“Novo” ministério de presidente francês é uma faixada para esconder um estado repressivo

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Após uma intensa crise vivida pelo governo francês, em que o ministro do interior, Édouard Collomb, pediu demissão do governo de Emmanuel Macron, Emmanuel Macron, presidente do país, finalmente conseguiu recompor os seus ministérios, um processo que ficou denominado de “remodelação”. A demissão do ministro do interior refletiu a profunda crise em que se encontra o regime francês, onde o presidente colocado artificialmente no poder é altamente impopular junto à população, que já realizou diversas greves e manifestações contra a manutenção da política dos governos anteriores, de sucateamento dos serviços públicos e das condições de vida da população.

Antes de comentar a essência dos novos ministérios de Macron, é preciso explicar que o presidente francês faz parte de um partido político criado por uma manobra do imperialismo para apresentar um elemento político tradicional da política francesa como “novo”. Em Marcha! é uma junção dos dois tradicionais partidos políticos da burguesia, os Republicanos e os Socialistas, que por conta da política de ataques aos trabalhadores estão vivendo uma das maiores crises da história. Portanto, para barrar o avanço da extrema-direita e manobrar na situação política criaram este partido e colocaram como presidente da república um elemento profundamente alinhado com os governos anteriores, que não se envergonhou de adotar a política deles, e por isso está totalmente impopular.

A “remodelação” dos ministérios foram uma tentativa de reviver o governo, de tirá-lo das cinzas. A imprensa burguesa tem anunciado as coisas como se o “novo” governo Macron fosse totalmente diferente, mais moderno e democrático, uma coisa difícil de convencer com um governo que despeja imigrantes na fronteira do país e reprime brutalmente todas as manifestações da população francesa. A nova composição de 34 ministérios, na qual metade dos cargos são de mulheres, revelando a demagogia do imperialismo, não demonstra nada de novo, ao contrário do que dizem. Os partidos componentes dos ministérios são os mesmos partidos que defendem a política de ataque à população, os Socialistas, Republicanos, Democratas e os setores do partido de Macron.

Mas o que é mais chocante é que, na verdade, o cargo principal que gerou toda a crise, o ministério do interior, ficou ainda mais reacionário. A burguesia procura esconder tudo por meio do novo ministro, Christophe Castaner, um socialista que seria da ala esquerda do regime. Entretanto, o braço direito dele, o secretário de Estado, será ninguém menos de Laurent Nuñez, um político do setor mais direitista do regime burguês, pertencente aos órgãos de repressão do estado burguês, de onde geralmente se origina o fascismo.

O novo coordenador das ações da polícia e de inteligência tem um grande histórico nas atividades repressivas. Quando nos países bascos (na parte francesa), no cargo de subprefeito de Bayonne, se especializou a combater o “terrorismo” da ETA, um grupo nacionalista basco que luta legitimamente pela soberania de seu país, tanto da Espanha quanto da França. Depois, em 2012, ele virou diretor da gabinete de polícia da prefeitura de Paris, e em seguida, diretor de polícia em Marseille. Ou seja, foi diretor da repressão em duas das principais cidades francesas.

Mas não pára por aí; foi Diretor Geral da Segurança Interna (DGSI) da França na época em que o governo aumentava exponencialmente a repressão contra a população com o pretexto do combate ao “terrorismo”. Nesta época o país chegou a viver em Estado de Sítio. A burguesia apresenta seu histórico como que para dizer que se trata de um homem competente na área, e de fato é. Um homem especializado em reprimir a população francesa, coisa cada vez mais necessária para o governo Macron, que precisa enfrentar constantemente a população mobilizada e radicalizada nas ruas.