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Aliança Pelo Brasil
Novo partido de Bolsonaro indica mais polarização no próximo período
Presidente golpista marca um deslocamento à direita com criação de novo partido, fenômeno mais relevante que a crise com o PSL
O presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa ao sair do Palácio da Alvorada
Aliança Pelo Brasil
Novo partido de Bolsonaro indica mais polarização no próximo período
Presidente golpista marca um deslocamento à direita com criação de novo partido, fenômeno mais relevante que a crise com o PSL
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa ao sair do Palácio da Alvorada
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Semana passada o golpista ilegítimo Jair Bolsonaro apresentou seu novo partido, a Aliança Pelo Brasil. Trata-se de uma depuração em relação ao PSL, legenda de aluguel utilizada às pressas no último minuto por Bolsonaro para participar das eleições. O novo partido reúne os elementos mais identificados com a extrema-direita e mais radicais em sua oposição à classe trabalhadora. O nome do partido e seus símbolos representam mais definidamente uma extrema-direita de tipo fascista.

Marcando o deslocamento à direita de Bolsonaro, o golpista apresentou durante o evento de lançamento do partido um Projeto de Lei de excludente de ilicitude para os agentes da repressão durante operações de Garantia da Lei e da Ordem, que significa permissão para matar para militares e policiais durante esse tipo de operação. Considerando declarações anteriores do governo, tudo indica que esse tipo de operação poderá ser usado contra protestos populares.

 

Polarização

Mais importante do que a crise do PSL nesse caso, é a depuração dentro do bolsonarismo para corresponder a um deslocamento à direita frente à polarização na sociedade brasileira. Com o lançamento desse partido, Bolsonaro está dando um sinal para sua base de que não fará uma política mais moderada nesse momento. Desloca-se à direita para manter como liderança diante dessa base e para mantê-la mobilizada em defesa de seu governo.

 

Lula

Na mesma semana do lançamento do partido de Bolsonaro, Lula participou do Congresso do PT saudando as manifestações que acontecem no Chile  e na Bolívia, e que aconteceram no Equador. Enquanto outras lideranças de esquerda hesitam em apoiar claramente o movimento que explodiu nas ruas contra o neoliberalismo na América Latina, Lula já saúda isso como um dado positivo, indicando como política apoiar um movimento parecido quando ele acontecer no Brasil. Essa é a política oposta à de Bolsonaro, que promete reprimir brutalmente protestos desse tipo. Essa situação coloca um embate no próximo período, expressão desse ambiente polarizado.

 

E agora?

Da parte do PT, e talvez também do bolsonarismo em alguma medida, por enquanto a tentativa seria de canalizar essa polarização para as eleições. Porém, não se sabe se essas forças poderiam controlar o processo político que está em andamento, que leva à polarização. Conforme as massas se deslocam à esquerda e entram em movimento contra as políticas neoliberais, a direita se desloca mais à direita e prepara a repressão do movimento. É nisso que consiste a polarização, que os políticos tradicionais do regime, por razões compreensíveis, tentam evitar.

Da parte das organizações dos trabalhadores, é preciso estar atento ao desenvolvimento dessa polarização, e se preparar para as suas consequências, seu potencial de mobilização contra a direita golpista, e o problema da repressão que se colocará. É preciso alertar e preparar os trabalhadores para o caráter do embate que se aproxima, com mobilizações intensas e com repressão intensa. Os exemplos dos países vizinhos mostram a falta que está fazendo uma política clara de saída para a crise, que tem que passar pelo fim dos governos de direita. No Brasil, é necessário repetir a palavra de ordem que já tomou conta das ruas: Fora Bolsonaro!