Negros: por que defender a liberdade de Lula e o Fora Bolsonaro?

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Desde 2008, o imperialismo vem organizando uma nova ofensiva contra os governos nacionalistas burgueses da América Larina. Logo em 2009, o presidente de Honduras Manoel Zelaya foi destituído por um golpe militar. Daí em diante, vários outros países, como no caso do Paraguai, sofreram um golpe para que fosse imposto um presidente pró-imperialista, ou estão sofrendo tentativas de golpe, como no caso da Venezuela e da Nicarágua. O Brasil, obviamente, não ficou de fora das tramas do imperialsimo.

Em 2016, a presidenta Dilma Rousseff foi derrubada por um golpe dado em conjunto pelo parlamento, pela imprensa golpista, pelo Judiciário e pelas próprias Forças Armadas. Desde então, o golpe vem se aprofundando, levando o maior líder popular do país, o ex-presidente Lula, à cadeia e um fascista à presidência da República.

A derrubada de Dilma Rousseff, a prisão de Lula e o governo Bolsonaro foram organizados pelo imperialismo com um determinado objetivo: criar condições para impor um ataque duríssimo à população. Cada vez mais, o Estado se encontra sob o domínio dos setores mais reacionários da burguesia. E, cada vez mais, esses setores avançam no sentido de criar condições para agir com mais arbitrariedade. Em muitas situações, o atual regime político se comporta como uma ditadura.

Para o povo negro, o endurecimento do regime político é um atentado claro às suas condições de vida. Após o golpe, o massacre dos negros na periferia pela Polícia Militar aumentou drasticamente. As cotas raciais estão ameaçadas de serem completamente extintas – a extrema-direita, nazista, pede o fim das cotas, enquanto a imprensa burguesa, cinicamente, faz campanha pela instauração de um tribunal racial que determine quem é negro e quem não é.

O desemprego que cresce a cada dia no país atinge ainda mais os negros. A população carcerária, que aumenta a cada dia diante da política de encarceramento da direita e diante do fortalecimento dos aparatos de repressão, é majoritariamente negra. Na medida em que a direita ataca mais a população, a burguesia investe anda mais na repressão, de modo a evitar que a situação saia de controle. Os reprimidos sempre são os trabalhadores e a população pobre em geral, que são, em esmagadora maioria, negros.

A ofensiva do imperialismo contra os direitos democráticos e contra as condições de vida da população só poderá ser freada por meio de um enfrentamento decidido das massas contra seus algozes. É preciso, portanto, que os negros se aliem aos trabalhadores e todos os explorados para travar uma luta que permita colocar a direita contra a parede e pôr o regime político abaixo.

Essa luta, por sua vez, passa obrigatoriamente por duas palavras de ordem centrais: a liberdade de Lula e o fora Bolsonaro. Sem derrubar o governo ilegítimo de Bolsonaro, imposto por meio de uma fraude para atender aos interesses dos capitalistas, os ataques não irão cessar. Se muito pressionados pelo movimento popular, o governo Bolsonaro poderá recuar diante de uma ou outra reivindicação. No entanto, assim que perceber que a situação lhe é favorável, não hesitará em atacar os trabalhadores.

Derrubar o governo Bolsonaro, por sua vez, não é o suficiente para liquidar o regime político golpista. Afinal, a burguesia tem a sua própria solução para o caso de o governo Bolsonaro se tornar completamente inviável. A direita pode, por exemplo, colocar o vice-presidente Hamilton Mourão no poder. Por isso, é preciso exigir que o maior líder popular do país seja solto, isto é, que o ex-presidente Lula saia das masmorras de Curitiba e dê ao movimento a força necessária para enfrentar todos os golpistas.