PT dominado pela frente ampla
A ala direita do PT, influenciada pela burguesia, que procura realizar a política de frente ampla, teve uma atuação importante na sabotagem de seu próprio partido nestas eleições
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ACM Neto (DEM), ao lado de seu fiel aliado, o governador da Bahia, Rui Costa (PT) | Foto: Valter Pontes/Secom

As eleições municipais que transcorreram esse ano serviram para desenvolver de uma forma mais acabada a política da “frente ampla”. A frente é articulada principalmente pelos políticos da direita tradicional, que é de fato o setor que domina o regime político desde a ditadura militar. Partidos como DEM, PP ou PMDB são seus principais representantes. Alguns partidos de esquerda, como o PSOL e o PCdoB, também mergulharam de cabeça nessa política. A intenção é procurar colocar toda a esquerda a reboque dessa direita, de modo a conquistar os votos de seus eleitores, para conseguir extirpar de vez do regime a ala esquerda do PT, representa principalmente por Lula, e para enfraquecer o domínio da extrema-direita bolsonarista, que representa uma ameaça a essa direita.

Além da esquerda pequeno-burguesa e dos partidos da pseudo-esquerda, como PDT e PSB, um setor mais direitista do PT também se aliou com a frente ampla. Trata-se de uma ala do partido que nada tem a ver com seus setores mais operários, ligados aos sindicatos e aos movimentos sociais. A ala direita do PT consiste basicamente dos governadores e a maioria dos parlamentares, que se juntaram ao partido por puro oportunismo e em busca de cargos, salários e privilégios, procurando “surfar” na popularidade do maior partido de esquerda da América Latina.

Em Porto Alegre, Manu entrega a prefeitura para o MDB

Uma das alas mais ativas desse PT direitista é a que se encontra no Rio Grande do Sul, cujo líder é Tarso Genro. As eleições para prefeitura em Porto Alegre, capital do estado, demonstraram nitidamente como atua a frente ampla dentro do PT. O partido já havia elegido prefeito nessa cidade por vários mandatos e possui uma quantidade grande de eleitores gaúchos que poderiam ter empreendido uma campanha que pudesse realmente incomodar a direita na disputa pela prefeitura do município.

Ao invés disso, o que o PT fez foi lançar o ex-prefeito Miguel Rossetto como candidato a vice-prefeito e permitir que a chapa fosse encabeçada por Manuela d’Ávila, do PC do B. Conhecida por fazer uma defesa de pautas identitárias e das posições mais pequeno-burguesas da esquerda, “Manu” é uma candidata bastante impopular entre a classe operária – que é a maior parte da população e dos eleitores da esquerda em qualquer lugar. Algumas pesquisas trabalham, inclusive, com a possibilidade de que sua candidatura à vice-presidência em 2018 tenha tirado milhões de votos do PT. Por conta disso, é bastante claro que todos os votos dados a Manuela d’Ávila nessas eleições pertenciam, de fato, ao PT.

Além disso, o PC do B é um partido que está profundamente comprometido com a frente ampla. Sua direitização se reflete até no “nome-fantasia” que o partido tem apresentado para o público nesse último período: “Movimento 65”, tirando o “Comunista” do nome e eliminando símbolos como a foice e o martelo de sua propaganda, além de, é claro, remover a cor vermelha de tudo que for possível. Essa aliança do PC do B com a direita resultou em uma atuação muito tímida de Manuela nos debates durante o 2º turno e até na campanha de um modo geral. Não houve, de fato, enfrentamento com o candidato vencedor das eleições, Sebastião Melo (MDB), mas sim um jogo de comadres, uma campanha muito fraca, que levou à inevitável derrota da esquerda. O correto para o PT teria sido lançar um candidato próprio, que muito provavelmente, teria lutado mais pela vitória.

No Ceará, o governador do PT comete ato de traição contra seu próprio partido

A disputa em Fortaleza (CE) foi muito semelhante. O governador do estado, Camilo Santana, é formalmente filiado ao Partido dos Trabalhadores, no entanto a sua atuação visa sempre favorecer os setores de Ciro Gomes, que é a quem Santana realmente serve. No 1º turno, a atuação do governador foi uma traição ainda mais evidente. O PT lançou candidata própria para a disputa, a deputada federal Luizianne Lins, no entanto Camilo Santana não fez campanha em nenhum momento para ela. Todos os seus esforços foram no sentido de favorecer o candidato José Sarto, do PDT de Ciro. Por estar proibido de realizar campanha abertamente a favor de um candidato de outro partido, Santana falou através de seu pai, Eudoro Santana, e de seu irmão, Tiago Santana, que gravaram vídeos declarando apoio a Sarto, o qual venceu as eleições, no fim das contas. Uma verdadeira traição ao partido que o levou ao governo do Ceará.

Na Bahia, a ala direita do PT se mostra “amiga” do DEM

Em Salvador (BA), o PT já lançou, erroneamente, uma candidata ligada ao aparato repressivo do estado. Trata-se de major Denice, da Polícia Militar do estado da Bahia. Isso por si só já seria um demonstrativo do quanto o PT baiano se colocou a reboque da direita, mas o problema não para por aí. Os dois principais nomes do partido no estado, Rui Costa (governador) e Jacques Wagner (senador) não chegaram a fazer campanha por Denice em nenhum momento. A candidata foi lançada para perder as eleições. O clima entre Rui Costa e o DEM é muito amistoso e a verdadeira aliança política do governador estava com o atual prefeito deste partido, ACM Neto, e o candidato por ele lançado, Bruno Reis, também do DEM.

A situação nesses três locais mostra a atuação nefasta que tem a frente ampla mesmo dentro de um partido com importante presença na classe operária como o PT. Esses setores conseguiram, com a ajuda da direita, sabotar o próprio partido. Isso demonstra, primeiramente, o caráter totalmente anti-democrático dessas eleições municipais, e também o quão inútil é você eleger um governador ou um parlamentar em aliança com a burguesia. No fim das contas, esses candidatos não pertencem à classe operária, mas à própria burguesia, que os utilizou para consolidar seu golpe de estado.

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