Como em Auschwitz
Tal como faziam os nazistas, João Doria quer utilizar os 30 mil habitantes de Serrana (SP) como cobaias para experimentos com vacina contestada
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Doria quer fazer experimentos humanos com 30 mil moradores de Serrana (SP) | Foto: Reprodução
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Doria quer fazer experimentos humanos com 30 mil moradores de Serrana (SP) | Foto: Reprodução

O governador João Doria (PSDB) e o Instituto Butantan vão dar início, em 17 de fevereiro, a um experimento com a  população da cidade de Serrana, município do interior de São Paulo localizado perto de Ribeirão Preto, na aplicação do “projeto S”, até o momento mantido em segredo pelas autoridades estaduais.

Ao redor de 30 mil moradores da cidade serão vacinados, o que representa toda a população adulta do município, que tem o total de 43 mil habitantes. A finalidade de Doria é analisar o efeito da vacina sobre o avanço da pandemia, que escalou no número de infecções, óbitos e ocupação dos leitos de UTIs.

O motivo de escolha de Serrana é seu alto nível de contaminação, com 5% da população infectada oficialmente. Como a cidade é pequena, mas tem uma boa movimentação de pessoas, a circulação do vírus é facilitada. Isso forneceria, segundo o governo estadual, um cenário ideal para monitorar a situação.

Deve-se dizer que o chamado projeto S é um verdadeiro escândalo. O governo de São Paulo quer utilizar a população para fazer experimentos humanos em relação à eficiência da vacina. Sem ter a menor consciência disso, os moradores de Serrana estão prestes a se tornarem cobaias de João Doria, que quer testar a vacina cujo índice de eficácia é de pouco mais de 49%.

Tal como Hitler

Os campos de concentração nazistas eram utilizados para realizar testagem de novos medicamentos em seres humanos, verificar a eficácia de substâncias, fazer experimentos em partes dos corpos. A população encarcerada era forçada a se submeter aos planos dos nazistas. No caso de João Doria, torna-se ainda mais evidente sua similaridade com os nazistas, uma vez que propõe que 30 mil habitantes de Serrana sejam cobaias humanas para testar a Coronavac.

Salta aos olhos a manipulação promovida por Doria, apoiada pela imprensa capitalista, em relação ao problema da vacina. Para forçar sua aprovação rápida em concorrência eleitoral com Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido), possível adversário do tucano nas eleições presidenciais de 2022, a Anvisa aceitou o registro da Coronavac e indicou que seu índice de eficácia era de 50%, quando se sabe que é de 49%. A ideia era aprovar o mais rápido possível o medicamento para que Doria pudesse lançar sua campanha eleitoral e ganhar dividendos políticos como o primeiro a iniciar a campanha de vacinação no Brasil.

Isto porque os políticos burgueses fazem questão de ressaltar que as instituições são neutras, impermeáveis a pressões políticas, geridas por critérios técnicos e, pela moda atual, científicos.

A aplicação de testes na população da cidade inteira é um crime de João Doria.  A eficácia da vacina não é garantida, há muita controvérsia nos meios científicos sobre a Coronavac. E, se há comprovação da eficácia do medicamento, qual o sentido de implementar o Projeto S?

Os tucanos buscam se travestir de “científicos”, “anti-negacionistas” e apologistas da “democracia contra o autoritarismo”, mas na verdade são iguais ou até piores que os nazistas, pois se escondem sob o rótulo de “democratas”. Em São Paulo, o sistema prisional – inteiramente construído pelo PSDB nos últimos 30 anos –  é uma rede capilarizada de campos de concentração. A população prisional é submetida às piores condições de vida possíveis, tem seus direitos democráticos violados e é oprimida pelo aparelho de repressão estatal (agentes carcerários, PM, Polícia Civil, polícia penal). Via de regra, os presos e suas famílias são condenados ao martírio e agonia.

A Polícia Militar de São Paulo é similar às forças de repressão do Estado nazista. Ela é especializada em torturar, assassinar e violar os direitos democráticos da população. Os massacres mais conhecidos do Brasil foram cometidos pela PM, uma obra do PSDB.

É preciso denunciar o experimento humano promovido pelo governo João Doria e o Instituto Butatan com 30 mil  habitantes de Serrana. Não se pode naturalizar que as pessoas sejam utilizadas como cobaias humanas para testes com o medicamento. Isso significa abrir uma brecha para que todos os tipos de arbitrariedades sejam levadas adiante pelo governo, inclusive as mais terríveis que se possa imaginar.

Doria quer se promover para ganhar a presidência da República em 2022. A questão da vacina é vista como uma oportunidade para ganhar alguma popularidade, já que o político tucano é odiado e goza de uma ampla rejeição em São Paulo. Suas duas eleições, a primeira para a prefeitura da capital e a segunda para o governo estadual, foram resultados de manipulações por parte da imprensa burguesa e do domínio que os tucanos têm da máquina pública em São Paulo, a mais poderosa do País.

Os experimentos humanos previstos no Projeto S devem ser denunciados amplamente. É de se imaginar o espanto dos  serranenses quando descobrirem que foram cobaias de experimentos realizados pelo governo e autoridades sanitárias.

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