Golpe no Oriente Médio
Novo primeiro-ministro promete cumprir política de reformas exigidas pelo imperialismo internacional, em especial, o francês
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Imperialismo se beneficia com a crise no Líbano | Imagem: reprodução

O golpe de estado subsequente à explosão ocorrida no Líbano há cerca de um mês permitiu que o imperialismo tenha um controle maior do sistema político no país. Prova disso é a eleição de Mustapha Adib para primeiro-ministro libanês, cargo ocupado após a renuncia de Hassan Diab, que não aguentou à pressão após à explosão e às manifestações infladas pelo imperialismo.

Mustapha Adib, novo primeiro-ministro, é um homem do sistema político imperialista. Além de ser ex-embaixador da Alemanha, principal país da União Europeia e responsável pela criminalização do Hezbollah em maio, o que já demonstra os tipos de ligações que possui, Adib foi praticamente escolhido por Emmanuel Macron para ocupar o cargo.

Elogiado desde o início da crise por sua atuação no Líbano, Macron pressiona o país por “reformas” políticas e administrativas, de acordo com o que é desejado pelo sistema financeiro internacional para saquear o Líbano. A própria extrema-direita -não está claro se a extrema-direita do Líbano ou algum outro setor- chegou a fazer um abaixo assinado pedindo para que Macron tomasse conta do país e transformasse o Líbano naquilo que havia sido há cerca de 100 anos, uma colônia francesa.

Antes de deixar a França para se dirigir ao Líbano pela segunda vez, nesse dia 31 de agoto, Macron fez declarações pedindo para que as reformas já ditas fossem feitas e, logo após ser eleito o novo primeiro-ministro, Mustapha Adib declarou que essas reformas serão realizadas.

Está claro que tudo se trata de um golpe de estado no Líbano para saquear o país e aumentar a ingerência imperialista na região, que vem em uma crise enorme por conta de sua política na Síria, no Iraque, no Afeganistão, em Israel no Irã e em outros.

O golpe é, mais precisamente, dado contra o Hezbollah, principal partido do país e o partido mais armado de todo o mundo. O próprio Hezbollah tem um exército que é parte considerável da defesa libanesa e se alia à Síria, ao Irã e contra Israel, pela libertação da Palestina.

Durante as eleições de Adib, o Hezbollah se viu obrigado a votar no candidato preferencial de Macron, por conta da maneira como o pacto político é feito no país, garantindo o lugar de presidente a um cristão maronita, o de chefe do parlamento a um muçulmano xiita e o posto de primeiro-ministro a um muçulmano sunita.

Como as forças do Hezbollah são majoritariamente xiitas, apesar de ter simpatizantes dentre os cristãos maronitas e dos sunitas, o Hezbollah teve de votar dentre uma das opções apresentadas, se negando a votar em Nawaf Salam, apresentado pelo partido Forças Libanesas como sendo o melhor ao cargo. Apesar de fortemente armado e de se tratar de uma força política revolucionária, o Hezbollah não é um partido operário, mas sim, nacionalista burguês, o que dificulta sua atuação no momento de propor um rompimento com a ordem instituída, o que pode explicar os 12 votos de seus parlamentares em Diab, que ganhou com 90 dos 120 votos.

Sobre a reforma política e econômica proposta por Macron, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse que aceitará negociar um novo pacto político desde que não haja influências estrangeiras, o que é difícil, pois o próprio pacto foi proposto por uma das principais potências imperialistas do mundo.

O golpe no Líbano, no entanto, não deve ser entendido como obra pura dos franceses. O imperialismo em seu conjunto se articulou para tomar o controle do país e deve no próximo período intensificar a pressão contra o Hezbollah, fiel da balança do Oriente Médio. A pressão contra o partido não é de hoje e vinha se intensificando em 2020, como já dito sobre a criminalização do partido na Alemanha e em outros países.

O próprio Hezbollah, no entanto, pode tender a não aceitar a ingerência imperialista. Desde antes da explosão no porto o partido se prepara para uma retaliação contra Israel, que assassinou um de seus militantes no aeroporto de Damasco, na Síria

Cada vez mais elementos se somam para colocar uma dúvida sobre a explosão acidental no porto de Beirut. Além da perseguição ao Hezbollah e a necessidade do imperialismo de levar a política de terra arrasada contra os libaneses, o Líbano é praticamente o único parceiro econômico da Síria, sendo que o porto de Beirut era a principal entrada de produtos para os dois países. A ofensiva contra o Irã e contra a Palestina também demonstram a necessidade imperialista de causar uma tragédia como essa para mudar a configuração política do país, o que não seria nenhuma novidade visto todos os crimes cometidos pelo imperialismo ao longo da história.

 

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