Estado racista
Meras ações pontuais e que não alteram em nada a situação do negro não são aceitas pelo regime político burguês
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Luiza Trajano, capitalista bilionária e exploradora que comanda a Magazine Luiza | Foto: Guillermo Gutierrez/Bloomberg

Após ter programa de ação afirmativa denunciado 11 vezes no Ministério Público do Trabalho, um membro da Defensoria Pública da União, que teoricamente deveria zelar pela defesa dos necessitados, o defensor público federal, Jovino Bento Junior, entrou com uma ação civil pública para impedir que a a empresa capitalista Magazine Luiza possa realizar o processo processo seletivo para trainees exclusivamente para negros, pedindo R$ 10 milhões de indenização por danos morais coletivos.

Segundo o defensor, um elemento notadamente de extrema direita: “a contratação exclusiva de trabalhadores de determinada raça ou etnia em detrimento de outras, ao invés de promover igualdade de oportunidades, gera exclusão de determinados (muitos, no caso) grupos de trabalhadores”.

O argumento é mero malabarismo retórico da direita, servindo apenas para reforçar a opressão do negro. É evidente que a igualdade entre negro e brancos é puramente formal, não existindo na realidade. O negro é excluído sistematicamente dos processos seletivos de cargos de chefia e inclusive excluído, pela própria estrutura social, não legalmente, de ramos inteiros de atividades profissionais, esse é um fato.

A ação afirmativa anunciada pela gigante varejista, uma das maiores empresas privadas do país que anunciou o programa voltado à negros pequeno-burgueses, além de causar grande repercussão, mostrou uma vez mais que o regime político brasileiro, notadamente o regime golpista, não comporta nem mesmo medidas pontuais e demagógicas, que visem atenuar a opressão contra o negro, ainda que seja em escala microscópica e que não alterem em nada o quadro geral.

Nesse sentido não se trata de uma política racista contra o branco, mas, supostamente, de inclusão. A extrema-direita e setores da direita tradicional veem com ojeriza qualquer abertura, mínima que seja para a inclusão do negro na sociedade capitalista em pé de igualdade com o branco. Temem que os fundamentos da sociedade capitalista brasileira tal como se apresenta sejam solapados pela pressão das massas negras excluídas, por isso apostam na ditadura contra o negro, temem que um processo de abertura qualquer acelerem a luta e a organização deste enorme setor oprimido.

Porém, diferentemente do entusiasmo excessivo com que de setores receberam a notícia do programa da “Magalu”, não se trata de uma ação transformadora, de compromisso com a igualdade racial, é um mero verniz, uma demagogia é grande medida. No caso do Magazine Luiza trata-se apenas de 20 vagas e se somarmos sinalização de outras empresa nesse sentido não chegamos a uma centena.

Mas essa iniciativa da burguesia revela que há um setor da própria burguesia, da direita que vê com preocupação a questão racial e procuram, além da repressão, conter a luta e a rebelião dos negros, sobretudo ao ver as mobilizações nos EUA, com uma pequena abertura para certos setores da população negra como meio de descomprimir a pressão que a luta democrática do negro exerce sobre a estrutura política e econômica nacional, para que não chegue a uma rebelião, sobretudo, nesse momento de crise.

Essa posição da burguesia entra em choque com a estrutura racista do Estado, com a extrema-direita e setores da direita tradicional que não aceitam nada que não seja a repressão violenta manter a opressão e a exploração do negro. Esses fatos mostram muito bem que a luta do negro é contra toda a burguesia, nenhuma política das duas alas da burguesia serve integralmente ao interesses do povo negro evidentemente, e contra o regime político-econômico burguês que não comporta nem minimamente os direitos democráticos do povo negro.

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