Histeria de classe média
A esquerda exige dos jogadores de futebol aquilo que eles não são, enquanto enaltece canalhas, golpistas que a imprensa elegeu como políticos civilizados
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Neymar virou a personificação do mal | Arquivo

Quem são os maiores culpados pelas mazelas nacionais? Pelas 200 mil mortes por coronavírus e a contaminação que só piora em todos os estados do País? Pelos ataques brutais às condições de vida do povo brasileiro?

A julgar pelo que se lê na imprensa golpista e nos debates no meio da esquerda pequeno-burguesa, os culpados por tudo isso não são os políticos golpistas, que deram um golpe de Estado em 2016 e são responsáveis pela eleição do fascista Jair Bolsonaro.

Existem dois culpados eleitos: o primeiro é o povo, chamado de ignorante e irresponsável, o segundo é o jogador de futebol Neymar Jr. Essa é a conclusão óbvia que se chega ao ler atentamente os noticiários e as colunas de opinião nos principais jornais do País.

 

Embelezar os golpistas para poder apoiá-los na Câmara

 

O principal debate político atual é o problema da eleição no Congresso Nacional. O setor mais poderoso da burguesia, numa investida para controlar o governo Bolsonaro que ela mesma elegeu sustenta no governo, se esforça por constituir um bloco que seja capaz de vencer as eleições para a Mesa diretora da Câmara e do Senado.

Sob a liderança do golpista do DEM, Rodrigo Maia, foi lançada a candidatura do aliado de Michel Temer, Baleia Rossi (MDB), para a presidência da Câmara. Para o sucesso da manobra, a burguesia conta com os votos da esquerda parlamentar, que já se lançou a apoiar o bloco golpista.

Maia, Baleia e os golpistas são apresentados como grandes sujeitos, políticos responsáveis e civilizados, contra o bolsonarismo e seus excessos. A esquerda, para justificar seu apoio, segue a mesma orientação, é dissimulada e esconde o verdadeiro caráter do bloco de Maia. É um embelezamento do setor mais poderoso dos golpistas.

O principal pretexto para justificar esse embelezamento é apresentar o bloco de Maia como sendo oposicionista. “Esquecem” que Maia foi o cão de guarda do governo seu mandato na presidência da Câmara, sentou em cima dos quase 60 pedidos de impeachment e acelerou as votações de leis impopulares, as mais variadas possíveis. Baleia, inclusive, votou mais junto com o governo do que o próprio Artur Lira, o candidato de Bolsonaro. Parece mesmo que a real disputa é qual dos dois blocos é mais golpista e bolsonarista.

A esquerda também “esquece” que foi o bloco de Maia que deu o golpe em Dilma Rousseff, que articulou a prisão de Lula, que apoiou e elegeu Bolsonaro em 2018.

Todo esse “esquecimento” segue a orientação do que é dito na imprensa golpista, que está em campanha por Baleia. PT, PCdoB e PSOL(de forma disfarçada), apesar das divergências internas, estão no bloco de Maia.

 

Neymar é um monstro: o nojo da classe média ao futebol

 

No mesmo momento em que se discute tão ilibada votação entre os ratos, ou como diria Luiz Inácio, entre os picaretas do Congresso, um nome é apresentado como o próprio Satã na Terra.

Como é comum para um jogador de futebol milionário, Neymar inventou de dar uma festa de fim de ano. Diante da notícia, vimos um escândalo por parte da imprensa. Em coluna no jornal golpista O Globo, Anselmo Góis chegou a afirmar que a tal festa teria 500 convidados, informação que nunca se confirmou. A partir daí, até agora os jornais golpistas estão recheados de ataques ao jogador brasileiro.

Nas páginas de política, Maia e Baleia, os “santos que vão salvar o País”, nas páginas de esporte, que mais parecem colunas de fofoca, Neymar “irresponsável”, um “mau exemplo”, um “mau caráter”, um “ser desprezível”, tudo basicamente por ter dado uma festa.

O moralismo aqui é usado para atacar o jogador brasileiro. Este Diário vem chamando a atenção para a orientação política dos jornais golpistas que a cada brecha atacam o jogador e o futebol brasileiro. Tal orientação tem o objetivo de desmoralizar o melhor futebol do mundo, que é jogado por esse povo pobre e negro no Brasil. A campanha tem um objetivo político e econômico muito claro, trata-se da necessidade dos monopólios imperialistas europeus de impor o seu futebol.

Mas dessa vez, os ataques contra Neymar e o futebol tem outro objetivo bastante evidente. O destaque dado pelos moralistas para a suposta festa de Neymar é uma campanha para tirar da burguesia e dos governos a responsabilidade pela pandemia.

Neymar foi eleito a personificação do povo ignorante que em meio à pandemia prefere fazer festa e ir para a praia e que portanto é o responsável pelo agravamento da doença.

A burguesia e os governos não querem fazer nada para combater a pandemia. Não querem gastar com o povo. Mais ainda, o povo é obrigado a ir trabalhar e pegar o transporte lotado todos os dias, como se não houvesse mais pandemia.

Diante desse caos, a ideologia que está sendo difundida pela imprensa golpista é a de que a culpa é do povo. A festa de Neymar veio bem a calhar, o jogador está sendo apresentado como o exemplo de ignorância e alienação da população. Trata-se de uma manobra para eximir da culpa os verdadeiros responsáveis pela desgraça do País.

 

Uma esquerda orientada pela direita

 

E assim, da mesma maneira que a esquerda pequeno-burguesa trata de embelezar Baleia e Maia, ela adere à ideologia difundida pela direita de que a culpa pela pandemia é do povo.

Na medida que aumentam os ataques contra Neymar, a esquerda acompanha caninamente a campanha que é feita na imprensa golpista.

Por isso Neymar causa tanta revolta e Maia e Baleia Rossi não causam nenhuma revolta.

Neymar, jogador de futebol, é apresentado como se fosse o responsável pela pandemia, Maia, Baleia e sua turma de golpistas, políticos burgueses profissionais, são apresentados como os “civilizados”, oposição a Bolsonaro.

Exige-se do jogador que seja político, mas não se exige dos políticos que cumpram a sua obrigação como tais.

Esse é o sentido da histeria da pequena-burguesia contra Neymar. Enquanto os partidos da esquerda se enlameam no esgoto do Congresso Nacional, em busca de um cargo, o ódio da classe média, orientada pela imprensa golpista, se volta contra o jogador brasileiro, o futebol e contra o povo.

O moralismo da esquerda tem sua ironia: se escandaliza com uma festa feita por um jogador de futebol, mas não fica horrorizada com o verdadeiro prostíbulo que é o Congresso Nacional, aquele mesmo que, em nome da família, votou pela derrubada de Dilma.

Se Neymar faz festa ou aparece em fotos com a família Bolsonaro, isso não passa de uma demonstração de despolitização dele, que é só um jogador de futebol e deveria ser julgado como tal. Neymar não é deputado, não é governador, nem presidente e nem dirigente de partido de esquerda, esses sim deveriam ser cobrados e alvos do horror diante de uma política criminosa contra o povo. Esses sim deveriam ser – porque de fato são – responsabilizados pela pandemia.

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