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Da redação – As trocas de mensagens entre Deltan Dallagnol e Sergio Moro reveladas por matérias do The Intercept Brasil apontaram que nem mesmo convicção o procurador da Lava-Jato tinha nos dias anteriores à acusação de Lula no caso do triplex.

Quatro dias antes, Dallagnol demonstrou insegurança sobre a ligação entre a Petrobras e enriquecimento de Lula com base em reportagens da peça de acusação. Era essencial que a relação entre o apartamento no Guarujá e a corrupção da estatal vingasse para que o caso do ex-presidente fosse julgado pela força-tarefa de Curitiba, e caísse na mão do então juiz Moro.

Para o “alívio” do procurador, no grupo de mensagens de seus pares da operação ressurgiu uma matéria do jornal O Globo, de 2010, em que constava a relação de Lula e Marisa Letícia com a Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), responsável pela entrega de um apartamento no Guarujá, mas que, por motivo de falência, deixou o casal, e os demais participantes, na espera por anos. A solução encontrada pelos cooperados foi entregar o empreendimento à construtora OAS, para que concluísse o projeto paralisado.

E foi assim, com uma matéria simples e sem ligação alguma com a Petrobras, que Dallagnol adquiriu sua “convicção” para acusar Lula de ser o responsável por toda a corrupção na estatal brasileira. Uma vez exposta a troca interna das mensagens dos procuradores da Lava-Jato, fica evidente a necessidade de encontrar uma forma de relacionar Lula à operação, onde já estava condenado antes mesmo da denúncia sequer existir.

O caso foi um grande blefe baseado em matérias da imprensa burguesa para atingir o objetivo de levar o caso até Sergio Moro, que acordado com os procuradores, trataria de condenar e impedir Lula de concorrer nas eleições, ganhando assim seu cargo de Ministro da Justiça e uma promessa de indicação para o STF.