Não tem que fazer a autocrítica, tem que pedir a liberdade de Lula

lula-03042018124038279

A imprensa golpista continua coagindo o PT e Haddad abandonarem a contra o golpe de Estado. Segundo a imprensa burguesa, que participa do golpe, o PT deveria fazer uma “autocrítica”. Essa imposição é repetida por todos os grandes jornais golpistas, pela Rede Globo e pelos intelectuais prediletos da burguesia.

Não bastasse isso, os políticos profissionais que passaram a apresentar algum apoio a candidatura do PT à presidência o fazem para reforçar as exigências do golpismo. Querem derrotar o PT “por dentro”, forçando Haddad a vir a público fazer mea culpa por participar de um partido que foi apresentado pela operação golpista Lava Jato como corrupto.

Nesse sentido, essa imprensa quer fazer parecer que seria importante o apoio de candidaturas artificiais e insignificantes, como é o caso da família Gomes e de Marina Silva respectivamente. A crítica — que esses setores têm o descaramento de apresentar como uma “autocrítica necessária do próprio PT” — é uma tentativa de fazer com que o PT assuma a culpa por acusações pelas quais nem ao menos existem provas.

No segundo turno, o PT, sob pressão das manipulações eleitorais, vem se descaracterizando por completo, eliminando a figura de Lula da campanha eleitoral e remodelando seu programa político na forma de uma plataforma conservadora, com demandas contra os interesses do povo.

A imprensa apenas elogia a substituição da candidatura de Lula por um “plano B”, a candidatura de Fernando Haddad, porque essa não era uma estratégia do próprio PT, mas uma imposição estranha ao partido e ao movimento que lutava contra o golpe de Estado.

Antes da ilusão eleitoral dominar a esquerda pequeno-burguesa que dirige o PT como uma alternativa, o que se deu por meio do uso força e da enorme manipulação da burguesia, o partido entoava a palavra de ordem de que a eleição sem Lula seria fraude. O ex-presidente foi impedido de participar e o PT não pôde sequer fazer campanha com seu rosto ou seu nome, sob pena de ser perseguido, agredido e ter o material eleitoral confiscado pela polícia.

Cinicamente, a Folha de São Paulo critica agora a guinada de Fernando Haddad à direita, como se fosse um estelionato eleitoral. O mesmo jornal que forçou, junto com outros veículos da burguesia, a levar o PT a abandonar a luta contra o golpe agora acusa o partido de “roubar” votos. É absurda a afirmação, sendo que a maioria do eleitorado apoia Lula. Acusam o PT de algo que, na realidade, foram eles que fizeram ao impedir a candidatura do ex-presidente.

O objetivo dos golpistas é destruir o PT, que é o maior partido político brasileiro e o único dos grandes partidos surgido por fora do regime político brasileiro desde a ditadura militar. Querem que a militância dos sindicatos e dos movimentos sociais dirigidos pelo PT abandonem a luta contra o regime golpista e se adaptem à ditadura que está se instaurando.

Ao se falar em autocrítica, os porta-vozes da alta burguesia querem apenas pressionar e dividir um partido que é o principal alvo de perseguição ilegal das instituições vendidas ao imperialismo. A direita, quer apenas que o PT se submeta ao jogo das instituições golpistas, admitindo como naturais as arbitrariedades que vêm sendo impostas pela ditadura do judiciário.

Em meio à crise política e a perseguição dos movimentos de esquerda, a imprensa rasga de elogios os intelectuais da pequeno-burguesia que apresentam o demanda da “autocrítica” e atacam a “esquerda hegemônica”. O papel da esquerda, no entanto, é levar a população ao enfrentamento com a burguesia e o imperialismo.

A esquerda militante tem o dever de chamar os operários nas suas fábricas a encher as ruas e lutarem pela liberdade de Lula como meio de almejar o poder político do País. Para isso, não adianta agradar a imprensa golpista. É preciso opor os interesses do povo ao ao discurso desses jornais golpistas.