Neto de golpista e sobrinho de torturador e estuprador: a sinistra história da família do general Etchegoyen, homem do golpe militar

As declarações dos principais generais à favor da intervenção militar no Rio de Janeiro, da licença aberta para matar impunemente, do abuso e da repressão contra o povo, não soam tão estranhas quando se pesquisa o passado de alguns desses militares. Em sua maioria, são parentes próximos de antigos golpistas e torturadores do exército, verdadeiros assassinos e criminosos.

Um exemplo disso é o caso do atual ministro do gabinete de Segurança Institucional do governo golpista de Michel Temer, o general Sérgio Etchegoyen. O militar que ocupa um posto fundamental no governo é hoje um dos principais articuladores do golpe militar e das ações do Exército no Rio e em outros estados.

Etchegoyen tem um passado familiar que faz inveja para qualquer torturador, fascista e sanguinário. Seu bisavô organizou o golpe contra o presidente Washington Luiz. Já seu avô, o general AlcidesEtchegoyen, foi um dos que assinaram um manifesto pela renúncia de Getúlio Vargas.

O pai de Etchegoyen, trabalhou pela derrubada de João Goulart em 1964. Já durante a ditadura militar, ele ainda foi Secretário de Segurança do Rio Grande do Sul e assessor do ditador Garrastazu Médici.

Além destes, mais um parente do atual ministro de Segurança Institucional do atual governo golpista, teve participação direta nos crimes e na violência do regime militar: o tio de Etchegoyen, Cyro. Este era coronel do Exército durante a ditadura e chefe de Contrainformações do Centro de Informações do Exército (CIE).

Cyro Etchegoyen era um dos responsáveis pela chamada “Casa da Morte”, um centro de tortura e morte clandestino localizado na cidade de Petrópolis no estado do Rio Janeiro.

A “Casa da Morte”

Localizada na rua Arthur Barbosa, número 668, a casa fica no alto de um morro no bairro do Caxambu. Era propriedade de um empresário alemão, Mario Lodders, o qual simpatizava com a ditadura e resolveu doá-la para o Exército.

Foi então que o local passou a ser utilizado como um verdadeiro centro de terror. Os militares levavam para a casa presos políticos dos movimentos de guerrilha. De lá nenhum saia vivo, como bem afirmou o major do Exército, Rubens Paim Sampaio, também um dos responsáveis pelo local.

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“Casa da Morte”: centro de tortura, estupros e assassinatos durante a ditadura. Localizada em Petrópolis, RJ

Estima-se que pelo menos 22 presos tenham sido literalmente trucidados na casa. Os militares torturavam os presos, as mulheres eram estupradas, os presos eram mortos e seus corpos eram esquartejados. Os restos mortais eram enterrados em valas clandestinas ao redor da residência.

A verdadeira função da casa só foi revelada após o depoimento de uma das presas políticas da ditadura,  Inês Etienne Romeu, militante e dirigente da organização VAR-Palmares. Inês foi presa, torturada e estuprada na casa. Única sobrevivente do local, conseguiu fugir e revelou o terror nos depoimentos à Comissão da Verdade.

A história de Inês é de uma total brutalidade. De acordo com seu depoimento, a prisioneira era obrigada pelos carcereiros, durante o inverno rigoroso de Petrópolis, onde a temperatura chega a menos 10°, a deitar nua no cimento molhado. Levou tantas bofetadas que seu rosto tornou-se irreconhecível. Durante esse período, a militante da VPR tentou por quatro vezes o suicídio, sendo mantida viva por médicos contratados pelos militares, a fim de que a tortura, os interrogatórios e as possíveis confissões sobre organização prosseguissem.

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Militante e ex-dirigente da organização VAR-Palmares: Inês Etienne Romeu

Em determinado momento, Inês foi comunicada por um de seus torturadores, que já não era mais útil como informante, mas que as torturas contra ela continuariam por puro sadismo dos militares e do ódio contra os guerrilheiros.

O coronel Cyro Ethegoyen era um dos cabeças do local. Sua função, além de torturar e estuprar, era forçar os presos políticos a se tornarem agentes infiltrados nas organizações guerrilheiras. Utilizando desse artifício, Inês conseguiu enganar o coronel Ethegoyen e escapou da “Casa da Morte”. A fuga da militante custou o posto de coronel para o militar.

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Comandante da “Casa da Morte”, Cyro Etchegoyen

Esses relatos e essas histórias revelam o passado e o verdadeiro caráter dos atuais generais brasileiros, como é o caso de Ethegoyen, o mesmo que declarou que a Comissão da Verdade era mentirosa, patética e leviana por denunciar o crime de seus entes queridos.

Filhos, netos e sobrinhos de torturadores, estupradores e assassinos, esses verdadeiros criminosos ocupam altos postos de comando da organização mais fortemente armada do país.

Em uma situação de aprofundamento do golpe de estado, não exitam em retomar as lições do passado familiar e agir para instaurar novamente um regime cruel, covarde e sanguinário contra todo o povo brasileiro.