evidente, diz Lúcia.

A presidenta do Cebes conclui dizendo que as entidades de saúde brasileiras tem meios e capacidade para realizar um enfrentamento eficiente à pandemia de Covid-19, mas que são “bloqueados e impedidos” pelo governo federal, além disso a esperança de uma vacina para 2021 tem trazido uma falsa sensação de segurança que pode levar a população a baixar a guarda no momento errado.

Desde o começo da pandemia a classe dominante brasileira deu mostras de nada faria para enfrentar a pandemia como uma crise sanitária, já que sua única preocupação era com os efeitos econômicos desta crise. Assim, o conjunto das forças tradicionais da burguesia através de seus partidos políticos tradicionais como PSDB, DEM, NOVO, dentre outros e sua imprensa adotaram o discurso demagogo do “fique em casa”, use máscaras e lave as mãos. Por outro lado, o governo burguês fascista, menos habilidoso nas artimanhas da enganação, negou a doença e deixou claro que não haveria enfrentamento. Em ambos os casos a opção foi a mesma, nenhum esforço para salvar vidas, apenas discursos, demagogias e no caso de Bolsonaro, fanfarronice.

A esquerda brasileira, seus partidos e organizações sociais não tiveram uma compreensão clara deste cenário e boa parte se colocou a reboque da burguesia, abrindo mão de posições históricas da classe operária para tentar jogar no campo institucional um jogo viciado e fadado a derrota. O resultado é que o governo Bolsonaro não enfrenta oposição real e a população que não é especialista em política e nem tem obrigação de sê-lo, não se organiza para enfrentar o maior aliado do vírus, Bolsonaro. A prova dessa realidade é o resultado das eleições municipais, cujo grande vencedor foi a abstenção que chegou a 30%, além disso não houve a grande vitória que a esquerda esperava.

O Covid-19 segue matando o povo brasileiro diante da conivência criminosa da burguesia e da inatividade de uma esquerda domesticada e dominada por elementos pequeno-burgueses. É urgente a necessidade de mobilizar os trabalhadores contra as medidas neoliberais do governo Bolsonaro que irá devassar ainda mais o patrimônio nacional. Nesse sentido, ganha importância a campanha pelo reestabelecimento dos político de Lula, o único político de esquerda capaz de mobilizar amplas massas da população e fazer avançar a luta contra Bolsonaro, o neoliberalismo e pandemia.

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