Ato rio de janeiro

Os coxinhatos ocorridos nesse último domingo em favor da Lava-Jato e do ministro Sérgio Moro fracassaram rotundamente por todo o País. O público presente foi tão pequeno, que até mesmo os meios de comunicação golpistas, apoiadores das manifestações da extrema-direita não se aventuram em inflar artificialmente os números diante da minúscula participação do público, que podia ser contados nos dedos em vários locais.

No principal ato ocorrido, na capital paulista, eram nítidas as divergências entre bolsonaristas. As críticas a Bolsonaro foi a tônica do discurso do empresário Rogério Chequer, organizador do ato e membro do Vem pra Rua: “Existem alguns políticos que a gente torce para que mudem o Brasil que estão caindo nesta roubada. Bolsonaro não pode continuar se aproximando de  Alcolumbre (presidente do Senado) e do Toffoli (presidente do Supremo Tribunal Federal)”. Na contra-mão do líder do Vem pra Rua, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), foi alvo de gritos “fora Zambelli” do alto de um carro de som. Ferrenha defensora de Bolsonaro, a deputada foi uma das articuladoras da expulsão do, também, deputado Alexandre Frota, o ator pornô, agora no PSDB, um outrora bolsonarista que se tornou desafeto do presidente.

No Rio de Janeiro, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) que se aventuraram em comparecer ao ato na orla da capital fluminense  foram novamente repudiados pelos bolsonaristas mais exaltados. O humorista Marcelo Madureira, um outro bolsonarista de primeira hora e hoje crítico do presidente, teve seu microfone cortado após declarar em discurso  “Não tenho medo de vaias. Votei no Bolsonaro e vou criticar todas as vezes que for necessário. Como justificar uma aliança do Jair Bolsonaro com o Gilmar”. O resultado é que a polícia teve que escoltar o comediante para evitar que fosse agredido por bolsonaristas enfurecidos.

O fiasco dos atos convocados pela extrema-direita e ao mesmo tempo o clima “beligerante” que se manifestou em São Paulo e no Rio de Janeiro, são sintomáticos da crise que atinge a base bolsonarista.

A crise na base bolosnarista expressa o conjunto da crise política que atinge o País. A polarização crescente que necessariamente desloca o conjunto dos explorados à esquerda, produz um fenômeno parecido entre setor absolutamente minoritária que é a extrema-direita.

Significa, ainda, que o presidente fascista está perdendo uma parcela da sua própria base de apoio. Essa questão é muito importante do ponto de vista da situação política, porque Bolsonaro foi a saída encontrada pelo regime político golpista diante da decomposição de todos os partidos da direita (Centrão).

Também, de um ponto de vista da situação política, esse quadro é absolutamente favorável à esquerda. O problema está em que uma parcela da esquerda transformou-se na correia de transmissão do Centrão, leia-se do regime político golpista – na busca por uma condição de “segurar’ Bolsonaro e apontar as eleições de 2020 e 2022, como a saída para derrotar a extrema-direita.

A hora é de acentuar a derrocada da extrema-direita e do golpe de Estado no País. O barco faz água por várias rachaduras. O papel da esquerda não é de ficar tirando a água do barco, mas de justamente levá-lo a pique.