Nicarágua: direita continua campanha golpista contra Ortega

Nicaragua's President Daniel Ortega speaks during the inauguration of the new baseball stadium  Dennis Martinez in Managua

Da redação – A onda de protestos na Nicarágua, contra o governo de Daniel Ortega, ganhou mais um capítulo no último domingo (23), quando os conflitos entre a polícia nicaraguense e grupos armados financiados pela direita local deixaram um morto e alguns feridos.

Órgãos de controle sobre países atrasados diretamente ligados ao imperialismo, como a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a CIDH (Comissão Internacional de Direitos Humanos), exigem diálogo com a direita e consideram a situação no país “alarmante”, em escala de justificar um golpe com intervenção externa.

Um setor da esquerda brasileira, representado por Juliano Medeiros, presidente do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), em consonância com as citadas instituições do imperialismo, se apressou em acusar Ortega de se amparar no que chamou de “acordos eleitorais” e disse que a esquerda latino-americana deve exigir o fim da violência do governo e dos bandos de direita.

O PSOL trata a questão como se fosse possível a esquerda exigir paz da direita e dessa forma se coloca numa posição tão caricata quanto inocente e imatura, para evitar acusações de capitulação ao imperialismo, revelando uma imensa dificuldade de compreender o fenômeno em questão.

Os problemas teriam sido gerados por uma tentativa do governo sandinista de fazer uma reforma da previdência, que devido a manifestações, foi abortada muito rapidamente em poucos dias.

Porém, aparentemente o problema é muito mais profundo e possui relação direta com a construção, por empresários chineses, de um canal na Nicarágua com muito melhores condições de navegabilidade que o atual e principal canal de ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico, dominado pelos EUA, que se localiza no Panamá.

Esse novo canal na Nicarágua encurta física e comercialmente a distância entre a Venezuela e a China e significa uma ameaça direta aos interesses econômicos dos EUA, o grande tubarão imperialista.

Em todas as circunstâncias, a esquerda deve se posicionar contra o imperialismo norte-americano e rejeitar as teses da direita de que o governo de Ortega impõe uma ditadura sangrenta à sua população, teses essas fabricadas por grupos financiados pelo imperialismo e divulgadas pela imprensa golpista.

O que está em jogo é a defesa dos interesses econômicos de um país atrasado contra os ataques dos EUA, que possui intenção fundamental de impedir seu desenvolvimento, por meio de golpes e do financiamento de grupos armados de direita, com objetivo de desestabilizar o governo, provocar violência, ganhar a simpatia da opinião pública e finalmente dominar o país e sua população.