Além da pandemia e desemprego
A reação dos setores mais poderosos da burguesia golpista ao “renda cidadã” foi imediata, evidenciando que nem mesmo essa miséria de “programa social”, ela está disposta a apoiar
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
São Paulo (SP), 15/06/2018 - Personagem: Paulo Guedes. Foto: Silvia Zamboni/Valor/Agência O Globo
Paulo Guedes, saiu em defesa da política dos banqueiros | Foto: Reprodução

Poucas semanas  após  reduzir de R$600 para R$300 o valor miserável do auxílio emergencial, o governo ilegítimo de Bolsonaro decretou que  mais de 21 milhões de brasileiros ficassem de fora da sua cobertura (44% dos antigos beneficiados), pois seu pagamento só irá até dezembro e anunciou que estava planejando a criação de um programa social, o renda cidadã.

Segundo bolsonaristas do governo e do Congresso, essa proposta estava sendo pensado para atender, a partir de janeiro, apenas 10 milhões de pessoas, o que equivale a cerca de 20% dos quase 50 milhões que chegaram a receber o auxílio emergencial e teria um valor em torno de , no máximo, R$200.

O anúncio dos planos para implementar essa medida miserável – de tapeação do povo – que reflete a preocupação do governo com o caráter explosivo da situação de fome e miséria, levantou uma ampla reação sobre o seu financiamento e até mesmo sobre a sua viabilidade por parte das alas da burguesia que disputam acirradamente o controle do Estado brasileiro, o comando da ofensiva contra as massas pobres.

Por um lado, Bolsonaro e alguns dos seus aliados procuraram defender a medida – que lhe traria possíveis dividendos eleitorais – defendo que fossem retirados recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico) e dos precatórios previstos para serem pagos no próximo ano.

A reação dos setores mais poderosos da burguesia golpista foi imediata, evidenciando que nem mesmo essa miséria de “programa social”, ela está disposta a apoiar.

O “Mercado” reagiu com novas quedas da Bolsa de Valores e integrantes do governo e do regime político se opuseram à proposta anunciada pelo presidente ilegítimo e por parlamentares de sua base. O próprio ministro da Economia saiu à campo se opondo à elevação dos gastos públicos, da mesma forma que o general  vice-presidente golpista Hamilton Mourão e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Em quase toda a imprensa golpista levantou-se uma enorme campanha contra a proposta.

Ficou evidente que, diante do agravamento da crise econômica, conduz o País para a maior recessão de sua história, com queda estimada do PIB da ordem de 6%, neste ano, acompanhada por enorme retração da economia mundial, a burguesia não vê com bons olhos fazer qualquer concessão – por menor que seja – à população miserável. Sua política é simplesmente, “deixar morrer” para salvar os bancos e grandes monopólios, custe o que custar.

Ante o recorde de falências, drástica redução na produção, fuga de capitais de mais de US$54,5 bilhões nos últimos 12 meses etc. os bilionários (que viram sua fortuna crescer na pandemia) nem querem pensar em política assistencial. Para conter o povo, apoiam (por hora) Bolsonaro para que reprima e contenha o povo e não para que faça demagogia com recursos do Estado que desejam abocanhar.

Daí decorre também a intensa e acirrada luta política entre as frações da burguesia nas eleições atuais, com o aparato jurídico e policial do Estado sendo usado como arma de uma fração contra outra, como se vê nos casos do Rio de Janeiro, Pará e Santa Catarina, entre outros, em uma autêntica guerra de quadrilhas.

A burguesia quer usar uma parcela dos recursos públicos para conter a situação  e garantir sua base social, ameaçada de erosão diante da perda de apoio entre setores da classe média e mesmo em setores da burguesia diante de sua impotência diante da crise econômica. A burguesia, no entanto, não aceita que diante deste cenário, de aprofundamento dos antagonismos de classes, o bolsonarismo queira usar dinheiro público para qualquer fim que não seja os interesses dos próprios capitalistas.

Essa crise e divisão da direita precisam ser usadas pelos trabalhadores e suas organizações de luta, pela esquerda, para impulsionar uma perspectiva própria diante da situação, para defender os interesses dos explorados, totalmente opostos aos da burguesia: que pereçam os bancos e os grandes capitalistas para evitar a morte e a fome de milhões.

Para isso, é necessário superar a política de setores da própria esquerda burguesa e pequeno burguesa que apontam, única e exclusivamente, em direção a uma política de capitulação diante dos ataques da direita e de conciliação com as diferentes alas da burguesia o que se expressa, inclusive, nas alianças dos partidos de esquerda com a direita tradicional e até com os partidos da extrema direita.

Uma tarefa central, neste momento, é a luta contra as ilusões eleitorais dessa esquerda e a busca da unidade em torno de uma perspectiva de luta frente à saída reacionária da direita, tendo como eixos a luta pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas, pela devolução dos direitos políticos do ex-presidente Lula e a defesa de sua candidatura presidencial.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas