Mais um ataque à ciência
Governo Bolsonaro ataca novamente a pesquisa científica brasileira em meio à pandemia da Covid-19
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Emblema da CAPES | Imagem: Reprodução

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) suspendeu todas as bolsas internacionais de pós-graduação sob a justificativa de alta da moeda estrangeira e de readequação em razão da Covid-19. Este ataque ocorre em meio à pandemia da Covid-19, problema que só pode ser resolvido por meios técnico-científicos.

Esse é mais um capítulo do verdadeiro circo dos horrores que se instalou na ciência brasileira desde o golpe de 2016, profundamente agravado pela eleição fraudulenta de Jair Bolsonaro. Não é novidade para ninguém que acompanhe a atuação do governo Bolsonaro o profundo desprezo pela educação de forma geral, e pela ciência de modo particular por parte desse governo.

Com a “reforma ministerial” do início do governo Bolsonaro, o Ministério da Ciência e Tecnologia foi fundido com o Ministério das Comunicações, num claro rebaixamento da política científica no país. O astronauta tenente-coronel da Força Aérea Brasileira (FAB) Marcos Pontes foi encarregado de comandar a pasta. Desde então, uma série de barbaridades tem ocorrido na comunidade científica brasileira.

O presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, foi exonerado em julho de 2019 após se opor ao corte de 50% do orçamento da instituição. Em agosto do mesmo ano, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável, entre outras atribuições, por monitorar o desmatamento na Amazônia, o então diretor Ricardo Galvão foi exonerado após a divulgação de dados indicando um grande aumento dos focos de incêndio na Amazônia. Isso para citar apenas dois escândalos na área.

No Ministério da Educação, os desenvolvimentos foram ainda piores sob o governo Bolsonaro. No início de 2019, Jair Bolsonaro nomeou Ricardo Vélez Rodríguez para o cargo de ministro. O ministro foi pródigo em declarações como as de que “o brasileiro no exterior se comporta como um canibal e rouba coisas dos hotéis”, “não existe universidade para todos”, “não houve golpe militar em 1964”, além de tentar obrigar todos os alunos do país a declamar matinalmente o slogan de campanha de Bolsonaro “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Após a demissão de Vélez, em abril de 2019, Abraham Weintraub foi nomeado para o cargo. Uma de suas primeiras medidas foi cortar 30% do orçamento das universidades federais de todo o país, alegando que “universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”. Esses cortes geraram uma imensa mobilização estudantil em maio de 2019. Defensor da “escola sem partido”, Weintraub disse que “filmar professores é um direito dos alunos em sala de aula, e que isso é liberdade individual de cada um”. Afirmou também que as universidades federais são “madraças islâmicas” onde há “plantações de maconha” e “produção de metanfetaminas”, entre muitas outras loucuras.

Nesse contexto, a CAPES, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), já vinha cometendo ataques duríssimos contra a pesquisa nacional. Em 2019, a CAPES anunciou o cancelamento de 6.198 bolsas no primeiro semestre e 5.613 no segundo. Em agosto de 2019, o então ministro da educação, Abraham Weintraub anunciou o cancelamento das bolsas de mestrado para as áreas de ciências humanas. No início de 2020, Bolsonaro nomeou um criacionista para dirigir a CAPES, causando indignação na comunidade científica brasileira.

Em meio à pandemia de Covid-19, quando o governo deveria aumentar o financiamento às instituições científicas da área de saúde, como a Fiocruz e o Instituto Butantã, o que vemos é justamente o contrário. Causou grande perplexidade na comunidade científica o corte de bolsas de doutorado nas áreas de virologia e imunologia justamente em março de 2020, início da pandemia no Brasil. Agora, a CAPES corta bolsas de brasileiros que desenvolvem pesquisas no exterior.

Com tudo isso, a situação não poderia estar mais clara. Sob o governo Bolsonaro, a educação e ciência brasileiras sofrem um implacável ataque, que tem como objetivo a destruição do Sistema Brasileiro de Ciência e das universidades públicas. No contexto da pandemia da Covid-19, a atuação do governo tem sido no sentido de dificultar ao máximo que haja uma resposta técnico-científica ao problema, inclusive destruindo o corpo técnico do Ministério da Saúde, substituindo-o por militares completamente ineptos.

Não há outro caminho para garantir a sobrevivência do povo brasileiro e do patrimônio técnico-científico do país que não o da luta política. “Ir às eleições” de modo algum é suficiente para frear e reverter o ataque duríssimo executado pelo bloco golpista contra o país. É necessário mobilizar o povo para ir às ruas, desenvolvendo uma ampla campanha “Fora Bolsonaro” que seja capaz de emparedar o regime político de conjunto. Contra o genocídio e a barbárie, às ruas!

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