Homofobia e racismo
O jogador brasileiro pode ser punido por homofobia, enquanto que suas denúncias de racismo são colocadas em dúvida e a imprensa e a esquerda se recusam a defendê-lo
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Neymar protesto em jogo em que ocorreu o caso de racismo. | Arquivo

A repercussão do caso Neymar continua. A denúncia do jogador brasileiro contra o racismo aconteceu no domingo, dia 13. De lá para cá passou mais de uma semana e o tratamento dado a Neymar foge dos padrões demagógicos que tem sido o tom geral da imprensa burguesa e da esquerda pequeno-burguesa.

Com Neymar, o benefício da dúvida só existe se for contra ele. Vários jornais e comentários nas redes sociais apontavam que Neymar pudesse estar errado, mentindo ou até mesmo, tendo sido realmente chamado de macaco pelo zagueiro espanhol Alvaro Gonzales, Neymar não deve ser defendido porque “não se considera negro”. E por aí vai… inventaram um caminhão de teses para justificar porque no caso do jogador brasileiro o lema “o oprimido tem sempre razão” não funciona.

Um caso bastante exemplar foi o da revista Fórum, publicação da esquerda brasileira. Na ânsia de mostrar que Neymar está errado, a revista replicou uma coluna de um jornalista do portal R7. Para quem não sabe, portal que pertence à rede Record, talvez a mais bolsonarista de todas.

A Fórum replicou as informações de um colunista direitista chamado Cosme Rimoli cuja função é ficar na marcação de Neymar. Tudo o que Neymar faz, é criticado, até mesmo quando ele está certo. O colunista do R7 deu a informação de que na realidade não foi Neymar que sofreu racismo mas foi o espanhol que sofreu homofobia do jogador brasileiro.

Uma posição canalha, típica da imprensa golpista e suas manipulações, que a revista Forum simplesmente replicou. É canalha não apenas porque procura fornecer justificativa para não defender Neymar, mas porque, de um ponto de vista geral procura igualar uma troca de insultos a uma ofensa racista. Ou seja, xingar alguém de “bicha” é tão grave quanto dizer que um negro é macaco.

Para os identitários que tem em sua ideologia um teor moral e religioso talvez a comparação seja verdade. Mas os movimentos de luta do povo negro deve rejeitar essa comparação. A luta do povo negro contra o racismo não é contra uma “ofensa” ou um insulto em geral mas contra a tentativa de tornar o negro inferior. Esse é o ponto e nesse sentido, igualar a suposta “homofobia” de Neymar ao racismo que sofreu é uma maneira de reduzir a importância da luta do negro.

Do mais, a esquerda que está tão preocupada em atacar Neymar, deveria se perguntar qual é a intenção de um colunista da imprensa bolsonarista em se preocupar com a “homofobia”.

No último domingo ficou provado que Neymar realmente fora chamado de macaco pelo zagueiro espanhol que, diga-se de passagem, é um apoiador do partido fascista Vox. Mesmo assim, o que se vê é a recusa daqueles que tanto prezam pela luta contra as chamadas opressões de defenderem Neymar.

A esquerda pequeno-burguesa identitária, por sua vez, acabou revelando novamente que sua luta é apenas demagogia e pior ainda, está disposta apenas a defender aqueles que fazem parte de sua panelinha ou aqueles que a burguesia mostra como sendo defensáveis. O identitarismo se mostra mais uma vez uma ideologia sem nenhum princípio.

A federação francesa de futebol anunciou que pode deixar Neymar de fora do campeonato todo por sua “homofobia” no jogo.

Para aqueles que não entendem o problema da perseguição ao jogador brasileiro fica mais essa lição. Essa perseguição está relacionada à perseguição contra todo o futebol brasileiro, um problema econômico do imperialismo contra um país atrasado que domina o principal esporte do mundo. Por isso, o melhor jogador brasileiro na atualidade nunca tem razão.

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