Às ruas por Lula presidente!
Os trabalhadores devem atender o chamado do ex-presidente Lula e mobilizar suas organizações e voltarem às ruas contra o golpe, pelo Fora Bolsonaro e por Lula presidente!
São Paulo 18 01 2018 O ex presidente Lula participa de Ato com artistas e intelectuais em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert
É preciso colocar na rua a campanha por Lula candidato, Lula presidente! | Foto por: reprodução.
São Paulo 18 01 2018 O ex presidente Lula participa de Ato com artistas e intelectuais em São Paulo Foto: Ricardo Stuckert
É preciso colocar na rua a campanha por Lula candidato, Lula presidente! | Foto por: reprodução.

Nos últimos dias um conjunto de novas informações acerca das manipulações feitas pelos membros da operação Lava Jato, tem deixado cada vez mais claro toda a farsa que foi montada para articular o golpe e, principalmente, prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não havendo mais margens para sustentar qualquer sombra de legalidade da operação.

Na última terça (9), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizaram o acesso aos advogados de Lula aos dados apreendidos pela Polícia Federal que supostamente teriam sido hackeados dos membros da força-tarefa da Lava Jato. O conteúdo das mensagens trocadas entre procuradores do Ministério Público e juízes deixa clara toda a armação.

Foi revelado, desta vez por exemplo, que a procuradora Carolina Rezende da Procuradoria Geral da República (PGR), à época chefiada por Rodrigo Janot, em 2016 após à condução coercitiva do ex-presidente a uma delegacia da PF para depoimento, reiterou que era necessário “atacar” Lula:

“Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), para nós da PGR, acho que o segundo alvo mais relevante seria Renan [Calheiros]” afirmando também que não seria possível “brigar com todos os ministros do STJ ao mesmo tempo” e sim buscar “atingir o mais novo” se referindo ao ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas que havia sido citado por delações na Lava Jato pelo filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró.

Surgiram também mais “declarações” no mesmo dia de Deltan Dallagnol afirmando “o fundamento maior da nossa nota é: não deixarmos um amigo apanhar sozinho. Moro fez e estava sendo criticado, vamos pra cima junto. Quanto ao mérito e pertinência da nota em si, o grupo está dividido. rs.” pelo que a Carolina complementou “Tá certo. Coitado de Moro.. Não ta sendo fácil.” E completa: “Vamos torcer para esta semana as coisas se acalmarem e conseguirmos mais elementos contra o infeliz do Lula“.

Outras mensagens foram reveladas anteriormente mostrando a articulação entre os procuradores e os juízes, na qual os procuradores indicavam, direcionavam e combinavam quais processos, quais pessoas e em qual momento os juízes deveriam encaminhar os processos, como quando Dallagnol afirmou “Gente, importante: 1) Gabriela não sabe o que é prioridade. Há 500 processos com despacho pendentes e não sabe o que olhar. Combinei de criarmos uma planilha google e colocarmos o que é prioridade pra gente” complementando em uma indicação a seus colegas “suas decisões saiam logo, favor criar e indicar os autos, prioridade 1, 2 ou 3 e Sumário ao lado, e me passar o link para eu passar pra ela.

É preciso enterrar de vez

O conjunto das revelações do que foi realizado pela Lava a Jato, seus métodos de tortura, de manobras políticas contra seus adversários, de articulação com a direita golpista e orientada e planejada pelo imperialismo norte-americano, deixa claro, de uma vez por todas, que é necessário enterrar de vez essa operação, não só a força-tarefa de Curitiba, mas em todo o país.

A Lava Jato foi um dos principais atores políticos no Golpe de 2016, quando desde seu início em 2014 perseguiu os políticos do Partido dos Trabalhadores (PT), visando claramente impulsionar o desejo já estabelecido da burguesia de pôr fim ao governo da ex-presidenta Dilma Rousseff “a qualquer custo”. A perseguição política continuou após o golpe, prendendo Lula e fortalecendo o ataque da direita que tentava destruir o PT e chegando a 2018 quando suas ações permitiram que uma das figuras do submundo da política parlamentar, Jair Messias Bolsonaro e outros escroques da extrema-direita, acendessem a um papel de destaque no regime político golpista atual.

Hoje, a burguesia nacional e internacional, de certa forma, tem buscado criar alternativas para resolver a situação política do regime golpista, na qual Lula é o principal “entrave” para consolidar o golpe e a terem alterado a função da Lava Jato, buscando até encerrá-la ou transformá-la, haja vista que a sua manutenção implica um custo político que está nos cálculos da burguesia.

Só a mobilização irá garantir Lula nas eleições

Dessa forma, os trabalhadores não devem ter dúvida. A Lava a Jato ou as suas práticas não serão encerradas pela burguesia. O precedente aberto, de cassação dos direitos políticos da população de uma forma escancarada, que descrevemos acima, são armas que permanecerão “na manga” da direita prontas para serem utilizadas conforme o desenvolvimento da situação.

A operação, suas práticas e seus efeitos somente serão definitivamente “enterrados” através de uma ampla mobilização popular, uma mobilização intensa da classe trabalhadora pelos seus próprios direitos políticos. Essa luta, neste momento, toma a forma da luta pelos direitos políticos do ex-presidente Lula, pois é a principal, senão a única, liderança popular que pode eleitoralmente derrotar os candidatos da burguesia e pôr o regime golpista em cheque e que significa um dos principais meios para enfrentar esse regime que os trabalhadores possuem. E é por isso todo o ataque a Lula.

A luta pelos direitos políticos de Lula é a luta para trazer de volta ao cenário político eleitoral a pessoa que nos últimos 30 anos, ao menos, têm sido a figura que aglutina a esperança dos mais diversos setores populares em ter como governante um representante autêntico da classe trabalhadora, um representante que pode pôr fim ao aprofundamento da catástrofe do desemprego e da fome que vem se intensificando no país.

Na última semana, o próprio ex-presidente Lula afirmou que “somente a mobilização do povo” pode garantir o reestabelecimento dos seus direitos políticos. E ele está correto. Não podemos depositar nenhuma confiança na justiça golpista, nos juízes manipuladores que atuam como verdadeiros membros da política burguesa, julgando sempre em favor da burguesia, protegendo a direita golpista e em causa própria.

No próximo dia 27, é fundamental que as organizações dos trabalhadores, os movimentos populares, saiam à rua e coloquem definitivamente em marcha uma campanha pelo fim da perseguição política a Lula e à toda a esquerda, que mobilizem os setores populares para tornar Lula candidato e que seja presidente, assim como a população quer e queria em 2018. O dia 27 deve ser um marco na retomada das jornadas de luta contra o golpe, contra os fascistas, pelo fim do governo genocida de Bolsonaro, por Lula candidato e por Lula presidente.

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