As maiores polêmicas do DCO
Em 2020, até o futebol nacional virou fonte constante de polêmicas, demonstrando de maneira cristalina o tamanho da confusão que envolve a esquerda brasileira

Por: Redação do Diário Causa Operária

Com o ano de 2020 acabando, esta edição do Diário Causa Operária retoma cinco grandes polêmicas ao longo do ano. Embora o jornal tenha uma seção dedicada às opiniões políticas mais contrastantes com o senso comum esquerdista, algumas das polêmicas mais acaloradas deste ano, curiosamente, não foram publicadas na editoria fim mas no caderno de esportes. Vamos a elas:

O caso Robinho

A matéria “Entre Robinho e a ditadura burguesa, esquerda escolhe a ditadura” é uma das que não estavam na seção de polêmicas mas acabaram tendo muita repercussão. Assinada pelo colunista do DCO Eduardo Vasco, sua coluna semanal buscava lembrar a insana posição da esquerda, em defesa de um Estado carcerário, o que naturalmente, atende aos interesses mais grotescos da burguesia e chocam-se frontalmente contra a população pobre.

“Ao tratar Robinho como um pária, a esquerda está alimentando a crença propagada pela direita de que o Estado burguês dominado pelos golpistas e pela extrema-direita, ou seja, que as instituições putrefatas desse Estado são justas. É a defesa da instituição mais reacionária do Estado, o Judiciário, feita pela esquerda.”

Em ampla discussão na época, a condenação em primeira instância do craque Robinho gerou uma campanha de histeria em que bolsonaristas como a ministra Damares – que exigiu “cadeia imediatamente” para o atleta – e esquerdistas competiam para ganhar um macabro troféu dedicado ao mais sanguinário de todos.

A defesa dos direitos individuais de todo e qualquer cidadão contra o poder opressor do Estado burguês, levada adiante por este Diário provocou, naturalmente, uma enxurrada de críticas ao jornal e ao PCO por parte da esquerda pequeno-burguesa.

Neymar

Trazendo na capa a imagem do maior jogador de futebol da atualidade, o craque Neymar,  chorando diante da derrota do PSG para o Bayern de Munique, a revista Carta Capital abriu caminho para mais uma curiosa polêmica -embora recorrente – no ano de 2020: a defesa do futebol nacional e de seus principais talentos. O que naturalmente envolve Neymar. 

A matéria “Neymar: por que o jogador brasileiro é o culpado por tudo?” traz uma discussão com a análise confusa de Mino Carta a respeito de Neymar e do ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra. Conforme a matéria demonstra, “no entendimento de Mino Carta, Neymar representaria um Brasil fracassado, no sentido de que em plena pandemia dizimando milhares de brasileiros por dia, o fato de jornalistas se debruçarem sobre a final da Champions League representa o Brasil da ‘democracia impossível’”.

A defesa do futebol nacional e daqueles que efetivamente engrandecem o País no mais popular e operário esporte do planeta deveria ser um ponto pacífico entre a esquerda. Contudo, o fato das publicações deste Diário causarem tanto alarde junto aos meios pequeno-burgueses, acaba sendo ilustrativo da enorme guinada à direita verificada no campo da esquerda.

Mais curioso ainda, esta defesa levou, inclusive, os órgãos da imprensa burguesa a suspenderem o silêncio que impera nas redações dos grandes jornais para falar do PCO, claro que de forma jocosa. Em 2020, isto pode ser visto em dois dos principais órgãos capitalistas, Folha de SP e O Globo.

Jones Manoel

Outro youtuber que frequentou as páginas da seção de polêmicas deste Diário foi o Jones Manoel. Militante do PCB, Manoel teve um grande impulso em sua carreira, dado por ninguém menos que Caetano Veloso. Autodeclarado “liberalóide”, o artista teceu elogios ao “comunista” em um programa editado que foi ao ar pela Rede Globo.

Diversas falas do youtuber acabaram ilustrando o reacionarismo de muitas posições aparentemente esquerdistas dos círculos pequeno-burgueses. Um dos mais destacados foi a defesa velada do terror burguês na matéria “O apóstolo da covardia”. Na ocasião, Jones Manoel posicionou-se contra a reação popular mais radicalizada no caso Carrefour, quando seguranças da loja assassinaram um homem negro com requintes de crueldade.

Guilherme Boulos

Uma das mateŕias mais lidas do ano, a coluna de Victor Assis “Boulos, a flor da bosta” é outra que cruzou as fronteiras da seção original e transformou-se em uma acalorada polêmica.

Em meio aos apelos pela aposentadoria compulsória da principal liderança popular do País, o ex-presidente Lula, o colunista lembra todo o processo político que produziu o fenômeno político que é Lula, e que vai na contramão de sua suposta versão atualizada: Guilherme Boulos.

“Ao contrário do que foi Lula na luta contra a ditadura”, lembra o colunista, “Guilherme Boulos não é expressão de absolutamente coisa alguma.” Trazendo o papel direitista de Boulos no meio da esquerda, a matéria lembra ainda o apoio fundamental dado pela imprensa capitalista e golpista no impulsionamento desta liderança abstrata que é Guilherme Boulos.

Felipe Neto é o campeão de visualizações

Com quase 20,5 mil visualizações, a matéria mais lida no caderno de “Polêmicas” do ano foi “Esquerda quer aliança até com “youtuber”, mas não com o povo”. Publicada em 13/05/2020, o tema discutido era a já marcante tendência à capitulação da esquerda ante o golpe. À época, discutia-se a repentina guinada à esquerda do empresário e youtuber Felipe Neto.

Um dos mais destacados representantes da frente ampla, Guilherme Boulos, chegou a declarar que a articulação deveria ter espaço para o empresário:

“Se na frente ampla de alguns não cabe nem o Felipe Neto, então melhor chamar de frente apertada… O ressentimento não é um bom guia. Ainda menos em tempos de fascismo.”

O empresário, dizendo-se arrependido de suas posições, sequer moderou suas críticas ao PT, revelando-se outro elemento de confusão no campo da esquerda.

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