Fora Bolsonaro
Resistir ou derrubar Bolsonaro?
A saída não é se defender dos ataques de Bolsonaro sem propor uma saída a eles, é lançar mão de uma palavra de ordem que unifique todos os setores: Fora Bolsonaro!
faixa
Fora Bolsonaro
Resistir ou derrubar Bolsonaro?
A saída não é se defender dos ataques de Bolsonaro sem propor uma saída a eles, é lançar mão de uma palavra de ordem que unifique todos os setores: Fora Bolsonaro!
Faixa “Fora Bolsonaro” no Grito dos Excluídos. Foto: Diário Causa Operária.
faixa
Faixa “Fora Bolsonaro” no Grito dos Excluídos. Foto: Diário Causa Operária.

Nota política do PCO

Na atual situação política existem duas políticas na esquerda brasileira, a de defender a saída do governo Bolsonaro e a defender a sua domesticação. O setor revolucionário, operário, da esquerda brasileira, o nosso Partido, defende a primeira posição, o setor pequeno-burguês, reformista, defende o segundo.

Neste artigo iremos expor alguns dos muitos argumentos da esquerda pequeno-burguesa contra a derrubada do governo Bolsonaro, e contra a luta contra o golpe.

A primeira de todas as ideias, que foi apresentada claramente por Breno Altman no debate com o companheiro Rui Costa Pimenta na TV 247, é a de que o movimento operário nacional sofreu uma enorme derrota com o impeachment de Dilma Rousseff e portanto estaria numa situação em que a defensiva política é a única saída.

Esta argumentação é falsa em vários sentidos, o primeiro é que o movimento operário brasileiro sofreu uma derrota, no entanto, esta derrota não definiu o quadro político, muito pelo contrário, deixou-o ainda mais indefinido. A crise aberta pelo golpe de Estado não se encerrou com a queda de Dilma, ou ainda com as eleições de 2018, isso até os analistas burgueses reconhecem.

A segunda coisa que mostra que esse argumento é errado é o fato de que não foi imposta ao povo uma ditadura aberta, ou um regime de guerra contra a classe trabalhadora. De acordo com os analistas pequeno-burgueses teríamos sido derrotados de forma acachapante sem que o inimigo, a burguesia, tenha imposto um regime adequado a tal vitória.

Fica claro, ao ver o governo Bolsonaro, que eles querem impor uma ditadura, mas que enfrentam enormes dificuldades nisso, ou seja, o movimento está apto a enfrentar os ataques. Em suma, sobre este ponto, sofremos revezes, como a queda de Dilma, a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro, mas isso não definiu a luta, ela está sendo definida todos os dias no embate entre as classes.

Para comprovar esta tese, é preciso prestar atenção para a polarização. A polarização mostra que o centro político está se dissipando, mais ainda, ela mostra uma radicalização da massas populares. A polarização é sempre evitada pela burguesia, ela acontece quando setores populares começam a assumir uma postura cada vez mais à esquerda e isso força a direita a se radicalizar também. O que vemos no Brasil de hoje é esse fenômeno. O fato de que a polarização não tenha acabado, mostra que a luta está acirrando e, ainda mais, que a classe trabalhadora caminha para a esquerda.

Ao contrário do que pensam os intelectuais pequeno-burgueses, a polarização não é algo ruim, ela é positiva, pois aponta um acirramento da luta e um desenvolvimento da consciência dos trabalhadores, é preciso incentivar esta polarização e aprofundá-la, aprofundar as diferenças entre esquerda e direita, só assim poderá a classe ser mobilizada contra a burguesia para libertar Lula e derrubar Bolsonaro. 

Outra ideia que deriva da primeira é a ideia de que nós não precisaríamos de uma luta geral que unificasse todos os setores oprimidos contra o governo, mas de uma série de batalhas defensivas. Isso também têm se mostrado errado, principalmente com as recentes derrotas desta tática no caso da reforma da previdência. A verdade é que a medida em que travamos batalhas pontuais nós dividimos a classe trabalhadora, num momento em que não há movimentos locais, apenas movimentos gerais. Enquanto que se lançarmos mão da luta política contra Bolsonaro, pela sua derrubada, uniremos todos os setores que estão sendo atacados em uma só luta, formando um enorme bloco popular contra a burguesia, tornando a nossa posição mais forte.

Isso têm sido uma posição instintiva das massas, pois mesmo os protestos convocados sob o pretexto de defender a educação, se tornaram comícios pela saída de Bolsonaro. 

A saída não é se defender dos ataques de Bolsonaro sem propor uma saída a eles, é lançar mão de uma palavra de ordem que unifique todos os setores, que organize a luta e que dê uma perspectiva de vitória, tão necessária num momento como esse, é preciso lançar mão da palavra de ordem de Fora Bolsonaro, Eleições Gerais e Liberdade para Lula.