O desastre da privatização
Após 16 dias desde o primeiro apagão, população do Amapá sofreu com mais um apagão na última terça-feira (17), na tentativa de reestabelecer a energia elétrica do estado
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2020-11-12 imagem do dia protesto amapa
População saiu às ruas pelo verdadeiro descaso do governo diante do apagão | Foto: Reprodução

A população do Estado do Amapá vive há 16 dias um verdadeiro drama devido à política criminosa dos capitalista, o descaso do Estado e a irresponsabilidade daqueles que administram um dos serviços básicos a população, que é a energia elétrica. Desde  o último dia 3, os amapaenses estão num completo apagão, seja ele nas lâmpadas e eletrodomésticos, seja ele de informações e amparo do governo. São 16 dias desde o incêndio em uma subestação da Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), em que foram danificados 2 de 3 transformadores responsáveis pela distribuição da energia elétrica em 13 das 16 cidades do estado, atingindo assim mais de 730 mil pessoas.

Vale ressaltarmos que destes três transformadores, um já estava danificado há quase um ano, e somente agora, depois da tragédia, é que a empresa privada responsável providenciou o reparo, que pode demorar muito tempo, afinal o equipamento em questão pesa aproximadamente 200 toneladas e deverá ser desmontado e enviado ao fabricante em Santa Catarina para que seja consertado, isso sem contar o difícil acesso ao estado do Amapá, que é feito através de balsas.

Enquanto a solução não chega aos amapaenses, os trabalhadores vivem momentos de completo abandono do Estado. Além da falta de energia, há também a falta de água, de combustível, alimentos, ou alimentos sendo estragados pela falta de refrigeração, gás de cozinha, além da falta de comunicação entre tantos outros serviços que dependem da energia elétrica, e apesar de governos tentarem criar um clima de normalidade, devemos lembrar que a população do Amapá vive esse verdadeiro pesadelo dentro de outra situação crítica, afinal ainda estamos passando pela pandemia do Coronavírus no país. Isso sem falarmos também na forte repressão a revolta da população nos diversos protestos feitos pelos moradores devido ao seu abandono, principalmente na capital do estado Macapá, onde balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo foram usadas contra a população, além da perseguição aos moradores que organizaram as manifestações.

A demora em resolver o problema não está na dificuldade do acesso ao estado, ou falta de recursos, está na falta de interesse do governo Bolsonaro e todos os golpistas que gerem o país em resolver os problemas da população, além da situação ser decorrente de outra política que apenas prejudica os trabalhadores, que são as privatizações e concessões.

A energia elétrica do Amapá é uma “parceria” público privada que começou entre a empresa espanhola Isolux e a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), uma autarquia do governo federal. Em 2019 a Isolux, após três anos de tentativas de se “livrar” do serviço conseguiu vender suas ações para a empresa Gemini Energy, alegando falência na Espanha. A Gemini Energy é controlada por um fundo de investimentos dedicado a dificuldades financeiras chamado Starboard Asset, e corresponde a 85,04% da Linhas de Macapá Transmissora de Energia, enquanto a SUDAM é responsável por 14,96%.

O caos já era previsto pela empresa, mas nada foi feito para a prevenção ou até mesmo a redução de danos caso acontecesse, pois em abril deste ano, em ofício mandado à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) a LMTE avisou que a pandemia poderia afetar obras em andamento e a prestação de serviços que estão sob responsabilidade da empresa, além de ter demonstrado preocupação com possíveis efeitos e até mesmo penalidades decorrentes de eventos “inevitáveis” e que causassem falhas ou atraso para o abastecimento da população, ou seja, antes mesmo do caos ser instaurado, já havia um pedido de desculpas, mas a solução não foi em nenhum momento pensada, nem mesmo em questão do transformador que já se encontrava danificado e nenhuma providência efetiva para o conserto foi tomada, o que evitaria que o estrago do apagão fosse de tamanhas proporções como foram. Inclusive, segundo relatos de moradores, a falta de energia já era algo recorrente nos bairros periféricos de Macapá antes mesmo do apagão, onde pelo menos 30 minutos por semana os moradores ficavam sem energia elétrica em suas casas.

Hoje, o Amapá ainda não conseguiu reestabelecer completamente a sua energia elétrica, e a população está sendo abastecida pelo sistema de rodízio, e o descaso e incompetência das autoridades são tão grandes que na noite da última terça-feira (17) houve mais um apagão no estado nas regiões que estavam sendo abastecidas, onde desta vez a desculpa usada foi um curto circuito no único transformador que estaria dando conta de atender todo o estado que se encontra às escuras.

O caso do apagão do Amapá é uma verdadeira demonstração de como a privatização e as administrações desastrosas da extrema direita e da direita “moderada” são completamente nocivas a população. Jair Bolsonaro fez pouco caso do ocorrido e o ministério de Minas e Energia até agora não apresentou nenhuma solução consistente para a população, e isso não acontece por acaso, tudo isso faz parte da política do governo em privatizar aquilo que é público em detrimento da qualidade de vida dos trabalhadores.

É importante lembrar também que o presidente do senado, Davi Alcolumbre, do partido do centrão DEM, e eleito pelo estado, tratou a situação como uma “fatalidade”, mas sabemos que mesmo após o aviso, nem ele, nem a ANEEL, nem o ministério de Minas e Energia, muito menos Jair Bolsonaro pensaram no que poderia acontecer com um estado inteiro que é abastecido com apenas três transformadores e um com defeito em meio a uma pandemia, tudo foi deixado de lado e até agora ninguém consegue dar explicações concretas a população muito menos apresentar soluções precisas e principalmente que sejam rápidas.

Outro aspecto que deve ser destacado é que enquanto o estado do Amapá amarga as conseqüências de uma má administração privada de seus serviços, o governo Bolsonaro, em especial o ministro sangue suga da Economia Paulo Guedes pretende em 2021 privatizar a Eletrobrás, a companhia de energia elétrica estatal do Brasil, abrindo brechas para que o país todo possa se tornar um grande Amapá quando se trata de energia.

Neste sentido, é imprescindível a mobilização dos trabalhadores contra o governo Bolsonaro, as privatizações, pela estatização de todo o sistema de energia, e contra todos aqueles que fecham os olhos para os problemas dos trabalhadores todos os dias, colocando suas vidas em risco, reprimindo a sua revolta e beneficiando apenas a burguesia e o grande capital estrangeiro.

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