Poeta da classe trabalhadora
Nascimento de Grande Sambista Carioca completa 109 anos. Canções que expressam os sentimentos e a angústia da vida estão presentes na rodas de sambas pelo Brasil
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Nelson Cavaquinho | Fernado Carmo site Flick

Hoje, se Nelson Antonio da Silva fosse vivo, completaria 109 anos de vida. Contudo, acabou por falecer em 18 de fevereiro de 1986, seis dias depois de ver sua escola de samba campeã do carnaval em razão das complicações de uma enfisema pulmonar. Entretanto, quem gosta de frequentar as rodas de samba, sabe que ele continua bastante vivo na memória dos amantes da musica brasileira. Músicas como “a Flor e o Espinho”, “Juízo Final”, “Folhas Secas” fazem parte obrigatória das melhores rodas de samba.

Nelson Cavaquinho como sempre foi conhecido, filho de um contramestre da Banda da Polícia Militar e de uma lavadeira do Convento de Santa Teresa, se notabilizou na juventude pela maneira que tocava o instrumento com dois dedos da mão direita. Técnica que levou para o violão.

Segundo o Dicionário Cravo Alvin, o pai da sua noiva, Alice Ferreira Neves, conseguiu que ele entrasse na Cavalaria da Policia Militar. Das rondas montadas nas ruas do Morro da Mangueira brotou as amizades com Carlos Cachaça e Cartola entre outros além de várias punições já que o seu cavalo voltava sozinho, enquanto ele ficava nas rodas de samba e na boemia. O tempo de prisão no batalhão produziu a obra “Entre a cruz e a espada”.

A carreira artística de Cavaquinho assim como a sua vida foram cheias de subidas e descidas. Em 1939 teve a sua primeira música gravada pelo cantor Alcides Gerardi sem repercussão, época que já tinha saído da Policia para não ser expulso. Esta foi a primeira gravação, tendo músicas gravadas por Cyro Monteiro, Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso. Estas gravações não garantiam o seu sustento, completado por show em bares pelos subúrbios.

Em 1952 se mudou para o morro para a Mangueira em 1952, já separado de Alice, pai de quatro filhos. Desta época é o inicio da sua parceria com Guilherme de Brito. Em 1957 o cantor Raul Moreno realizou a primeira gravação de “A Flor e o Espinho”, fruto daquela parceria. Música que seria gravada depois por Elizeth Cardoso (1965), Maria Bethânia (2019).

Em 1961 participa dos shows do restaurante de Cartola na Rua da Carioca no centro do Rio, forma o grupo “A Voz do Morro” com Cartola, Nuno Veloso, Zé Kéti e Jorge Santana que infelizmente só teve uma aparição em um programa de televisão.

Após o inicio da ditadura militar, Elizeth Cardoso grava dois discos que possuem composições dele.  Em 1966 Nara Leão grava “Pranto de poeta” (c/ Guilherme de Brito) e a cantora Thelma Soares lança um disco só composições de Cavaquinho, sendo que ele já tinha passado a tocar violão. Neste disco ele interpreta “Cuidado com a outra” (c/ Augusto Tomás Júnior), “História de um valente” (c/ José Ribeiro de Souza) e “Rei sem trono” (c/ Alberto Jesus). E junto com Moreira da Silva e João do Vale, apresentou o show “A voz do povo”.

Em 1970, lançou, pela etiqueta Castelinho, o seu primeiro LP, “Depoimento de poeta” que seria relançado em 1974 pela Continental.

Nelson Cavaquinho lançou poucos discos. Além do primeiro, a gravadora RCA Vitor “Nelson Cavaquinho-Série Documento” em 1972. A gravadora Odeon lançou “Nelson Cavaquinho” em 1973. Já no fim da vida foi lançado o LP “Flores em vida”. O disco contou com a participação de vários artistas, entre eles Chico Buarque, Mauro Duarte, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, João Bosco e Toquinho.

Suas composições retratam as desventuras da vida, desamores, despedidas e morte com grande melancolia ainda que tenha se conduzido sempre com simplicidade e leveza.

É possível conhecer esse grande poeta e compositor, retrato da classe trabalhadora brasileira, tanto no documentário curta metragem de Leon Hirszman de 1969, como nas gravações disponíveis na internet.

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