Mas UNE defende o STF
Ministro Weintraub apenas manifestou o óbvio; nazismo é parte fundamental da política bolsonarista
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Comunidade judaica no mundo inteiro classificou o episódio como ''vergonha internacional'' | Foto: Reprodução

O ministro fascista da educação, Abraham Weintraub, comparou a operação desta quarta-feira (27) da Polícia Federal, em cumprimento de mandados de busca e apreensão no inquérito que apura ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal e a disseminação de “fake news” com um episódio histórico que marcou a ascenção do nazifascismo na Alemanha.

Hoje foi o dia da infâmia, vergonha nacional, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira. Profanaram nossos lares e estão nos sufocando. Sabem o que a grande imprensa oligarca/socialista dirá? SIEG HEIL!“, publicou em sua rede social Twitter.

História

A noite dos cristais quebrados foi um dos marcos do início do holocausto, em 9 de novembro de 1938, a extrema direita austríaca e alemã organizou um pogrom, uma perseguição aos judeus, incentivada pelo governo alemão nazista e pela Sturmabteilung, o exército paramilitar do partido nazista e pelos cidadãos de extrema direita, todos incentivados e financiados pela burguesia e o governo.

O nome “Noite Dos Cristais” se deve ao fato dos vários pedaços de vidro na rua, que sobraram das vitrines das lojas, edifícios e sinagogas de judeus, que foram destruídas pelos fascistas austríacos e alemães.

A acusação utilizada pela extrema-direita fascista foi o assassinato do diplomata alemão, Ernst Eduard Vom Rath na frança, pelo judeu e polonês, Herschel Grynszpan. Criando assim uma ótima desculpa para causarem o pogrom, que foi a faísca do holocausto.

O pogrom causou em volta de 90 mortes de judeus, mas incluindo mortes depois do ocorrido, passa de centenas. Além de vítimas que pagaram com suas vidas, cerca de 30.000 judeus foram presos, detidos ou mandados para campos de concentração.

Entidades reagiram

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) condenou a comparação do inquérito das fake news à Noite dos Cristais.
Não há comparação possível entre a Noite dos Cristais, perpetrada pelos nazistas em 1938, e as ações decorrentes de decisão judicial no inquérito do STF, que investiga fake news no Brasil“, publicou a entidade em seu site oficial.

Segundo a confederação, as ações do inquérito “se dão dentro do ordenamento jurídico, assegurado o direito de defesa, ao qual as vítimas do nazismo não tinham acesso”.

A comparação feita pelo ministro Abraham Weintraub é, portanto, totalmente descabida e inoportuna, minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus, além de outras minorias“, diz o texto da entidade.

O grupo Judeus pela Democracia publicou mensagem em uma rede social na qual afirma que o STF busca identificar quem financia fake news a fim de evitar novos “linchamentos virtuais”.

A Noite dos Cristais não foi virtual mas foi o linchamento real a judeus“, diz o texto da mensagem. “O objetivo de hoje foi tentar evitar que novas ‘noites dos cristais’ aconteçam com outros povos e pessoas“, acrescentou o grupo.

O American Jewish Committee (Comitê Judaico Americano) também reagiu à publicação de Weintraub.

Segundo a organização, o repetido uso da linguagem do Holocausto por pessoas do governo brasileiro é “ofensivo aos judeus do mundo e um insulto às vítimas e sobreviventes do terror nazista”.

Nazismo é parte fundamental da política bolsonarista

São vários os elementos que aproximam a política bolsonarista dos nazistas.

Desde o vídeo do secretário de cultura, Roberto Alvim, em que plagiava o ministro da propaganda Joseph Goebbels, à própria base social de apoio deste governo que se manifesta concretamente com os militantes de extrema-direita realizando atos em Brasília e cumprimendo o fascista Bolsonaro com o tradicional gesto fascista da mão direita estendida.

A própria militante bolsonarista Sara Winter, que ameaçou Alexandre Moraes, também tem ligações diretas com movimentos nazistas e possui uma tatuagem da característica cruz de ferro no peito.

Mais do que usar termos e frases ofensivas e absurdas a comunidade judaica, é preciso que fique claro que este trata-se de um governo fascista e a perseguição só irá parar com a derrubada do governo de conjunto. Nesse sentido, também trata-se de uma questão de sobrevivência do povo judeu combater o governo Bolsonaro.

Nota da UNE defende STF

A nota da União Nacional dos Estudantes, principal entidade de luta política do movimento estudantil, em relação ao caso qualificou como legítima a ação do STF.

Trata-se de um erro, pois o episódio tratou de um enfrentamento entre duas alas da burguesia que deu o golpe (O STF x os bolsonaristas). A esquerda não pode cometer um erro de tomar um lado na briga entre os fascistas e sim fornecer uma alternativa própria de luta, do povo.

Será que a UNE esqueceu que o mesmo STF entregou Olga grávida para Hitler?

Neste caso, enfrentar o governo Bolsonaro e denunciar que a luta contra às supostas ”fake news” é nada mais nada menos que uma farsa, já que a imprensa burguesa publica diariamente mentiras enganando a população em seus veículos de TV e Rádio e os senhores do STF são coniventes com isso.

Apoiar uma lei que vai no fim das contas censurar também a esquerda no futuro é um grande tiro no pé.

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