Sem nenhuma proposta de luta
Burocracia sindical cria nova entidade a pretexto de se opor à desindustrilização, mas não apresenta uma única proposta de mobilização dos trabalhadores que dizem querer defender
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industriALL
Logomarca da nova organização que reune sindicalistas do setor industrial | Foto: Reprodução

Em live realizada na última terça (17), as direções da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical e se sindicatos de trabalhadores do setor industriaL filiados às duas entidades, lançaram uma nova organização, a IndustriALL-Brasil.

Com o objetivo declarado de defender a “reindustrialização no Brasil”, a entidade foi lançada com pompa e circunstância.

Os sindicalistas que a fundaram apresentaram que a ideia central seria fomentar e criar propostas e projetos de políticas para reindustrializar o Brasil, segundo eles, “à luz das demandas da classe trabalhadora, com garantia de inovação e tecnologia com trabalho de qualidade e decente“.

Isso partindo da constatação de que no anos 80 do século passado a indústria do  País era responsável por cerca de 33% do Produto Interno Bruto (PIB) e que hoje sua participação equivale a pouco mais de 11%.

O presidente nacional da Executiva Nacional da CUT, Sérgio Nobre, por exemplo, classificou a reproduçãoiniciativa como “um dia histórico” e considerou que

“o lançamento da IndustriALL-Brasil é um marco na organização dos trabalhadores e trabalhadoras na indústria para fortalecer o setor e a categoria”

Ele ainda acrescentou que

“A IndustriALL-Brasil nasce de uma união inédita e com objetivos de recuperar e modernizar a indústria brasileira para os que constroem a riqueza do país, que são os trabalhadores e trabalhadoras”

 

Um acordo burocrático

Os dirigentes assinalaram que as entidades que se agregam na InsutriALL representarmos os 18 milhões de trabalhadores industriais, incluindo metalúrgicos, químicos, trabalhadores na construção civil, alimentação, energia e têxtil-vestuário, entre outros, vinculados à CUT e à Força Sindical.

A entidade, surge como um resultado de um acordo burocrático entre sindicalistas das duas centrais e nada tem a ver com uma luta real pela defesa dos interesses dos trabalhadores. Esses sequer aparecem nos discursos de lançamento;amento da entidade no qual se fala apenas de “diálogo”, “apresentação de propostas etc. evidenciando-se que se procura disseminar a ilusão de que uma solução real para a classe operária possa ser encontrada sem uma luta contra os patrões e seus governos.

Sem qualquer discussão no movimento operário, a burocracia tratou de estabelecer um acordo no qual a única organização efetivamente representativa da luta dos trabalhadores brasileiros, a CUT, se junta com sindicalistas maviosas da Força Sindical (criada com apoio dos patrões da FIESP, justamente para combater a CUT) para uma acordo conjunta na qual a mobilização da classe operária não consta do mapa.

Por isso mesmo, a burocracia já tratou de dividir cargos e montar a entidade, antes de qualquer iniciativa real. Bem ao contrário do que se deu no processo de luta, por exemplo, de formação da própria CUT.

Além dos dirigentes de cada ramo da indústria, os presidentes nacionais da CUT e da Força terão assento na Direção Executiva da IndustriALL-Brasil. As duas centrais somam 5,7 mil sindicatos e entes associados, com 37,8 milhões de trabalhadores na base.

Evidenciando seu caráter burocrático, já na live de lançamento da IndustriALL-Brasil também foi apresentada a nova direção da entidade para o mandato 2020-2022.

 

Nenhuma luta

 

Como presidente da IndustriALL-Brasil foi empossado Aroaldo de Oliveira, ligado ao Sindicatos dos Metalúrgicos do ABC que em sua intervenção destacou que:CUT e Força formam entidade para defender a 'nova' indústria na economia brasileira - Pensar Piauí

“O país vive um desmonte da indústria brasileira e sem o carro chefe do desenvolvimento do país a gente já perdeu milhares de emprego, mesmo antes da pandemia. Em janeiro e fevereiro o saldo já era negativo por falta de uma política industrial e de desenvolvimento para o país. A gente já ocupou o novo lugar na indústria mundial e perdemos a importância, a gente precisa discutir muito a produção industrial para voltar a crescer”

Nem o presidente ne qualquer outro dirigente apresentou qualquer campanha de luta contra o desemprego, contra as demissões, pela redução da jornada, nada. Ele apenas disse que “vai ser preciso muito diálogo com os trabalhadores e com a sociedade sobre o que está acontecendo com a indústria nacional e da importância em investir no setor para o país e para os brasileiros”.

Campanha contra o mosquito será ampliada com novas parcerias - Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes
O presidente da Força ao lado do presidente da FIESP, Paulo Skaf

Em mensagem enviada, o presidente da Força Sindical, o arquipelelego Miguel Torres,  do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, assinalou que:

“A IndustriALL-Brasil nasce com grande representatividade, irá ampliar os debates para recuperação da indústria com fóruns, seminário nacional, internacional e criar um agenda de propostas para a indústria 4.0 e 5.0 impostos pela modernização. Precisaremos de uma política de transição para evitar o desemprego e de conhecimento para que todos possam integrar esta nova indústria com segurança”.

 

No momento em que o desemprego bate recordes e há um enorme retrocesso no País sob a vigência do governo golpista a nova entidade também nada fala da necessidade de pôr fim ao regime imposto pelo golpe de Estado, uma vez que CUT e Forca Sindical estiveram em lado opostos diante da ofensiva da direita para derrubar o governo Dilma Rousseff e impor o maior retrocesso para os trabalhadores da história do País. Os sindicalistas afilhados da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (FIESP estiveram ao do lado de Aécio Neves, Eduardo Cunha, Temer e Bolsonaro, pela derrubada do governo do PT o que permitiu que se impusesse os governos de destruição da economia nacional e do retrocesso na vida dos trabalhadores.

Como na Matemática, onde a soma de números positivos e negativos, resulta em um total menor do que o da parcela positiva, tal “unidade” da burocracia em uma entidade, sem participação dos trabalhadores, sem propostas de luta etc. nada tem a acrescentar para a classe operária e sua luta.

 

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