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Bloco Vermelho conquistou as ruas do Rio de Janeiro

Como uma marionete

Novamente, Boulos presta serviço à burguesia contra mobilizações

Por que trocar a esquerda pela “oposição” e o Fora Bolsonaro pelo “impeachment”? Para arruinar o movimento

De maneira oportunista, tenta jogar o movimento das ruas nas mãos da “oposição” (leia-se direita) – Foto: Ricardo Moraes

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Em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, Guilherme Boulos voltou a mostrar serviço para a burguesia e a direita golpista.

Seu papel é impor “pela esquerda” a política da burguesia sobre os gigantescos atos de rua, que hoje são uma realidade graças à pressão das bases operárias e populares sobre as direções burocráticas e oportunistas da esquerda – incluindo o próprio Boulos.

Logo no primeiro parágrafo de seu artigo, o político do PSOL afirma: “as manifestações do último sábado consolidaram a retomada das ruas pela oposição (grifo nosso).” Ou seja, não se trata de manifestações da esquerda, mas sim da oposição

O termo é escolhido a dedo para despolitizar ao máximo a mobilização.

Afinal, a direita golpista, o chamado centrão, também se diz oposição. É, assim, uma senha enviada por Boulos para que a direita golpista participe e tome conta das manifestações.

Boulos tem se especializado nisso. Foi ele quem desmobilizou os atos de rua que começavam a tomar corpo na metade do ano passado, quando militantes de esquerda e torcidas organizadas iniciavam o rompimento da política do “fique em casa” para tomar a Avenida Paulista contra as manifestações bolsonaristas. Naquela altura, Boulos correu para conter o movimento de enfrentamento à extrema-direita e fez um acordo com a PM e com o governo Doria para “dividir” a avenida: em uma semana a esquerda faria seu ato, na outra seriam os bolsonaristas. No final das contas, os bolsonaristas fizeram seus atos nos dias combinados com Boulos, mas este tratou de sumir com a esquerda das ruas no dia que deveria fazer seus atos. Não fosse o PCO, os Comitês de Luta e companheiros da base do PT, os bolsonaristas teriam ficado livres para pedir a intervenção militar, graças ao acordo de Boulos.

Sua política de “as ruas são da oposição” é guiada pelo PSDB através da famigerada frente ampla. Por que não dar nome aos bois? Afinal, mesmo que a direita golpista como PSDB, DEM e MDB se digam opositores, eles não estão nas ruas. Nem poderiam, pois não têm o menor apoio popular. Não conseguem levar ninguém a uma manifestação. Por que Boulos não fala, então, que as ruas são da esquerda?

Porque ele não quer que as ruas sejam da esquerda. Da mesma forma que fez em 2020, procura fazê-lo novamente agora. Ele mesmo o reconheceu, quando comparou o movimento pelo Fora Bolsonaro com a campanha pelas Diretas Já: quer que seja um movimento “de todos”, da “oposição”, não da esquerda e dos trabalhadores. Um movimento da classe média, das bandeiras verde e amarelas. Quer canalizar o movimento das ruas para as instituições, exatamente como foram as Diretas. E qual foi seu destino? O acordo entre a ditadura e a “oposição” para acabar com as gigantescas mobilizações de massas que inevitavelmente derrubariam o regime inteiro e que tinham um potencial revolucionário. O resultado: José Sarney, depois Fernando Collor, depois Fernando Henrique Cardoso. E hoje voltamos a viver sob um regime golpista comandado pela extrema-direita.

Boulos segue perfeitamente a linha da burguesia. Está em campanha para que os atos de rua não sejam da esquerda, como a imprensa golpista (a exemplo da Veja e do Estadão) vem publicando. Para que sejam da “oposição”, da mesma forma que escreve Boulos. A campanha da burguesia é levar a “oposição”, isto é, a direita, aos atos, para infiltrá-los e sabotá-los. Para destruí-los por dentro. E Boulos é uma marionete utilizada pela burguesia para fazer isso com um discurso pseudoesquerdista.

A coluna do cacique do PSOL na Folha poderia ter sido escrita por qualquer um dos outros articulistas pagos pelo jornal golpista. Diz, pouco depois, que “o foco das ruas tem sido o impeachment de Bolsonaro”. Mais uma manipulação para desviar a indignação popular das ruas para as instituições, como no modelo inspirador de Boulos, as Diretas.

Neste sentido, o ex-candidato a prefeito de São Paulo, aplaudido pela burguesia, vai “coincidentemente” ao encontro de outro colunista do jornalismo burguês: Merval Pereira, de O Globo. Em artigo publicado no último domingo (20), o porta-voz da família Marinho pede agilidade na condução do processo de impeachment de Bolsonaro por parte do Congresso Nacional. Pois isso é justamente o que quer a burguesia: tirar a luta das ruas, onde quem manda é o povo, e enviá-la para as instituições golpistas, como o Congresso, conhecido por todos historicamente como uma espécie de Alcatraz da política, lar dos maiores bandidos políticos do país. Dominado pela direita golpista e, neste momento, pelo próprio Bolsonaro!

Por que a burguesia quer levar a luta para as instituições, por meio do impeachment? Ora, porque ela sabe que assim poderia tirar Bolsonaro mantendo o regime golpista totalmente intacto. Mas ela sabe também que isso já seria difícil, devido ao Congresso ter sido comprado por Bolsonaro e, mesmo que o pedido de impeachment seja votado, poderia ser derrotado. Mas tudo bem, para a burguesia. Quem ela quer derrotar não é Bolsonaro, mas sim a mobilização popular. A luta, sendo canalizada para as instituições, engessaria as massas, que não teriam mais um papel ativo, e sim passivo: agora o destino do país estaria nas mãos dos “iluminados” parlamentares. Por que será que Boulos elogia tanto as Diretas? Pois foi assim que elas foram derrotadas. Por que elogia tanto o processo constituinte chileno de hoje? Porque o caminho foi exatamente o mesmo: o povo estava prestes a arrancar Piñera do poder e colocar abaixo todo o regime dominado pela burguesia, mas a esquerda pequeno-burguesa e Boulos correram para salvar seus amigos da “oposição”, armar uma constituinte e eleger deputados para manter as coisas mais ou menos como estão.

Ao contrário do que diz Boulos, o foco das ruas não é o impeachment. Os operários da base da CUT não gritam “impeachment já”, os sem-terra não gritam “impeachment nele”, os estudantes não gritam “instituições, derrubem Bolsonaro”. As ruas gritam, em alto e bom som, “Fora Bolsonaro”. O povo quer derrubar Bolsonaro nas ruas. Porque se não for nas ruas, não será o povo que o estará derrubando. Será a “oposição” amiga de Boulos: PSDB, DEM, MDB, Rede Globo, Folha de S.Paulo. E o movimento estará arruinado.

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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