Genocidio da juventude
A burguesia avança em seu projeto de reabertura do comércio atacando, dessa vez, os estudantes. Segundo levantamento, serão cerca de 6,4 milhões de alunos à mercê do coronavírus.
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Manifestações dos estuantes secundaristas em 2012 contra o sucateamento da educação. | Foto: Reprodução.

Segundo um levantamento realizado pelo Metrópole, ao menos nove estados e o Distrito Federal divulgaram o calendário para o retorno presencial às escolas entre o fim de julho e o início de setembro. Isso representaria a volta às aulas presenciais de cerca de 6,4 milhões de estudantes em meio à maior pandemia que o mundo viu no último século.

O retorno presencial será, supostamente, feito de uma forma comedida e segura. Será disponibilizado álcool em gel, máscaras e luvas para os estudantes, professores e alunos. Ademais, será feita com um número menor de alunos, sem contar na aberração do esquema de aulas híbridas.

Segue, abaixo, uma relação com a data de retorno das aulas presenciais de alguns estados e do DF:

  • Maranhão – 10 de agosto
  • Rondônia –  agosto (data a definir)
  • Tocantins – setembro (data a definir)
  • Rio Grande do Norte – 17 de agosto
  • Distrito Federal – 31 de agosto
  • Acre – 8 de setembro
  • Santa Catarina – 8 de setembro
  • São Paulo – 8 de setembro
  • Piauí-  22 de setembro.
  • Paraná – setembro (data a definir)

 

A medida imposta por diversos governos estaduais e pelo próprio governo federal representa o verdadeiro genocídio da população e, mais especificamente, da juventude. Afinal de contas, a Fiocruz, instituição de grande renome no combate contra o coronavírus no Brasil, já se colocou completamente contrária ao projeto divulgado nas últimas semanas. O órgão afirma que a volta às aulas ameaça 9,3 milhões de pessoas, entre idosos e adultos maiores de 18 anos que pertencem a grupos de risco da Covid-19, já que estes vivem nas mesmas casas que crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos.

Acima de tudo, devemos entender que a reabertura das escolas e o EAD – artifício para impedir o cancelamento do ano letivo e facilitar a volta às aulas – são peças do quebra-cabeça que a burguesia tem montado durante a pandemia do coronavírus. É a faceta do plano de reabertura generalizada do comércio aplicado à educação brasileira no sentido de que, com os filhos nas ruas, os pais também  serão obrigado a volta para seus trabalhos. Sem contar na quantidade de dinheiro movimentada pela juventude durante o ano letivo, algo que faz falta no bolso infinito dos grandes capitalistas.

Nesse sentido, permitir que o projeto da burguesia se concretize é dar carta-branca para a morte generalizada da juventude. Por isso que não podemos ficar parados, não num momento como esse. Agora é hora de nos mobilizarmos para pôr um fim ao governo genocida de Jair Bolsonaro e de seus lacaios golpistas.

Para tal, é preciso pressionar as organizações estudantis, que já estão cumprindo o papel de desmobilização. Assim, os estudantes precisam se organizar em comitês de luta estudantil, visando defender seus próprios interesses.

A reivindicação principal do momento deve ser a suspensão do calendário acadêmico para impedir o assassinato em massa da população brasileira. Acima disso, por ser a mais afetada por qualquer decisão vindoura de cima de burocracia, é ela que deve organizar o calendário e decidir quando as atividades retornarão. Caso contrário, o resultado é claro: a reabertura generalizada das escolas.

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