Incentivador de cineastas
O cineasta que mostrou a importância do cinema nas pautas das lutas contra a opressão
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Nelson
8ª CINEOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto | Foto: Leo Lara/Universo Produção

O cineasta Nelson Pereira dos Santos cravou na memória do cinema brasileiro, uma história apreciável de filmes, que apresentavam a realidade social do país, desde os anos 50. Ele nasceu nos idos de 1928 em São Paulo e já bem jovem demonstrava que tinha habilidade para as artes. Mesmo na adolescência, Nelson carregava consigo o desejo de uma sociedade igualitária. Aos 15 anos ingressou no Partido Comunista Brasileiro, considerado clandestino pela ditadura de Vargas, onde conviveu com intelectuais formadores de opinião, como Astrogildo Pereira.

Sua primeira iniciativa como cineasta começa em 1950, quando realizou um documentário da história do PCB. Este documentário que tratava de momentos contundentes do PCB no ambiente de caças as bruxas foi requisitado pelas lideranças do partido. Devido sua notável habilidade na arte do discurso, escolheu a área de direito para construir o seu futuro. Nelson Pereira foi graduado em 1952, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

No entanto, a sua vida muda de rumo quando vai para o Rio de Janeiro, atuando como assistente de direção no filme “Balança, Mas Não Cai”, cujo gênero era comedia. A partir dessa experiência, foi chamado para trabalhar como assistente direção em outros filmes. Viajou para Europa objetivando estudar na IDHEC, uma escola tipicamente francesa que formava cineastas. Esta experiência na França foi interessante para atuar como crítico, mas, segundo ele, os resultados dessa formação não foi muito bem o que ele esperava.

Do ponto de vista da formação como cineasta, o primeiro longa-metragem foi no filme “Rio, 40 Graus”, que teve censura prévia. O filme foi detido durante meses na polícia, por uma figura dantesca chamada Geraldo Menezes Côrtes, um coronel frustrado, que alegou problemas de conteúdo enganoso no texto – “… a temperatura do Rio de Janeiro para ele nunca chegou a 40ºC”. A justificativa bizarra das motivações da censura tomou o Brasil, causando uma comoção popular para liberação do longa-metragem. Como já era de esperar os “pequenos burgueses” da época adentrou nas salas de cinemas luxuosas do Rio de Janeiro para se apropriar do conteúdo politico que o filme arbitrava, mas mesmo assim o filme não teve a notoriedade financeira esperada.

Apesar do conflito inicial da carreira como cineasta por conta de turbulência políticas, a polêmica agradou alguns jovens intelectuais do Brasil, em função da temática que tinha no corpo do filme. Esta juventude mobilizada criou o movimento chamado “Cinema Novo” brasileiro. Uma figura marcante do cinema que se destacou foi o jovem Glauber Rocha, que ao longo do tempo se tornou parceiro e amigo de Nelson Pereira.

Na amizade nasceram novas propostas de filmes tal como “Barravento”, que em 1962 foi o primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, sobretudo o outro longa-metragem em seguida de Nelson Pereira “Rio, Zona Norte”, que se tornou também um divisor de águas do Cinema Novo. O contexto social, econômico e político da época abriam tantas possibilidades para o desenvolvimento do cinema novo, que Nelson Pereira rapidamente foi considerado uma referência intelectual que todos queriam dialogar.

A experiência de professor dos cineastas jovens, a partir de bate papo, orientações, etc., faz Nelson Pereira se encaminhar para vida acadêmica, tendo sido membro do corpo docente na Universidade de Brasília, em 1968. Posteriormente, fundou o Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense, que oferecia graduação em Cinema. Esta notória carreira de trabalho abriram as portas da Academia Brasileira de Letras (ABL) onde ocupou a cadeira 7 do patrono Castro Alves.

Os filmes de Nelson foram muitos, cabendo aqui refletir sobre a contribuição do cinema crítico na vida da sociedade, com temáticas densas e com alta capilaridade nos problemas brasileiros. Em destaque podemos citar: Vidas Secas, em 1963; El Justiceiro, em 1967; Amuleto de Ogum, em 1974; Tenda dos Milagres, em 1977; Jubiabá, em 1987; Cinema de Lágrimas, em 1995; Casa Grande & Senzala, em 2000, e muitos outros filmes e documentários.

Sua morte em 2018 representa uma grande perda para o cinema brasileiro. Porém, a sua memória está cravada em cada obra e em cada ensinamento, tanto que em 2019 sua memória foi homenageada pelo imperialismo no Oscar, como se fosse uma moeda de troca. Na verdade, o que ficou foram filmes periféricos denunciando as amarguras do sistema capitalista nefasto. Estas contribuições revolucionárias são excelentes para formação de jovens cineastas.

Portanto, Nelson Pereira dos Santos e o cinema novo como um todo sempre tiveram um foco político na luta dos trabalhadores, dos oprimidos, ou seja, um cinema político que busca dar voz aos excluídos. A própria técnica do cinema novo requer um cinema com poucos recursos, em contraposição à estética comercial e cara do cinema dos EUA. A crítica a esse cinema é que sempre foi mais uma temática das questões dos excluídos e da luta política da esquerda, mas nunca alcançou o espectador das classes trabalhadoras, pois é um cinema experimental feito por intelectuais “pequenos burgueses”, não é um cinema de fácil acesso. Serviu como denúncia à ditadura e à opressão, mas tudo se deu a partir da classe intelectual. Enfim, mas em plena ditadura, já era algo muito importante como denúncia. Depois os diretores do próprio cinema novo, como Glauber, por exemplo, vai refletir e dizer que o cinema não muda a realidade política, só o povo em revolução é capaz de tanto.

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