Paraná
Diretoria emitiu nota extraoficial contra o uso dos símbolos do Athletico Paranaense e atividades políticas
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Militante do CAP-Antifascista em ato | Foto: Diário Causa Operária

No dia 28 de junho de 2020, o CAP ANTIFA, movimento de torcedores criado com o objetivo de lutar em defesa da democracia, recebeu com surpresa e incredulidade uma notificação extrajudicial do Clube Athletico Paranaense, assinada por seus advogados. A nota exige a imediata “retirada de todas as publicações que façam referência às marcas do Notificante”, sob a alegação de que as “manifestações e publicações realizadas têm potencial de abalar severamente a integridade e a reputação da marca do clube”.

Qual é a pessoa, instituição ou clube que procura se afastar e silenciar deliberadamente um movimento de torcedores que tem a defesa da democracia como única e exclusiva razão de existir?

No meio de todas estas crises que vivemos em 2020, o futebol está no centro das atenções por três questões: primeiro, a questão sanitária que envolve a volta ou não aos gramados e em que condições; segundo, uma grande disputa política e financeira sobre modelos de gestão que já mudaram a configuração legal das formas de transmissão no Brasil, num cenário que agora está repleto de incertezas; por último, o uso político do futebol, algo que em si não é novidade, mas que nos últimos meses revelou para muita gente que havia um espaço de debate e ação política em grupos de torcedores que reagiram contra a ascensão do movimento autoritário patrocinado pelo discurso do governo federal.

Como não se insurgir contra ataques escancarados à democracia brasileira? Quem pode ser contra aqueles que lutam em defesa da democracia?

O mesmo Athletico que obriga jogadores a entrar de verde e amarelo, com uma faixa vergonhosa “TODOS JUNTOS PELO BRASIL”, em claro apoio ao então candidato da extrema-direita, que se apropriou de símbolos nacionais, e desrespeitando a pluralidade dos seus torcedores, quer agora censurar um movimento legítimo de torcedores ao proibir que se utilize a sigla CAP em manifestações que visam à defesa da democracia brasileira diante de um momento tão preocupante e delicado.

O mesmo Athletico, que persegue a principal Torcida Organizada do Clube pelo uso do escudo da Instituição, agora nos tem como alvos em potencial.

Compreendemos o Athletico Paranaense como um patrimônio de seus torcedores, de todas as classes sociais e não apenas da elite econômica de Curitiba e Região Metropolitana. O Clube de muitos, aos poucos foi se tornando um “bem de poucos”, com a criação de inúmeras barreiras que simplesmente impedem ou impossibilitam o acesso a milhares de torcedores da periferia e das classes menos favorecidas de sua massa de torcedores. Destaque-se que não vimos o Clube se manifestar da mesma maneira, contra outros websites, páginas de redes sociais ou quaisquer outras formas de manifestação, da mesma maneira que se manifestou contra a nossa organização. Defendemos princípios democráticos, a liberdade de organização e manifestação, a igualdade social e repudiamos qualquer tipo de discriminação de gênero, raça, cor ou credo. Portanto, quando o Clube coloca em campo um time com a camisa amarela apropriada como símbolo de um dos maiores genocidas da atualidade, não caberia uma “notificação extrajudicial” aos dirigentes cobrando explicações por tal atitude? Qual é a posição do Conselho Deliberativo? Pau que bate em Chico ignora a existência de Francisco?

É de se lamentar que a direção do nosso Clube se preocupe em reprimir seus torcedores, ao invés de dar ouvidos ao clamor das ruas que hoje, infelizmente, estão banhadas com o sangue de milhares de pessoas. A quem de fato o Clube quer proteger? A marca ou a política permanente e sistemática de exclusão do povo pobre dos seus espaços? A marca ou o governo genocida encastelado no poder em nosso país?

A marca do Athletico Paranaense deveria ser um bem coletivo. Ela antecede a existência desses dirigentes atuais que aí estão e só existe graças a paixão de muitos. Ela também pertence aos torcedores pobres, favelados, às crianças da periferia, aos excluídos, da mesma forma que pertence àqueles que podem frequentar os jogos. Ela pertence a nós. Ela pertence à massa que vibra nas arquibancadas e também à que exige justiça nas ruas.

É preciso resgatar o caráter de cultura popular que tornou o futebol tão importante no Brasil. O grande historiador Eric Hobsbawm observou, que “o futebol carrega o conflito essencial da globalização”, por que expõe seu grande paradoxo: quer ser entidade transnacional do capitalismo, mas a matéria prima são a paixão e a fidelidade local dos torcedores com uma equipe. Para quem quiser entender a dimensão política e social do futebol brasileiro basta imaginar como seria a paisagem cultural do país sem o futebol e tudo que ele dá para as pessoas, coisas como a tradição, o ritual, o espetáculo dramático, o senso corporativo, de identidade, a hierarquia, a lealdade, um espaço para dar vazão ao espirito combativo, um dos poucos espaços no meio do grande mercado que é nossa vida que a arte e a beleza ainda são valorizadas. A atual gestão do clube Athletico Paranaense pode até tentar, mas não se pode jamais tirar o futebol do povo, um povo que está mais sofrido do que nunca.

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