No Distrito Federal, plenária da militância de esquerda se reúne com José Dirceu e João Pedro Stédile

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Cerca de trezentos participantes de vários segmentos da esquerda militante do Distrito Federal lotaram o auditório do Sindicato do Servidores Públicos  nesta terça-feira, para a realização de um ato/plenária, em apoio e solidariedade ao ex-dirigente petista José Dirceu.

O evento foi convocado pelo Partido dos Trabalhadores do DF e pela coordenação da Frente Brasil Popular, contando com a participação de dezenas de dirigentes sindicais e partidários, parlamentares, artistas e dois ex-ministros do governo Lula.

José Dirceu está na iminência de ter sua prisão novamente decretada pelo TRF4, de Porto Alegre, que irá julgar o último recurso impetrado pela defesa do petista contra a sua condenação. O julgamento está previsto para quinta-feira, dia 19.

Muito provavelmente José Dirceu terá o recurso da defesa rejeitado pelos juízes de Porto Alegre, os mesmos que não só confirmaram a sentença do juiz Moro contra o ex-presidente Lula, como aumentaram ainda mais o tempo de condenação de Lula para (12)doze anos e 1 (um) mês.

O ex-dirigente petista é mais uma personalidade da esquerda brasileira que está sendo vitima de um processo inquisitorial, arbitrário e persecutório pelos juízes fascistas e seus tribunais de exceção, que levam adiante no país uma verdadeira caçada contra dirigentes políticos e personalidades da esquerda nacional.

Nas diversas intervenções que se seguiram em defesa e solidariedade a José Dirceu, todos ressaltaram o caráter fascistóide da perseguição ao petista, a seletividade dos tribunais nos processos judiciais que deixam de fora a direita e os golpistas, a farsa do “combate à corrupção” e a entrega do país ao capital financeiro internacional.

Em suas palavras, o dirigente do Movimento dos Sem Terra, João Pedro Stédile salientou a ofensiva da direita contra os movimentos sociais, em particular a violência dos latifundiários e dos representantes do agronegócio contra os sem terra. Disse ainda que o MST irá realizar ocupações em todo o país contra a prisão de Lula e em defesa da liberdade do ex-presidente. Stédile enfatizou também que o MST não tem plano “B” para a presidência e que o movimento está fechado com o ex-presidente Lula.

Na intervenção mais aguardada da noite, José Dirceu lembrou diversos episódios da luta política nacional em que foi protagonista, desde os tempos da clandestinidade na luta contra a ditadura militar nos anos sessenta e setenta, passando pela construção do Partido dos Trabalhadores no início da década de oitenta.

Disse ainda que o momento político atravessado pelo país é muito grave, exigindo uma reflexão por parte de todos os setores da esquerda nacional e das forças progressistas da necessidade de uma ampla unidade para enfrentar os golpistas. Salientou que a luta institucional é insuficiente para impor uma derrota aos golpistas, conclamando a formação de uma “frente de massas” com o povo nas ruas para garantir a liberdade de Lula e a realização de eleições livres e democráticas, que assegure a participação do ex-presidente como candidato.  O ex-ministro do governo Lula disse também que o povo tem que ser implacável na luta contra os golpistas, não os deixando governar.

A política do Partido da Causa Operária vai ao encontro do chamado feito pelo dirigente petista. Acreditamos que a única forma efetiva de lutar contra o golpe e derrotá-lo será através da mobilização massiva dos trabalhadores, que se choque de frente com o regime político golpista e com isso garantir a liberdade de Lula e de todos os presos políticos e a garantia dos direitos democráticos de toda a população.