É proibido defender o jogador?
Não importa o que faça Neymar, como o imperialismo proibiu, e a esquerda classe média não consegue elogiar o jogador, mesmo naquilo que ela mais gosta de fazer demagogia
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Neymar-racismo
Jogador postou foto em suas redes sociais. | Reprodução

Como já explicamos inúmeras vezes, a defesa que o PCO faz de Neymar como jogador de futebol é antes de tudo uma defesa do futebol brasileiro, que passa por defender o melhor jogador da atualidade. Há uma política direcionada pelo imperialismo, que usa como correia de transmissão a imprensa golpista e a classe média nacional – de esquerda e de direita – de atacar o futebol brasileiro por um problema econômico, é preciso dominar ideologicamente o brasileiro, desmoralizando o seu futebol, para facilitar a dominação econômica dos grandes monopólios imperialistas.

Portanto, essa defesa não tem relação direta com a personalidade de nenhum jogador em espacial nem mesmo com as opiniões políticas desses jogadores. Pelo contrário, procuramos mostrar que a avaliação de um bom jogador de futebol está desvinculada com a opinião política que ele tem. É assim na arte, é assim no futebol.

Na última terça-feira, dia 8, os jogadores do PSG e do time turco Istambul Basaksehir decidiram conjuntamente parar a partida denunciando racismo do quarto árbitro da partida contra o auxiliar técnico do time turco, o camaronês Pierre Webó, e a expulsão do atacante senegalês Demba Ba. Tal ato nunca havia acontecido na história da Liga dos Campeões, o jogo retornou apenas no dia seguinte, com nova arbitragem, com um protesto simbólico dos jogadores durante o hino, terminando com a vitória do PSG por 5 a 1.

Por se tratar do principal jogador da partida, o brasileiro Neymar esteve à frente, junto com o parceiro Mbappé, da iniciativa dos jogadores de interromperem o jogo.

Essa não foi a primeira vez que Neymar esteve envolvido em um caso de racismo. Em setembro, o jogador denunciou que o zagueiro espanhol, Álvaro González, do Olympique de Marselha, o chamara de macaco. Após se revoltar em campo, Neymar foi expulso. Neymar declarou que deveria ter feito o mesmo que fez agora naquela ocasião.

Afinal, desenvolvimento desse primeiro caso foi o mais absurdo possível. Neymar passou de acusador a acusado. Foi chamado primeiro de mentiroso, depois de homofóbico e assim, a liga francesa conseguiu colocar panos quentes no caso. A esquerda, que diz dar tanta importância à questão do negro, manteve-se em silêncio.

Os acontecimentos envolvendo Neymar provam de maneira bastante clara o que denunciamos sobre o imperialismo e o nosso futebol, principalmente pelo comportamento da esquerda pequeno-burguesa em relação ao fato.

Impregnada pela ideologia identitária, a esquerda se dedica a procurar casos em que ela possa colocar em prática essa política. Em nome dela, a esquerda defende a ideia absurda de que a vítima tem sempre razão, não importam as circunstâncias.

O problema é que esse princípio não está sendo aplicado no caso de Neymar. De um modo geral, mesmo diante do caso que ganhou repercussão mundial, a esquerda evita falar de Neymar. Muitos “optaram” por falar dos outros personagens envolvidos, outros chegaram a dizer que Neymar só fez aquilo para ganhar seguidores etc. Mas a grande questão é: a vítima não teria sempre razão? A luta identitária não está acima de tudo?

Por que então a esquerda, mesmo diante de tamanha demonstração, tem tanta dificuldade de elogiar o jogador brasileiro, inclusive dentro daquilo que ela considera seu padrão e comportamento?

A resposta está no que dissemos no início dessa coluna. Está proibido defender Neymar e o futebol brasileiro. Esse é o problema central.

Não vamos confundir a demagogia da imprensa burguesa e da própria burguesia no mundo todo em relação ao caso. Diferente da esquerda pequeno-burguesa colonizada, a burguesia tem o total controle da situação. Ela sabe que pode fazer demagogia identitária com a atitude de Neymar e ao mesmo tempo ter a classe média esquerdista controlada como marionete contra o futebol brasileiro.

Quando o assunto é Neymar, sempre haverá um senão. Até agora, um dos problemas para defender o jogador é o do que ele supostamente seria bolsonarista e sequer se considerava negro. Mas e agora, bolsonarista protesta contra o racismo? Como explicar isso? Neymar se considera negro ou não?

É por isso que para não ser manipulado é preciso ter princípios. Nós não defendemos Neymar pela sua opinião, embora tenha sido muito interessante o posicionamento do jogador nos dois casos recentes. Nós defendemos Neymar porque como princípio defendemos o futebol arte contra o futebol dos grandes monopólios imperialistas, seja qual foram as opiniões políticas dos jogadores brasileiros.

Por completa falta de princípios, a esquerda, que até ontem dizia que não se podia defender Neymar porque ele era “racista-bolsonarista-sonegador-milionário-machista”, continua na mesma posição agora que ele se apresenta com uma atitude que a esquerda adora elogiar e fazer demagogia.

Por isso, como já dissemos em outra oportunidade nesse jornal, quando se trata do posicionamento da esquerda classe média, para Neymar e o futebol brasileiro vale a máxima de Machado de Assis no conto O Alienista: “preso por ter cão, preso por não ter cão”, sempre arranjarão um motivo para criticá-lo.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas
Sobre o Autor
Publicidade
Últimas
Publicidade
Mais lidas hoje