Monopólio na música
Novas plataformas de streaming vem se estabelecendo como a principal via para consumo de música no mundo, mas elas não consegue romper totalmente o domínio dos monopólios
musica_vilolao
Funambulista-SeñoritaR&R-29 | Foto por Ray García
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Com o surgimento de um novo negócio, a venda de música pela internet pelas plataformas de streaming tornou- se a principal forma de consumo de música. Nesse movimento, onde as músicas antigas que são tão consumidas quanto às atuais, tem impulsionado uma nova tendência entre compositores de hits. Nos últimos meses, uma série de artistas ao redor do mundo anunciaram que concederam parte ou a totalidade do copyright de suas músicas para empresas.

O negócio funciona assim: Essas empresas adquirem os direitos de obra, a composição e do fonograma, a música gravada, por determinados períodos de tempo. As canções rendem quando tocadas no streaming, em programas, no rádio e na TV, com o dinheiro arrecadado e distribuído pelo Ecad. De qualquer maneira, por mais que sejam oferecidas melhores oportunidades para os novos artistas, essa nova forma de venda pela internet, não consegue romper totalmente o domínio dos monopólios.

Por mais que Arthur Farache, CEO da empresa Hurst Capital, plataforma brasileira de investimentos em ativos alternativos, diga: “É um negócio resiliente. Arrecadação depende de quantas vezes a música é ouvida. Isso não depende da Bolsa. Se tiver um problema, ou aumentar ou abaixar a taxa de juros, ou o Trump brigando com a China, não interessa. As pessoas continuam ouvindo música ”. Isso na verdade é controverso, pois acaba que os mais ouvidos são os que sempre tiveram tal exposição.

Para artistas mais antigos, que estão para se aposentar, a venda de royalties pode fazer com que as obras rendam ainda mais para o futuro.Um levantamento do Ecad, órgão responsável pela arrecadação de direitos autorais no país, mostra que, só no Spotify, diversas músicas antigas estão entre as que mais renderam direitos. Faixas como ”Sweet Child O ‘Mine”, hit de 1987 do Guns N’ Roses, e “Insubstituível”, que Beyoncé lançou em 2009, são exemplos. E no Brasil, além do Jota Quest, a lista está cheia de canções de Legião Urbana e Charlie Brown Jr., bandas que já nem existem mais.

Vê-se então que mesmo que a internet abre espaço para muitos artistas, os monopólios ainda dominam o que é produzido e consumido no mundo capitalista. Por mais que as plataformas online ofereçam mais facilidades para os artistas lançarem suas músicas, isso não significa que o público tenha interesse de ouvir todas elas. Os músicos menores protestam contra os pagamentos, que consideram baixos e também criticam o modelo, acusando-o de distribuir receitas injustamente e priorizar os mais famosos.

O sistema aplicado, tanto na música, quanto na arte e também em qualquer outro setor, é um sistema de monopólio, onde prevalece uma indústria cultural, onde apenas uma pequena porcentagem é privilegiada e onde uma maioria esmagadora da população, nesse caso os pequenos artistas, são oprimidos, privados de seus direitos de lucrar com aquilo que produzem, dando os direitos autorais a apenas aos que dominam essa indústria.

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