Lula presidente!
A capitulação da esquerda em relação à luta pela anulação dos processos e restituição dos direitos políticos de Lula significa a possibilidade real de reeleição de Bolsonaro
SP - ENCONTRO-NACIONAL-PT-SP - POLÕTICA - Fernando Haddad durante o ConvenÁ„o Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), na Casa de Portugal, em S„o Paulo (SP), neste s·bado (04). Durante o evento, o ex presidente Luiz In·cio Lula da Silva ser· confirmado como candidato do partido para as eleiÁıes presidenciais. 04/08/2018   FOTO RICARDO STUCKERT
A substituição da candidatura de Lula significa reeditar o filme de 2018. | Foto: Reprodução
SP - ENCONTRO-NACIONAL-PT-SP - POLÕTICA - Fernando Haddad durante o ConvenÁ„o Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), na Casa de Portugal, em S„o Paulo (SP), neste s·bado (04). Durante o evento, o ex presidente Luiz In·cio Lula da Silva ser· confirmado como candidato do partido para as eleiÁıes presidenciais. 04/08/2018   FOTO RICARDO STUCKERT
A substituição da candidatura de Lula significa reeditar o filme de 2018. | Foto: Reprodução

Fernando Haddad anunciou que poderá ser candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições presidenciais de 2022. Ele vai viajar pelo país para dar início à construção política da candidatura, supostamente apoiado por Lula.

A candidatura de Haddad se baseia na ideia de que os direitos políticos do ex-presidente Lula continuarão cassados ilegalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo que haja fartas denúncias sobre as condenações como parte de um processo de perseguição da Lava Jato para tirá-lo das eleições. Com isso dado como fato consumado, impossível de se mudar, seria necessário substituí-lo novamente.

A capitulação do PT nas eleições de 2018 passou a falsa imagem de que Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) havia sido eleito democraticamente na disputa contra o Plano B, Fernando Haddad. Porém, o fato é que as eleições foram fraudadas, Lula foi preso para não participar, a Polícia Federal invadiu os comitês de campanha do PT, confiscou massivamente os materiais de campanha que tinham a foto de Lula e o associavam a Haddad. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou mais de 3 milhões de títulos eleitorais no Nordeste, reduto eleitoral petista, e impôs uma legislação que proibia uma série de atividades de campanha eleitoral.

Substituir, novamente, a candidatura de Lula por Haddad significa a adaptação passiva à fraude eleitoral que está sendo organizada pela direita e pelo imperialismo. Ao fim, participar comodamente de uma eleição antidemocrática, controlada pela direita golpista, onde a maior liderança popular do país está proscrita, equivale a dar ares de legitimidade a um processo flagrantemente fraudulento e antidemocrático.

A luta pela anulação dos processos e restituição dos direitos políticos do ex-presidente são tarefas centrais na luta contra o golpe de Estado. O fato é que, nesse momento, somente Lula é uma possibilidade real de se contrapor, no plano eleitoral, aos golpistas. Há de se ter em mente que, mesmo impedido de se candidatar, Lula tinha mais de 40% das intenções de voto em 2018. A votação de Haddad foi consequência direta e inegável do apoio de Lula, já preso e cerceado nos seus direitos, proibido até mesmo de votar e dar entrevistas.

A força eleitoral de Lula não é um fenômeno artificial. Sua origem operária e sua ligação com os sindicatos e com as massas trabalhadoras são a fonte de seu poder político. No caso de Haddad, trata-se de um político pequeno-burguês, professor universitário, sem ligação orgânica com as massas.

O STF e as instituições (Congresso, Ministério Público Federal, Forças Armadas) querem manter a proscrição de Lula, impedi-lo de participar mais uma vez e cassar o direito democrático de dezenas de milhões de pessoas que reconhecem em Lula sua liderança política. O PT não deveria capitular dessa forma, e sim lançar uma campanha de mobilização e agitação em torno da reivindicação de anulação dos processos e restituição imediata dos direitos de Lula.

Não se pode conceber uma democracia, mesmo que burguesa, onde os direitos democráticos do povo, conquista da luta de massas por séculos, são extintos dessa forma. Os trabalhadores devem fazer valer seus direitos de participar no regime político, de atuar conforme seus interesses, de se organizar politicamente e lançar seus próprios candidatos e lideranças. Se são impedidos de fazê-lo, trata-se de uma ditadura, o que é a tendência do regime político originário do golpe de 2016.

A mobilização popular é o único caminho para mudar a situação. Os golpistas não vão permitir que Lula seja candidato pelas vias institucionais, apesar das inúmeras petições apresentadas por Lula e seus advogados. Por isso, é preciso mobilizar a população e as organizações operárias e populares e pressionar nas ruas pela restituição dos direitos do ex-presidente.

Entregar a rapadura para o STF equivale a aceitar mais um golpe de Estado e cassação de direitos democráticos. Significa abaixar a cabeça diante das arbitrariedades e se comportar como cordeiro. A posição fatalista de que não é possível somente serve para a manutenção da ordem, o esmagamento da população, o aprofundamento da miséria e da opressão política no país.

Substituir Lula por Haddad é assistir ao mesmo filme de 2018, que se mostrou um filme de terror. Seria sua reedição, porém agora ainda mais flagrante do que na época. A confusão política da esquerda e sua sistemática capitulação significarão uma possível reeleição de Jair Bolsonaro ou outro direitista neoliberal para destruir o país até 2026. E o povo vai pagar caro, tal como está pagando agora.

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