Nos 22 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: assassinatos no campo batem novo recorde

capa assassinatos no campo

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou ontem (dia 16), os dados de assassinatos em conflitos no campo no Brasil em 2017. O ano passado foi o com maior número de assassinatos desde o 2003.

Foram contabilizados 70 assassinatos, uma aumento em 15% em relação a 2016. O Relatório da CPT  destaca quatro massacres ocorridos na Bahia, Mato Grosso, Pará e Rondônia.  Diversos outros massacres acontecem nas áreas rurais brasileiras, mas a CPT segue avaliações do Ministério Público Federal (MPF) –  parte integrante do golpe -, o que leva a crer que o número é muito maior que o divulgado.

O gráfico abaixo é apenas uma amostra, já que dezenas de outros massacres de Sem-Terra, indígenas, líderes do campo, quilombolas, pescadores, assentados e trabalhadores do campo em geral é imensamente maior.

Desde 2015, os assassinatos tiveram um crescimento brusco a partir de 2015. O Estado do Pará lidera o ranking de 2017 com 21 pessoas assassinadas, sendo 10 no Massacre de Pau D’Arco; seguido pelo estado de Rondônia, com 17, e pela Bahia, com 10 assassinatos.

De 1985 a 2017, os assassinatos no campo, isolados ou massacres, contabilizam 1904 vítimas em 1438 conflitos; novamente ressaltamos que o número real é muito maior quando se entrevista moradores locais, famílias e pessoas que presenciaram os assassinatos; o que acontecem são genocídios, prática comum entre os algozes, entre os jagunços a mando dos grandes proprietários de terra.

Assim como nas cidades (no caso da Polícia), a execução de trabalhadores indefesos é um modus operandi, as emboscadas e tipo de execução premeditada  uma prática comum e sistemática das gangues do campo a mando dos latifundiários.

Capachos on-line, hackers a mando dos capatazes, invadiram os bancos de dados e o site da CPT diversas vezes no ano passado. Assim como com todos os sites de esquerda, nas redes sociais, todo um agrupamento pago pelos golpistas tenta acabar com o trabalho de denúncia e esclarecimento por parte dos movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos e do povo em geral.

Por esse motivo, um relatório completo sobre os massacres no campo não poderá ser divulgado em sua data costumeira, a semana do dia 17 de abril, Dia Internacional de Luta Camponesa, em memória aos trabalhadores rurais sem-terra assassinados na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, Pará, em 1996, quando – pelo menos – dezenove sem-terra  foram assassinados no município de Eldorado do Carajás, no Sul do Pará, como resultado da ação criminosa da ação da PM do Estado do Pará, comandado pelo PSDB.No massacre, segundo depoimentos e até mesmo laudos oficiais, vários dos sem terras foram executados  com tiros na cabeça e no tronco de diversos trabalhadores Sem-Terra.

O Cenário do massacre acontece repetidamente. Após o impedimento de Dilma Roussef e com o avanço da extrema direita, dos fascistas e dos golpistas, a ofensiva contra os trabalhadores do campo se intensifica. Os fascistas do campo, quase em sua totalidade armados e ligados às polícias locais, se sentem cada vez mais confiantes em executar qualquer trabalhador sem-terra e oprimidos em geral.

É preciso, como parte da ampla mobilização popular, organizar comitês de autodefesa nas cidades e no campo. Com o acirramento político, a esquerda, o povo, precisa tomar as ruas, os latifúndios e estar preparado para os conflitos que não acabarão se nos silenciarmos.

A luta contra pela libertação de Lula e pela derrota do golpe de Estado é parte fundamental desta necessária mobilização em defesa da expropriação do latifúndio e de todas as demais reivindicações dos trabalhadores do campo.