Não estão nem aí para o povo
Começamos 2021 em uma situação em que derrotar a política genocida da direita é uma questão de vida ou morte para milhões de pessoas
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Bolsodoria
Dória e Bolsonaro, por detrás da disputa política unidade em torno do genocídio | Foto: Reprodução

O costume de celebrar a chegada de um novo ciclo no calendário existe há mais de 4 mil anos, foram adquirindo distintas formas, mas quase sempre vinculadas a celebrar a esperança, a expectativa de dias melhores. Na antiguidade quando essas celebrações de passagem, se davam nos períodos próximos às colheitas, eram a oportunidade para renovar os votos de que houvesse alimento e fartura para todos, em um momento em que a humanidade ainda não tinha desenvolvido – como nos tempos atuais – condições para prover o sustento e todas condições necessárias à vida (em boas condições) de dezenas de bilhões de pessoas, o que não ocorre pela existência de um regime social em que a capacidade produtiva não pode atender às necessidade de todos pela apropriação da riqueza por um punhado de tubarões que vivem da miséria de milhões.

No século XVI, com a introdução do calendário gregoriano (em 1582, por imposição do papa Gregório 13) no lugar do calendário juliano, o primeiro dia do novo ano passou a ser 1º de janeiro e as comemorações passaram a ser realizadas (na maioria dos casos) em torno dessa data.

É claro que as festas dos ricos, que na França fizeram surgir o termo Réveillon para designar as festas da nobreza que duravam a noite toda, foram sempre muito mais fartas e duradouras, mas aos poucos, em diversas  regiões, o povo sofrido foi copiando também o hábito de festejar nas condições que dispunha.

No Brasil essas festas ganharam características próprias em diversos momentos, pela iniciativa de setores mais pobres.  Aqui o réveillon da nobreza, que copiava os franceses, ganhou nas senzalas, nas favelas e, depois, nas praias (maravilhoso acidente geográfico que a burguesia ainda não conseguiu privatizar em larga escala), ganhou com o sincretismo religioso característico do passado histórico do país (resultado, principalmente, da repressão às manifestações religiosas e culturais dos negros), fez com que as comemorações aqui adicionassem novos personagens, costumes e comidas às festas de Ano Novo e que estas se transformassem em grandes festas populares, reunindo milhares e até milhões de pessoas nas praias e ruas das principais cidades brasileiras, e também centenas e milhares em festas nas periferias.

Uma das marcas dessa festa passaram a ser as grandes festas dos terreiros de umbanda e do De onde vem o hábito de pular sete onda no ano novo? Descubra! | Gazeta do CerradoARTE E CULTURA | Descubra a Essência do Rio | Agenda BafafáCandomblé que tomavam a beira mar para saudar e homenagear  Iemanjá, pular sete ondas etc. às quais foram se juntando um número cada vez maior de pessoas, primeiramente de forma espontânea, até que, nas últimas décadas, a burguesia e seus governos trataram de regulamentar tais manifestações e, é claro, fazer desta algo lucrativo para a rede hoteleira, grandes monopólios de comunicações etc., principalmente nos grandes centros.

A política genocida da burguesia e seus governos golpistas diante da pandemia, não apenas tiram a vida de centenas de milhares de pessoas (estudos de especialistas já estimam que o número de mortos é, pelo menos, 50% maior do que o divulgado, e assim devemos ter cerca de 300 mil mortos e não os quase 200 mil anunciados oficialmente) e não só emprego, fazendo com que mais da metade dos trabalhadores estejam desempregados ou subempregados (ou subaproveitados como estabelece a nova nomenclatura oficial). Fizeram crescer a fome e impuseram um sofrimento como nunca se viu, como resultado da total falta de medidas de combate à pandemia que fazem do Brasil um dos países mais duramente atingidos pelo coronavírus no Mundo, sem testes, sem investimentos devidos na proteção da saúde da população, dos seus empregos etc. Até o miserável auxílio emergencial (uma dos mais baixos do Mundo) teve aqui seu fim decretado justamente para a noite de “ano novo”. Isso depois, que os capitalistas “presentearam” a população com uma inflação recorde, que fez o preço dos alimentos dispararem e o povo passar pelo pior natal e fim de ano de toda a nossa história.

Algumas semanas antes do fim de ano, em eleições fraudulentas, a burguesia e seu partidos (com a cumplicidade criminosa de setores da esquerda) fingiram que nada estava acontecendo ou que tudo estava melhorando. Por todo o Pais, os pouquíssimos hospitais “de campanha” foram fechados (mostrando que eram apenas um “negócio”, um esquema de desvio de verbas, e  peças de campanha eleitoral e não visavam realmente atender a população)

O mesmo se viu e se vê na campanha publicitária em torno da vacina, visando atender os interesses nos lucros econômicos (um negócio de trilhões!) e políticos que a vacinação possa trazer. De novo, a saúde do povo era e continua sendo o que menos importava.

A propaganda enganosa em torno da vacina (para a qual o governo sequer tem seringas encomendadas, data de início da vacinação, prova de eficiência etc.) apenas serviu para estimular quem ainda podia a sair às compras, para garantir os lucros dos bancos (ávidos de receber seus créditos juntos às lojas, fábricas etc.). Na TV não faltou nem mesmo campanha publicitária a favor de que o povo viajasse. Políticos “científicos” e cínicos, como Dória, ou “negacionistas”, como Bolsonaro, deram o exemplo: arrumaram as malas e foram para Miami ou para o litoral. No Congresso, a máfia da direita que comanda o legislativo, colocou no centro as eleições para a Mesa da Casa, talvez porque não houvesse nada mais importante a fazer, já que a pandemia estava para acabar. O povo que se dane!

Brasil registra mais 201 mortes por Covid-19 em 24h - CartaCapitalA situação ficou fora de controle, com o País ultrapassando por diversos dias seguidos a marca de mil mortos, nos dias que deveriam ser de festa e não de luto. Como sempre eles fizeram discursos e adotaram meias medidas, de aparência. Em alguns lugares, como em SP, estabeleceu-se o inútil fechamento do comércio nos dias posteriores aos dos festejos e anunciou-se uma política repressiva em relação aos festejos populares. Medidas de combate real à pandemia, testes, auxílio emergencial para a população necessitada, nada!

Iniciamos o ano, naquela que parece ser a situação mais desgraçadamente crítica desse período de pavor com novos recordes na pandemia, no desemprego, na fome e com os governos da direita anunciando novos ataques, como é o caso do fim do auxílio emergencial, reajuste miserável do salário mínimo, plano de privatizações, novos aumentos de preços, como combustíveis e alimentos etc.

E a quem a imprensa golpista resolveu responsabilizar por toda essa situação? O povo, é claro.

A culpa de tudo é do povo, que teria resolvido se aglomerar, só para atrapalhar os governos que se esforçam tanto para salvar a população.

Nas TV’s, rádios, jornais etc. um turbilhão de denúncias de festas que estariam ameaçando a população. Para esses senhores, aglomerar nos ônibus, trens e metrôs lotados, pode! Agora celebração na praia, baile funk e tudo mais que não seja trabalhar como escravo e morrer calado, isso é uma aberração.

A burguesia – de fato – celebrou 2020. Um punhado de grupos de bilionários viu crescer suas fortunas, a direita golpista ganhou as eleições municipais, o desemprego e rebaixamento salarial garantiu os ganhos de um reduzido grupo de capitalistas, não faltaram testes para os ricos e muitos usaram seus jatinhos para correr para os hospitais luxuosos e se curarem (entre eles houve baixas, mas foram mínimas). O povo que se exploda!

Esbanjam egoísmo, comemorando que estão bem, quando milhões sofrem. Cínicos encenam preocupação quando não adotam quaisquer medidas efetivas para reverter a situação, cuidam apenas dos seus próprios interesses e dos seus consorciados.

Por isso começamos 2021 em uma situação em que derrotar essa política da direita é uma questão de vida ou morte para milhões de pessoas.

Mais do que nunca, é necessário fortalecer a organização própria independente, dos explorados, com um programa próprio e com os métodos próprios de luta da classe operária e demais explorados. Deixar para trás a política traidora de setores da esquerda que resolveram se aliar à direita golpista e genocida.

Essa luta deve ter entre os seus eixos fundamentais, capaz de mobilizar milhões, sob o impulso dos comitês de luta, a mobilização pelo fora Bolsonaro, todos os golpistas e o imperialismo e a defesa da restituição dos direitos políticos de Lula e a defesa de sua candidatura presidencial.

Que ano seja de luta para barrar o retrocesso e o massacre do povo brasileiro que toda a direita quer aprofundar.

 

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