Modernismo brasileiro
Oscar Niemeyer foi um dos maiores arquitetos do Brasil e do mundo
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Igreja Pampulha
A obra-prima inovadora de Oscar Niemeyer, a Igreja da Pampulha. | Foto: Antonio Thomás Koenigkam

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho nasceu em 15 de novembro de 1907 no bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro. Filho de uma importante família de classe média alta, sempre morou com seu avó que foi Juiz e tornou-se posteriormente Ministro do Supremo Tribunal na época de sua infância. Com isso, a família sempre obteve muitos contatos e possuía um padrão de vida que permitiu o desenvolvimento de uma boa educação formal e artística para Niemeyer e sua família.

O arquiteto retratava o contato que tinha com a música no ambiente familiar, a aversão à religião desde o colégio católico barnabita que estudou, a juventude boêmia que curtiu no bairro da Lapa, tradicional bairro boêmio do Rio de Janeiro, entre outros coisas que expuseram Oscar Niemeyer à um ambiente criativo e intenso. Mais tarde, estes elementos seriam capturados em uma representação ao mesmo tempo internacionalista, mas também tipicamente brasileira de arte no espaço da arquitetura.

O interesse em arquitetura foi estimulado pelo trabalho em tipografia com seu pai ainda na sua juventude. Dois anos depois, em 1930, o futuro grande arquiteto ingressa na Escola Nacional de Belas Artes. Agora como parte ingressante na acadêmia, vê-se entre o debate conflituoso dos modernistas que lutam para fazer avançar as ideias modernistas e os acadêmicos mais tradicionais, típicos burocratas. Conhece na Belas Artes artistas que mais tarde seriam conhecidos como a “escola carioca” de arquitetura, como por exemplo, Carlos Bittencourt, João Cavalcanti, Hélio de Uchôa e Fernando de Britto.

Em seu quarto ano de estudos sobre arquitetura, Niemeyer conhece Lúcio Costa, o Ex-Diretor da Escola Nacional de Belas Artes e principal defensor do modernismo na arquitetura à época. O arquiteto mais experiente estava também a escrever seu texto Razões da Arquitetura Moderna que hoje é um dos principais textos para a afirmação do modernismo na arquitetura. O conteúdo difundia a posição de que o modernismo no Brasil deveria ter inspiração internacional porém com as características brasileiras.

Após se conhecerem e ter acesso ao escritório, Oscar se oferece para estagiar de graça com Lúcio Costa que o aceita. Na visita do suíço Le Corbusier ao Brasil em 1936 para construção do edifício do MESP, Niemeyer ficou responsável por auxiliar o arquiteto em seus trabalhos no Brasil, conhecidos como marco do Modernismo na arquitetura brasileira. Destacava que a influência do suíço se resumiu aos ideais vanguardistas que possuía muito mais que as inspirações estilísticas.

Mais tarde em 1939, o Ministério do Trabalho divulgou um concurso para definir qual o projeto arquitetônico para o Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de Nova Iorque. O desenho do pavilhão foi importante para que o artista pudesse desenvolver seus traços pessoais pois, é nesse desenho do projeto final que se observa pela primeira vez as famosas curvas sinuosas que marcam sua arquitetura.

Neste mesmo ano, um projeto de composto por um conjunto de habitações foi proposto e encomendado à Niemeyer por Kubitschek. O conjunto seria erguido em um local então pouco habitado, a Pampulha na ala norte de Belo Horizonte. Porém, a repercussão das fotos do projeto foram mais do que presentes, com ampla impacto pelo uso de concreto armado para dar forma as curvas sensuais dos prédios. Um destaque especial do conjunto foi a Igreja que também foi construída como parte do projeto. A sua arquitetura rompia violentamente com o que estava estabelecido para um templo católico, para os conservadores era um ‘galpão”.

A igreja possuía uma estrutura revolucionária. O uso do concreto armado para revestir uma expansão vertical em forma de abóboda proporcionava a estabilidade estrutural do edifício e ao mesmo tempo um detalhe estilístico sem igual. A partir daí sua repercussão é internacional e o concreto armado passaria a fazer parte fundamental como elemento de todos os seus projetos.

Na época, muitas polêmicas foram alimentadas por alas conservadoras sobre uma tal influência do ateísmo e do comunismo do artista sobre a obra-prima que a igreja representara.

Comunista declarado e membro do Partido Comunista Brasileiro, o antigo PCB, Niemeyer fugiu para o exílio em Paris durante o golpe militar de 1964, somente voltando ao Brasil em 1979 quando o artista realiza uma de suas obras políticas mais polêmicas, uma Estátua do revolucionário e guerrilheiro Carlos Marighella. O pequeno monumento tinha a função de ser uma decoração e uma menção honrosa para ser exposto diante do túmulo do guerrilheiro.

Já no começo dos anos 90, o já consolidado arquiteto compôs o projeto para o Memorial da América Latina, um grande marco para redemocratização. Composto de seis edifícios unidos por uma passarelo em arco, a obra seria um símbolo da derrota da ditadura e da integração entre os países do continente sul-americano. O ponto alto do projeto é uma grande escultura puramente composta de concreto com altura de seis metros que se projeta entre os edifícios no Pátio Cívico. A mão é a obra que representa o sangue dos oprimidos do continente vertendo incessantemente. Com toda certeza, a profundidade simbólica da obra se reflete no apoio à luta pela libertação e unificação dos povos oprimidos.

Niemayer foi um grandioso arquiteto e desenhista. Em 2013, o governo brasileiro entrou com pedido para que a UNESCO reconhece como obra para humanidade todos os seus 8927 arquivos de anotações, rascunhos, fases iniciais de projetos, experimentos, entre outros documentos. Os documentos são descritos como ” os documentos são pura obra de arte… todos são documentos originais raros e únicos. Eles não apenas revelam seus traços em curvas livres e poéticas… mas também o método de trabalho do arquiteto”.

É preciso concluir que, apesar de seu alinhamento político com o stalinismo, sua contribuição deve vista como artista à luz de sua arte inteiramente revolucionária que buscou afastar o modernismo brasileiro de qualquer resíduo burocrático e conservador. Como muitos importantes artistas brasileiros e internacionais, Oscar era um comunista, o que demonstra a importância do movimento proletário internacional na oposição ao capitalismo também na esfera da arte. É preciso apoiar a arte revolucionária como uma expressão da luta política dos artistas e reuni-los também para combater ativamente pelo progresso e independência da arte.

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