Neonazistas desfilam em Madri
Em Madri, capital espanhola, centenas de neonazistas saem às ruas em comemoração a Divisão Azul.
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Neonazistas desfilam | Reprodução
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Neonazistas desfilam | Reprodução

A crise político-econômica cresce em todo o planeta. Na Europa, o recrudescimento da extrema-direita aumenta à medida em que o regime político desmorona e a burguesia não dispõe de uma solução democrática para os problemas do Estado. Como em outros momentos históricos, a cavalaria reacionária marcha sob o estandarte do fascismo. Em Madri, capital espanhola, centenas de neonazistas saem às ruas em comemoração a Divisão Azul.

Entoando palavras de ordem contra judeus e comunistas, cerca de 300 neonazistas marcharam no sábado, 13, até o cemitério de Almudena, homenageando a Divisão Azul de Francisco Franco “Generalíssimo”, responsável pelas maiores atrocidades contra as organizações da classe operária e a população espanhola durante 39 anos (1936-1975). O ato comemorou o 78º aniversário da Batalha de Krasny Bor, na qual a divisão espanhola participou a serviço da Wermacht, forças armadas do nazismo. Com gritos de “Avante Espanha”, os cães de guarda do desmoralizado regime burguês encontraram no antissemitismo uma maneira de agrupar os setores mais propensos à aderir ao movimento abertamente fascista. “É nosso supremo dever lutar pela Espanha e pela Europa, que agora se encontram fracas e liquidadas pelo inimigo, que é sempre o mesmo mas com máscaras diferentes: o judeu! Nada é mais correto do que essa afirmação”, diziam os reacionários. “O judeu é o culpado e a Divisão Azul lutou contra eles para livrar a Europa do comunismo, que é uma invenção judaica.”

Diferente com o ocorrido com o rapper Pablo Hasél, os burocratas do Ministério Público Estadual, escolhidos pelo atual governo, fizeram vista grossa e endossaram o movimento reacionário. Hasél, em entrevista à agência de notícias francesa AFP, um dia antes de sua prisão, disse que não se entregaria. “Eles terão que vir me sequestrar, e isso também servirá para retratar o Estado pelo que é: uma falsa democracia”, afirmou o rapper. Essa, no entanto, não é a primeira demonstração da parcialidade do judiciário espanhol. A Delegação do Governo de Madrid, recentemente, proibiu uma manifestação de aposentados e também um ato em defesa dos serviços públicos convocada por mais de 100 organizações. Nota-se, portanto, o caráter classista do MP espanhol. Assim como no Brasil – as instituições do regime burguês refletem os interesses das classes dominantes e expressam, em momentos de maior agudização política, o caráter reacionário do sistema capitalista.

O caso espanhol é apenas um dos diversos que têm ocorrido no velho continente. De acordo com Lucía Nistal, porta-voz da Corrente Revolucionária dos Trabalhadores e trabalhadoras de Madrid, “não podemos dar-lhes as ruas ou permitir que capitalizem o descontentamento social desta crise histórica do capitalismo. Esse descontentamento vem crescendo como consequência das constantes políticas neoliberais do governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e do Unidas Podemos que não satisfazem as necessidades de milhares de trabalhadores. Tais políticas servem apenas de resgate a grandes empresas e aplicam mais controle policial e repressão social”. Em suma, no caso espanhol, essa é a demonstração da Frente Ampla entre o PSOE e os partidos da burguesia – uma receita para o liquidacionismo.

“Não há outra forma de lutar contra a extrema direita do que uma grande frente única da classe trabalhadora e suas organizações para se enfrentar eles nas ruas, com um programa operário e anticapitalista que contemple as demandas democráticas mais elementares como o direito de protestar e o direito de decidir, entre outros ”, disse Nistal.

Como resultado da crise política e econômica da burguesia, a extrema-direita tem encontrado terreno fértil para seu crescimento na Europa, em particular na Espanha. A crise, no entanto, se aguça com as regiões que pedem separação e na Catalunha com a prisão de Pablo Hasél nesta terça-feira, 16, condenado por críticas à monarquia e às forças de segurança. Ao contrário do apoio dado aos fascistas, no caso do rapper, o desfecho foi diferente. Hasél encontra-se preso por expressar sua indignação contra o regime dito “democrático” espanhol. Pode-se concluir, portanto, que o regime democrático espanhol não passa de uma farsa. Como em todos os países, vigora a lei da selva: e os leões são os grandes capitalistas e os monopólios imperialistas.

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