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Nem a Igreja se salva: governo Bolsonaro está monitorando bispos católicos
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Nem a Igreja se salva: governo Bolsonaro está monitorando bispos católicos
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Segundo matéria recente do jornal golpista O Estado de S. Paulo, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e comandos militares diretamente ligados ao regime político estariam preocupados com um suposto avanço de setores da Igreja Católica rumo à construção de uma oposição organizada ao governo Bolsonaro. Para a equipe de governo de Jair Bolsonaro, a Igreja Católica estaria se preparando para influenciar em debates no interior do país e nas periferias.

O motivo que a Abin utilizou para justificar o interesse da Igreja em se confrontar com o governo Bolsonaro foi o encontro de bispos brasileiros com o Papa Francisco para discutir a realização do Sínodo sobre a Amazônia. O evento, que ocorrerá em Roma e deverá durar 23 dias, terá como objetivo debater a situação da região amazônica, principalmente temas como quilombolas, povos indígenas e mudanças climáticas.

A discussão da situação da Amazônia, nesse momento, não interessa minimamente aos capitalistas. O programa da burguesia para a Amazônia no governo Bolsonaro é a entrega total do patrimônio nacional para o imperialismo – o que, inevitavelmente, levará ao massacre de índios e quilombolas e a uma devastação conduzida pelo lucro capitalista. Por isso, os bolsonaristas consideram que o Sínodo sobre a Amazônia deverá ter um impacto negativo para o governo brasileiro.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general carniceiro Augusto Heleno, declarou que a realização do Sínodo seria uma “interferência em assunto interno do Brasil”. Trata-se, obviamente, de pura hipocrisia dos bolsonaristas, pois o próprio Bolsonaro havia dito que a Amazônia não pertence aos brasileiros. A oposição do GSI ao evento se dá apenas porque a discussão pode colocar o governo Bolsonaro em uma situação de constrangimento diplomático.

A oposição do GSI ao Sínodo não se expressa somente nas palavras do general Heleno, mas sim revela que a ditadura da burguesia se aprofunda rapidamente para um regime com características semelhantes à ditadura militar de 1964-1985. Segundo o próprio GSI, escritórios da ABIN e comandos militares de várias cidades do Norte brasileiro estão sendo mobilizados para monitorar ONGs e ambientalistas e espionar as reuniões preparatórias para o Sínodo.

A Igreja Católica não é uma instituição da esquerda. Muito pelo contrário: é uma instituição conservadora, aliada da propriedade privada, e desempenha um importante papel na luta contra reivindicações históricas da esquerda, como no caso do aborto. No entanto, como a Igreja abarca uma série de setores que realizam algum tipo de trabalho social, algumas organizações católicas possuem relações com o PT e entram em contradições com determinados interesses da direita, como é o caso da Comissão Pastoral da Terra (CPT). A ofensiva do governo Bolsonaro contra a Igreja Católica, portanto, demonstra que a burguesia está disposta a censurar, monitorar e atacar todo e qualquer organização que não esteja perfeitamente alinhada com os seus interesses.