Premiê etíope
Primeiro-ministro da Etiópia aplica uma política neoliberal e de repressão étnica em seu país
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Ahmed venceu o Nobel da Paz na última sexta. Foto: Tiksa Negeri/Reuters |

Na última sexta-feira (11), o Comitê Norueguês do Nobel entregou o Prêmio Nobel da Paz para o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, por supostamente elevar o nível de democracia no país africano e estabelecer um acordo que põe fim às hostilidades com a vizinha Eritreia.

No entanto, é preciso ter em mente que tudo o que é feito pelo homem em uma sociedade de classes tem um caráter de classe. Nesse caso, o Nobel é entregue pelo comitê que é escolhido a dedo pelo parlamento norueguês, cuja maior bancada (disparada) é a governista, de direita, liderada pelo Partido Conservador.

Como um prêmio entregue sob a proteção e indicação do imperialismo, dificilmente iria para alguma personalidade que estaria em contradição com os interesses imperialistas. Abiy Ahmed ganhou o Nobel porque é um funcionário do imperialismo.

Premiê desde 2018, ele já anunciou a privatização da Ethiopian Airlines (maior e mais lucrativa empresa de aviação da África) e que outras empresas estatais deveriam tomar o mesmo rumo. Chegou ao poder com a missão de promover a entrega em larga escala da economia de seu país aos grandes monopólios capitalistas internacionais, uma vez que boa parte da economia etíope sempre foi consideravelmente planejada em relação a outras da região.

Ele prometeu entregar os serviços de telecomunicações, aviação, eletricidade e logística – que estavam nas mãos do Estado – à iniciativa privada. Em setores que não são essenciais para a economia do país, como operadoras ferroviárias, açúcar, parques industriais, hotelaria e manufatura, poderiam ser totalmente privatizados.

Ainda em 2018, no mês de junho, Ahmed anunciou que poderia abrir uma bolsa de valores na Etiópia, obviamente a mando dos grandes banqueiros internacionais, que seriam assim beneficiados ao lado da privatização da economia etíope.

Mesmo no âmbito dos tão propagandeados direitos humanos, o governo de Ahmed não poderia ser considerado um verdadeiro apaziguador. Desde quando foi eleito, por volta de 1,5 milhão de cidadãos foram expulsos de suas casas por violência étnica, sendo este o maior número de deslocados internos no mundo inteiro em 2018.

No sul do país, no distrito de Guji Oriental, por exemplo, mais de 800 mil etíopes da etnia gedeo foram expulsos de seus vilarejos pela perseguição da Frente de Libertação de Oromo. Há denúncias de que o governo de Ahmed ignorou a violência e impediu a ajuda aos refugiados.

A verdade é que, como a maior parte dos governos dos países atrasados, o da Etiópia é um fantoche do imperialismo e suas políticas são dirigidas pelos grandes monopólios dos países avançados, a fim de atender sua necessidade de lucro, o que, invariavelmente, vai contra qualquer tipo de iniciativa que vise a paz para a população.

Para enfatizar o caráter classista e imperialista do Nobel, basta lembrar também alguns dos vencedores recentes desse prêmio, como o ex-presidente norte-americano Barack Obama (responsável pela devastação da Líbia) ou o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos (continuador da ditadura contra os camponeses e propagador da guerra contra a Venezuela).

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