Novos rumos do caso
Há um esforço para mostrar que o jogador brasileiro está mentindo no caso de racismo
Neymar-olhando-lance-PSG-720-EFE
Neymar está sempre errado. | Arquivo
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Neymar está sempre errado. | Arquivo

Segundo informações, a Federação Francesa de Futebol está investigando as imagens da discussão entre Neymar e o zagueiro Álvaro Gonzáles no jogo entre PSG e Olympique de Marselha para detectar se houve ofensas racistas por parte do zagueiro espanhol. Segundo as notícias, até agora não foi identificada tal coisa, embora ainda falte analisar mais imagens.

O que chama a atenção novamente é o esforço por desautorizar e desmoralizar as acusações de Neymar. Mais ainda, a imprensa traz a informação de que Neymar pode ter sido “homofóbico” com Gonzáles. As imagens teriam mostrado o brasileiro chamando o espanhol de “Maricón” (o equivalente a bicha em espanhol).

Com isso, a imprensa passou a noticiar o caso como um espécie de reviravolta. Quem pode ter sido politicamente incorreto agora é Neymar.

Esse esforço para contradizer Neymar foge do padrão de comportamento da própria burguesia e dos seus jornais atualmente. A questão do negro tem sido objeto de demagogia. A burguesia, maior responsável pelo genocídio do povo negro no mundo todo, quer se apresentar como defensora dos negros, jogando para o terreno dos costumes e da linguagem todo o problema da luta racial.

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Mas com Neymar não tem sido assim. Desde que apareceu denunciando o racismo que teria sofrido no jogo, a principal preocupação da imprensa foi primeiro colocar em dúvida, depois mostrar que o jogador agiu de maneira destemperada – Neymar foi expulso por dar um tapinha no zagueiro, falou que se arrependia de não ter lhe quebrado a cara -, agora procura virar o jogo e desmoralizar o jogador. Alguns, em particular os setores da esquerda identitária ainda procuram desmoraliza-lo dizendo que o jogador brasileiro nunca se considerou negro e é um apoiador de Bolsonaro.

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A grande questão que fica é se o mesmo tratamento seria dado se fosse outra pessoa no lugar de Neymar. Claro que não.

Da parte da esquerda, já explicamos neste Diário que quando o assunto é Neymar vem à tona a incoerência da esquerda identitária que defende a ideia que consideramos absurda de que a raça se sobressai à classe. Esses setores, no entanto, não levaram adiante essa idéia no caso Neymar.

Leia mais: A esquerda identitária que ataca Neymar e aplaude Kamala Harris

No caso da imprensa golpista e imperialista cada novo desenvolvimento do caso se transforma em um novo motivo para colocar em dúvida o que houve. O colunista da R7, portal ligado à bolsonarista rede Record, Cosme Rímoli, que parece dedicado a atacar Neymar, correu para acusar Neymar de homofóbico e citar acusações do tio de Álvaro Gonzáles.

A própria acusação de homofobia é pérfida. Insinuam que xingar alguém de gay é tão ofensivo quanto xingar um negro de macaco, o que não é verdade.

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Impossível saber o que exatamente cada jogador falou para o outro. Se Neymar está inventando ou se diz a verdade. Mas fato é que quando o assunto é Neymar, sempre haverá um esforço para mostrar que ele está errado. Ninguém explicou ainda porque Neymar ficou tão indignado ao dirigir-se ao árbitro da partida denunciando o racismo, dizendo “racismo, no”!”, seria Neymar tão bom ator? Nunca saberemos, mas já tem muito abutre se aproveitando da notícia para dizer que o jogador brasileiro é mentiroso e mau caráter.

A Neymar não foi dado o mesmo tratamento quando ele foi acusado de estupro. Naquele momento, Neymar foi considerado o culpado, mesmo com a história super estranha contata pela moça, que depois se revelou ser fraudulenta. Os que acusaram sumariamente o jogador, optaram pelo silêncio quando foi revelada a farsa. Agora, diante de uma denúncia de racismo, trocaram o julgamento sumário contra o acusado pela dúvida contra a suposta vítima.

E qual a intenção política disso: desmoralizar e neutralizar o melhor jogador brasileiro. É preciso parar o Brasil no futebol e para isso é necessário atacar o melhor jogador do País, desestabilizar os jogadores, convencer o brasileiro de que o que ele tem de melhor é na verdade horrível e assim, os capitalistas europeus têm mais facilidade para nos roubar.

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